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Por que a direita está ganhando e a esquerda segue perdendo e sem entender nada?

Não é difícil de entender e tem relação com escalar cantores de sertanejo nas fileiras da SS de Hitler

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Classificar qualquer oponente político que esteja 1 milímetro à direita de Stalin de nazista não basta mais. Figuras politicamente insípidas da cultura pop que não encampem a histeria antinazista também vestem suásticas em seus braços.

Como um médico alucinado que prescreve o dobro do fármaco que está envenenando seu paciente, a esquerda, a despeito das inúmeras derrotas que enfrentou nos últimos anos, parece que prefere engatar a terceira e permanecer no mesmo caminho: há mais nazistas no Brasil e alhures do que jamais houve no próprio III Reich. A nós cabe apenas seguir vencendo e documentando o fenômeno. Se preferem seguir no caminho da derrota, um tanto melhor.

Como estudo de caso pinçamos o caso mais recente: a vitória de Boris Johnson, do Partido Conservador, já analisada aqui no Senso Incomum. Johnson juntou os cacos de um Partido Conservador em frangalhos e, principalmente, derrubou seu próprio Muro de Berlim – unidades eleitorais ao norte de Inglaterra que votam no Partido Trabalhista desde antes da Segunda Guerra Mundial, votaram no Partido Conservador. No pós-eleição muito se discutiu se a classe trabalhadora teria se tornado “conservadora”. Colunistas de esquerda, é claro, negam a possibilidade.

Não estão de todo errados, mas de certo pelas razões erradas. A questão do Brexit, tema predominante na eleição, certamente influenciou parte da classe trabalhadora a votar em Johnson, pois 5 milhões de eleitores trabalhistas votaram pela saída no referendo de 2016, e no pleito de 2019 a plataforma de Johnson tinha por slogan “get Brexit done”. Além desse elemento mais óbvio, as eleições de 12 de dezembro de 2019 confirmaram a tendência recente: há um abismo intransponível entre as vontades das elites cosmopolitas e globalistas de esquerda e as da classe trabalhadora, o eleitorado que a esquerda considerara seu por direito. O líder trabalhista foi preterido pelo aluno de Eton. Pela classe trabalhadora.

Essa classe trabalhadora segue tendendo mais às políticas de esquerda no campo econômico, tanto que as promessas de campanha de Johnson incluíam aumento do salário mínimo e engrandecimento estatal na área da saúde, por exemplo (vale notar que o sistema público de saúde britânico, a National Helath Insurance NHS, é uma vaca sagrada do reino, político algum ousa falar em mudanças ou reformas). Mas cultural e socialmente falando, para tristeza da esquerda que prefere a dissonância cognitiva em vez da realidade, os mais pobres são conservadores. Evidentemente que o extremo-esquerdíssimo The Guardian, na figura do articulista Kenan Malik, negou a guinada da classe trabalhadora.

O argumento é que esse estrato social seria socialmente progressista: tolera o casamento gay, sexo prévio ao casamento ou relacionamentos interraciais. Escapa à mente obtusa de Malik que isso não é suficiente para classificar a hipótese da guinada como “nonsense” e que um certo conservadorismo social hoje pode estar relacionado a outras questões. E de fato é isso.

Para a questão do Brexit, por exemplo, foram preponderantes os temas da imigração e da soberania nacional, temas que também costumavam ser caros à esquerda trabalhista, patriota no passado. A preferência da esquerda contemporânea por banheiros trans e direitos de imigrantes alienou parte considerável da classe trabalhadora que segue preocupada, adivinhem só, com a quantidade de dinheiro que consegue reter no próprio bolso ao final do mês e ao próprio emprego!

Entretanto, o mesmo Malik considera inapropriado classificar os trabalhadores braçais como conservadores pois, segundo estudo, um terço desses trabalhadores são “pró-imigrantes”. Deveríamos nos surpreender pelo jornalista não notar que isso significa que DOIS TERÇOS dos mesmos trabalhadores não são? Não, não deveríamos. Note-se que a pesquisa é de espectro étnico múltiplo, ou seja, trabalhadores brancos e não-brancos tendem a preferir que a imigração seja controlada e diminua.

Posteriormente no texto, ignorando a imprecisão mencionada no parágrafo anterior, o autor passa a admitir que a imigração é vista como um problema pela classe trabalhadora, mas sua explicação continua fora de mão. Segundo ele, o sentimento é oriundo de uma “atomização” das pessoas, que perderam seu senso de identidade, de comunidade etc. A culpa? É claro, do capitalismo, do “neoliberalismo” e outros fantasmas vagos e ambíguos que preenchem o repertório intelectual da esquerda. Nesse caso, o desconforto com a imigração seria sintoma e não causa da guinada. Nenhuma relação, é claro, com o fato de que as elites falantes (cosmopolitas, globalistas e de esquerda) terem passado as últimas décadas vilipendiando valores e símbolos nacionais, e classificando o menor signo de patriotismo como “nacionalismo nazista” (empurrando alguns, é claro, nessa exata direção).

E apesar disso tudo, a identidade nacional continua sendo um sentimento forte entre as classes menos abastadas dos britânicos – e mesmo entre jovens com educação universitária. O que faz a esquerda? Reforça seu desejo por um multiculturalismo desregrado, imigração em massa e todo e qualquer tipo de política pública que favoreça a dissolução da identidade nacional. Não deveria surpreender ninguém suas constantes derrotas recentes. Talvez surpreenda apenas os especialistas.

O conceito de nação e de um povo que a preenche segue sendo um dos ingredientes básicos das estruturas políticas hoje, e mesmo o vilipendio esquerdista constante não conseguiu apagar essas estruturas das mentes. De maneira pouco inteligente, é claro, esquerdistas radicais não percebem que um senso de identidade oriundo do estado-nação, em vez de catapultar o “fascismo” o solapa, pois trata-se de uma identidade baseada no local geográfico de nascimento a despeito de raça, religião, sexualidade etc. Tudo isso está claramente circunscrito pelas fronteiras de cada estado-nação, aquilo que, exatamente, a esquerda globalista quer abolir. Na Europa, em específico as pessoas comuns, intuitivamente e instintivamente, enxergaram na imigração a forma de enfraquecimento dessas verdades. E nesse sentido são muito mais sagazes que os ditos especialistas.

Algo que escapa dessa esquerda como um todo, mas também de alguns liberais, é que não é a economia, estúpido! Tudo isso se dá apesar das classes na parte de baixo da escala social terem ideias econômicas que não passam pelos crivos conservadores ou liberais. Ou mesmo se aplica ao impacto econômico também negativo que, por exemplo, a imigração pode gerar.

A esquerda ou é limitada demais para perceber isso ou simplesmente percebe, após tantos analistas de direita terem cantado a bola, mas preferem continuar sacrificando os valores mais sagrados para as pessoas normais no altar da religião política do momento. Mesmo que isso também signifique perder eleições –, guardadas as proporções e peculiaridades, do Brasil à Índia. Eles preferem seguir escalando sertanejos nas fileiras da SS. Sigamos – eles e nós.


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