autoritarismo chiliquento

Colunista da Folha diz que pagodeiros e axézeiros são supremacistas brancos nazistas

Precisamos falar sobre o afronazismo e o cornofascismo dos cantores de axé, pagode e sertanejo e de suas músicas de incitação ao ódio, como Melô do Pimpolho e Baianidade Nagô

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Robert Musil, no livro Sobre a Estupidez, diz que Deus, em sua bondade de difícil compreensão para nós, concedeu a linguagem humana também aos produtores de filmes sonoros. Eu acrescentaria que a bondade divina, embora realmente nos seja difícil compreender, concedeu a linguagem escrita e falada também aos jornalistas.

A Folha de SP, como de praxe, para demonstrar o total desprezo pela inteligência, dá espaço a qualquer cérebro oco que sustente uma visão de mundo em oposição à realidade. A coluna de um tal de Anderson França é das peças mais constrangedoras já escritas, desde que o primeiro filhote de hominídeo fez um desenho com cocô na cara da irmãzinha.

O intervalo entre publicações grotescas tem diminuído drasticamente, tornando quase impossível acompanhar o curso das asneiras. Mas quando surge uma que desce mais fundo ainda na antologia de merdas colossais, merece uma breve avaliação.

A vergonha alheia intitulada “Silêncio sobre Roberto Alvim reinou entre o pessoal do axé, do pagode e do sertanejo” merece nosso precioso tempo. A estupidez tem que ser exposta ou corre-se o risco de tipos feito o autor da salada “reinarem” silenciosamente. 

Cantoras-tratadas-como-nazistas

Charge bizarra de capa já entrega a deformidade do texto

Ele começa fazendo referência ao evangélico Martin Luther King e elogiando os Estados Unidos – talvez único acerto do texto.

A piada já começa na escolha dos artistas brasileiros que ele julga representar os anseios de uma arte militante, responsável pelo desabrochar de nossas belezas mais sublimes: Zélia Duncan, Marcelo D2, Tico Santa Cruz e Pedro Cardoso. A tia do valium, o Zé droguinha, o roqueiro de apartamento e o Agostinho Carrara! Devo me alongar? Não né.

O colunista diz ainda que o bando de comediantes do Porta dos Fundos abalou a república. Pode ser verdade, desde que abalar a república seja ficar no trending topic do Twitter por um dia. Claro que não vou exigir nenhuma capacidade de percepção de quem deve passar a vida numa redação de jornal. Anderson França, coitado, como diria H. L. Mencken, acredita por atacado em tudo que não merece crédito.

É curioso notar como a resistência a tudo o que é artístico e refinado manifesta-se justamente naqueles que se vangloriam de seu amor à arte,  já dizia o mesmo Musil. 

O fiscal da indignação alheia mostra que seu coração é um pote até aqui de lágrimas. Reclama da riqueza de quem se esforçou para sair da pobreza, reclama dos corpos sarados, das viagens, da alegria e dos cachorrinhos, pasmem! Tudo o que transborda do sujeito é ressentimento em estado puro. Todo esforço individual é punido com o rancor absoluto de França. 

Pesquisando sobre o elemento – afinal, tanto talento merece um pouco de atenção – descobri um texto seu dizendo que ninguém trepa mais, nem esquerda nem direita. Olhando a foto do sujeito é impossível não pensar que ele faz de si a medida de todo o globo terrestre, embora esteja bem perto em tamanho. 

Dizer que ninguém mais transa é fácil para quem, há mais de década, não acha a própria biroba, mas a falta de discernimento entre o que ele vive e o que o mundo é o incapacita para captar o óbvio.

É inegável que ele, ressentido até o talo das pregas – se ainda as tiver -, xinga com a pungência de uma criança assustada. Chama duas cantoras sertanejas de ingênuas, evangélicas, oportunistas (elas que não aproveitaram a oportunidade de surfar na histeria da mídia) – tem o fascista também, mas esse é arroz de festa. Por fim, vem a cereja do bolo: chama as moças de NEO-BRANCAS. Que porra é uma neo-branca? Tem que ter engolido muita unha do pé pra chegar a isso.


O colunista parece não gostar muito do plural também. Isso pode ser o reflexo desse fundo psicológico do ser idiotizado que imagina tudo à sua imagem e semelhança: daí, tudo sou eu, primeira pessoa do singular.

O caos interno do colunista, a inveja extrema, o ódio a quem tenha algum talento, mesmo que seja o de rebolar, é tudo o que se extrai do texto. É a mágoa pessoal em estado de coluna. Mas o mais grave, e isso é que tem que ficar de alerta, é a sanha autoritária de quem não tem talento nenhum, apenas um caráter deformado e algumas bravatas de botequim. Exigir posições de quem não quer é autoritarismo do pior tipo. E isso sim havia de monte no nazismo, no fascismo e no comunismo.

França diz que, enquanto escrevia o texto, escutava James Brown, mas o que parece mesmo é que estava com a atenção voltada para o namorado da vizinha.

 

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