Cinema

Vírus, Câmeras… contaminação! – Como o cinema retratou as epidemias

Ao longo de sua história, o cinema mundial assustou o público com as mais inusitadas epidemias e seus riscos para a humanidade

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Não importa como a humanidade venha a encontrar seu fim, provavelmente algum roteirista de Hollywood poderá se gabar de ter previsto o fim do mundo com razoável segurança. Embora meteoros colossais, invasões espaciais ou guerras nucleares estejam entre os temas favoritos usados nos filmes, vírus assassinos e pandemias apocalípticas já passaram diversas vezes pelas telas nos últimos setenta anos. Listamos abaixo algumas das produções mais interessantes sobre o tema.

Um jogo de xadrez com a morte em meio à peste negra em O Sétimo Selo

Em Pânico nas Ruas, lançado em 1950 com direção de Elia Kazan, o ator Richard Widmark interpreta um médico do exército que investiga a descoberta de um cadáver contaminado por um tipo raro de pneumonia, capaz de se espalhar pela população. O herói tenta descobrir as origens do misterioso homem e rastrear todos que tiveram contato com ele em uma corrida contra o tempo para salvar a cidade de Nova Orleans.

Sete anos depois, Ingmar Bergman lançou O Sétimo Selo (1957), em que um cavaleiro medieval feito por Max von Sydow volta das cruzadas e encontra a Dinamarca devastada pela peste bubônica. Ali, encontra a própria personificação da Morte, com quem inicia um jogo de xadrez na esperança de manter-se vivo enquanto a partida durar. O filme é considerado um dos grandes clássicos do cinema.

Charlton Heston é A Última Esperança da Terra em um clássico da ficção científica

O livro Eu Sou a Lenda, de Richard Matheson (um dos maiores nomes do terror e fantasia na literatura, TV e cinema) deu origem a três filmes sobre uma praga apocalíptica que transforma toda a humanidade em seres monstruosos. Em Mortos Que Matam (1964), os afetados se tornam quase vampiros, seres que têm aversão à luz solar, espelhos e alho. Passada no ano de 1968, a trama tem como herói o Dr. Robert Morgan (Vincent Price), talvez o último homem não-infectado da Terra – curiosamente, Morgan conseguiu sua imunidade após ser mordido por um morcego vampiro anos antes.

Outra versão da história surgiu em 1971 com A Última Esperança da Terra, em que Charlton Heston é o cientista Robert Neville, que injeta em si próprio uma vacina experimental que o torna imune a uma pandemia que transforma os humanos em albinos mutantes que só saem à noite. Finalmente, em 2007, Will Smith interpretou Neville em Eu Sou a Lenda, que apresentou os infectados como monstros noturnos e deformados, criados pela computação gráfica. Nesta versão, a contaminação que varre o mundo tem origem quando um vírus criado como cura para o câncer sofre uma mutação e se espalha.

Uma misteriosa contaminação dá o tom de O Enigma de Andrômeda

Com certos paralelos com a situação que o mundo vive atualmente, a ficção científica Pânico no Ano 2118 (1967) traz Christopher George como um espião que descobre um plano da China para destruir os Estados Unidos ao disseminar diversas doenças medievais incuráveis. A direção e a produção são de William Castle, um dos nomes mais importantes do cinema B.

Em 1971, Robert Wise dirigiu O Enigma de Andrômeda, em que um grupo de cientistas trava uma batalha desesperada para descobrir a origem da doença contagiosa que matou quase toda a população de uma pequena cidade do Novo México, antes que o mal se espalhe. Do mesmo ano, mas com pretensões mais intelectuais, Morte em Veneza, do italiano Luchino Visconti, traz Dirk Bogarde como um compositor que visita a cidade do título na mesma época em que uma epidemia de cólera vem matando os habitantes, enquanto as autoridades locais tentam ocultar a doença para não afastar os turistas.

Um vírus abre caminho para o domínio dos símios em A Conquista do Planeta dos Macacos

Um vírus que matou todos os cães e gatos do mundo é responsável indireto pela queda da humanidade em A Conquista do Planeta dos Macacos, de 1972, dirigido por J. Lee Thompson. No quarto filme da série, os chimpanzés e gorilas são adotados como os novos animais de estimação e, posteriormente, escravos dos humanos, o que faz com o símio inteligente Cesar, interpretado por Roddy McDowall, comande uma revolta que inverte a ordem social e acaba por levar os símios ao poder.

De 1972, Exército do Extermínio, de George Romero, mostrou uma cidadezinha do interior dos Estados Unidos que é contaminada durante um acidente por um vírus desenvolvido como arma pelo exército americano. Enquanto os infectados enlouquecem e tornam-se violentos, soldados aparecem para eliminar todos os habitantes (inclusive os sãos) e destruir as provas do que ocorreu – a trama foi refilmada em 2010 como A Epidemia.

Com um elenco estelar formado por Burt Lancaster, Sophia Loren, RIchard Harris e Ava Gardner, entre outros, A Travessia de Cassandra, de 1976, mostra a aventura de um grupo de passageiros que viaja de Genebra a Estocolmo em um trem no qual esconde-se um terrorista fugitivo, contaminado por um vírus de pneumonia altamente letal.

Bruce Willis tenta descobrir como o mundo chegou ao fim em Os 12 Macacos

Quase duas décadas depois, em 1995, dois filmes tiveram pandemias como tema central. Em Epidemia, de Wolfgang Petersen, um casal de médicos interpretados por Dustin Hoffman e Rene Russo enfrenta um vírus que chega aos Estados Unidos por meio de um mico africano infectado e se espalha, causando uma febre hemorrágica altamente contagiosa. Baseado em um estudo sobre epidemias, o filme tentou apresentar uma visão realista sobre o tema.

Já em Os 12 Macacos, Bruce Willis é um viajante do tempo enviado do futuro para descobrir como teve início uma pandemia que dizimou a maior parte da humanidade. Dirigido por Terry Gilliam, o elogiado filme ainda deu origem a um seriado de televisão de curta duração. No ano seguinte, em Síndrome de Ebola, filme chinês de Herman Yau, um criminoso infectado pelo vírus africano, mas imune a seus efeitos, faz hambúrgueres com a carne de cadáveres infectados e os serve na lanchonete em que trabalha, para espalhar a doença.

Em Extermínio, a Inglaterra cai sob uma terrível epidemia

Epidemias capazes de criar hordas de zumbis descerebrados e assassinos também foram muito explorados pelo cinema. No filme inglês Extermínio, dirigido pelo oscarizado Danny Boyle em 2002, um vírus de hidrofobia, que enlouquece os infectados, é liberado por acidente de um laboratório de pesquisas em animais e se espalha com rapidez, transformando a maior parte da população inglesa em monstros assassinos.

No mesmo ano, Resident Evil: O Hóspede Maldito iniciou uma série de seis filmes estrelados por Milla Jovovich e baseados em um vídeo game de sucesso, nos quais um vírus criado em laboratório transforma em zumbis a maior parte da humanidade, o que leva ao fim da sociedade.

Em Pontypool, a epidemia é transmitida por palavras

Curiosamente, doenças estranhas e transmitidas de maneiras misteriosas foram apresentadas em três produções de 2008. Ensaio sobre a Cegueira, dirigido por Fernando Meirelles e baseado no livro de José Saramago, mostra uma estranha enfermidade que rouba a visão das pessoas e se espalha rapidamente.

No suspense canadense Pontypool, dirigido por Bruce McDonald, uma condição que leva as pessoas a se tornaram homicidas e suicidas se dissemina pelo uso de certas palavras da língua inglesa – o herói do filme é um radialista que tenta impedir que a epidemia se alastre.

Por último, uma praga que também leva os infectados a cometerem suicídio é mostrada em Fim dos Tempos, de M. Night Shyamalan. O filme não esclarece a origem da contaminação, mas sugere que possa ser uma vingança da natureza contra a raça humana.

Um vírus transforma a humanidade em vampiros em 2019: O Ano da Extinção

Vírus (2009), estrelado por Chris Pine, traz quatro jovens que tentam achar um lugar seguro para aguardar o fim de uma pandemia que já matou a maior parte da humanidade. Em sua viagem de carro, acabam presenciando vários exemplos do fim da civilização.

Em 2019: O Ano da Extinção, do mesmo ano, um vírus transformou quase toda a população mundial em vampiros, que dependem do sangue humano, cada vez mais raro, para sobreviver. Junto a um grupo de rebeldes não-infectados, um cientista vampiro interpretado por Ethan Hawke tenta achar uma salvação para as duas raças.

A ficção científica romântica Sentidos do Amor, de 2011, é estrelada por Ewan McGregor e Eva Green como um casal que tentar sobreviver a uma pandemia que rouba os cinco sentidos de uma pessoa, um de cada vez.

Gwyneth Paltrow é a paciente zero de Contágio

Contágio, de 2011, voltou à atenção recentemente por mostrar uma epidemia muito parecida com essa causada pelo coronavírus. No filme dirigido por Steven Sodenbergh, uma executiva americana retorna de Hong Kong e se torna a paciente zero de um surto assustador, causado por um vírus proveniente de porcos e morcegos. Enquanto o número de mortes aumenta rapidamente e o caos se instaura, várias cidades são colocadas em quarentena enquanto as autoridades procuram uma cura emergencial.

No mesmo ano, outra pandemia devastadora surgiu em Planeta dos Macacos: A Origem, uma reinvenção da franquia dos anos 1960 e 1970, estrelada por James Franco e Andy Serkis. Se antes um vírus mortal dera fim a gatos e cachorros, na nova versão uma droga capaz de aumentar a inteligência dos símios contamina os humanos e se espalha pelo mundo como uma doença mortal, facilitando o domínio dos macacos.

O sul-coreano A Gripe apresenta um cenário realista e assustador

Em 2013, uma praga apocalíptica de zumbis enlouquecidos voltou a atacar as telas em Guerra Mundial Z, estrelado por Brad Pitt como um ex-funcionário das Nações Unidas que viaja pelo mundo em busca da cura para um vírus que vem infectando todo o planeta. Uma continuação que seria filmada em 2019 acabou sendo cancelada quando o governo chinês, um dos mercados mais importantes para o cinema atual, proibiu a distribuição local de filmes que envolvam fantasmas ou zumbis.

Ainda em 2013, o sul-coreano A Gripe, de Kim Sung-su, mostrou a luta de um grupo de médicos contra uma cepa letal do vírus H5N1 que se espalha com rapidez por uma cidade próxima a Seul e é capaz de matar os infectados em menos de 36 horas.

Em um mundo que vem sendo obrigado a ficar dentro de casa nas últimas semanas, o filme espanhol Os Últimos Dias, também de 2013, traz um curioso cenário parecido, mas por outras razões. Escrito e dirigido pelos irmãos David e Àlex Pastor, a produção narra o surgimento de uma pandemia de agorafobia irracional, que leva os contaminados à morte imediata quando saem para espaços abertos.

De 2014, a ficção juvenil Maze Runner: Correr ou Morrer, baseada na série de livros de James Dashner, mostra um grupo de adolescentes que tenta sobreviver em um mundo no qual uma explosão solar, seguida do surgimento de um terrível vírus, deu fim à maior parte da vida humana. O filme gerou duas continuações.

Um mundo desolado no espanhol Os Últimos Dias

Um vírus de origem desconhecida também transforma pessoas em mortos-vivos devoradores de carne em Invasão Zumbi, dirigido por Yeon Sang-ho e um dos maiores sucessos do cinema sul-coreano, tendo batido recordes de bilheteria em 2016. A trama se passa em um trem, no qual um grupo de passageiros tenta sobreviver ao ataque dos infectados entre eles – uma continuação, intitulada Península, já está finalizada.

Baseado em uma situação real, 93 Dias, de 2016, traz Danny Glover como um médico nigeriano que lutou, ao lado de uma equipe de técnicos e enfermeiros, para conter um surto de Ebola na Nigéria em 2014.

Suspense de 2017, Ao Cair da Noite é estrelado por Joel Edgerton como um homem que leva sua família para uma fazenda isolada, de maneira a protegê-la dos perigos de um mundo que vem sendo destruído por uma moléstia altamente contagiosa. Porém, sua vida muda (e as tensões aumentam) quando surge uma outra família em busca de ajuda.

No elogiado Cargo, um pai tenta salvar sua filha de si mesmo

Lançada no mesmo ano, Um Dia de Caos, de Joe Lynch, é uma comédia de suspense sobre um vírus que não mata os infectados, mas tira todas as suas inibições, o que leva a uma série de acontecimentos inusitados quando se espalha em uma empresa. Se a esta altura você ainda não cansou de vírus criadores de zumbis, vale a pena checar o elogiado Cargo, também de 2017, no qual uma praga transforma os infectados em mortos-vivos em 48 horas.

O inglês Martin Freeman interpreta um pai que foi mordido e precisa transitar por um cenário apocalíptico para levar sua filha, ainda bebê, a um lugar seguro antes que ele mesmo se torne um perigo para ela. Para finalizar a lista, o indiano Virus, de 2019 e dirigido por Aashiq Abu, reconta a história real da epidemia causada em 2018 na região de Kerala pelo vírus Nipah, originado pela interação (de novo!) com morcegos. Graças à ação de uma equipe médica local, a epidemia fez um número relativamente baixo de vítimas e foi pouco divulgada pela mídia.

No momento, graças ao coronavírus, a maior parte da produção cinematográfica mundial está paralisada, mas não há dúvida que a atual pandemia do COVID-19 irá inspirar seus próprios filmes muito em breve.


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