Venezuela

Jean Wyllys tem razão

O socialismo na Venezuela gera fome e morticínio. O PSOL apóia Nicolás Maduro transformando o pais numa favela. Mas Jean Wyllys tem razão.

Jean Wyllys afirmou, contrariando a resolução do PSOL, que a esquerda não deve apoiar Maduro, pois o regime vigente na Venezuela é uma ditadura e não há simpatia ideológica que justifique a defesa de uma ditadura.

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Tomando por base a premissa – muito correta, por sinal – de que nada justifica a defesa de uma ditadura, podemos dizer que a esquerda também não deveria apoiar Fidel e Raul Castro, Stalin, Lênin, Pol Pot, Ho Chi Minh, Mao, a dinastia Kim e todo horror imposto a países como Etiópia, Angola, Moçambique, Afeganistão, Polônia, Ucrânia, Alemanha, Espanha, Laos, Bulgária, etc.

Wyllys cita ainda o fato do regime venezuelano ser ineficaz e corrupto e que “levou o país ao caos econômico, o desabastecimento, a falta de comida e remédios e taxas de inflação e violência inéditas no continente” (sic).

Outra verdade. Cabe perguntarmos por que o regime levou o país ao caos, ao desabastecimento e à violência endêmica. Isso foi explicado por Ludwig von Mises, Friedrich Hayek, Eugen Böhm-Bawerk e Carl Menger, entre outros:

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Por essas e outras razões, o socialismo é e sempre foi um fracasso econômico que só gerou miséria, fome, inflação e desabastecimento em todos os países onde foi implantado, em qualquer época.

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Se tomarmos por base a segunda premissa de Jean Wyllys,  de que a esquerda não pode defender um regime ineficiente economicamente, concluímos então que a esquerda não pode defender o marxismo.

Há ainda uma questão a ser examinada, que pode esclarecer se tais ditaduras – que ninguém deve ser cúmplice – foram acidentes de percurso, deturpações dos nobres ideais socialistas ou são inerentes ao socialismo. Com a palavra, Olavo de Carvalho, em magistral artigo no “O Globo” de 13 de abril de 2002:

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“Esse conceito é o de um Estado que destitui do poder a classe rica em nome da classe pobre. Ora, para intervir eficazmente numa luta em defesa do mais fraco agredido pelo mais forte é preciso, por definição, ser mais forte que o mais forte. Logo, a vanguarda socialista, para vencer a burguesia, deve acumular mais poder político, militar, policial e judiciário do que a burguesia jamais teve. Porém, como todo poder custa dinheiro, é preciso que a vanguarda detenha também em suas mãos o controle de uma riqueza maior do que a burguesia jamais controlou. Donde a supressão de toda distinção real entre poder político e econômico, que no capitalismo ainda permite aos pobres buscar ajuda num deles contra o outro. Qualquer criança de doze anos pode concluir, desse rápido exame, que a formação de uma nomenklatura politicamente onipotente e dotada de recursos econômicos para levar uma vida nababesca não é um “desvio” da idéia socialista, mas a simples realização dela segundo o seu conceito originário.”

Ou seja, as perseguições, prisões, mortes e censura não são um desvio, mas conseqüência direta de se permitir que o estado detenha o poder total. Por isso o próprio nome do partido de Jean Wyllys, “socialismo e liberdade”, é uma contradição. Nunca houve tal coisa e nunca haverá, pelos motivos expostos acima.

Portanto – sempre de acordo com as premissas de Jean Wyllys – se a esquerda não deve apoiar ditadores, ela não deve apoiar nenhum ditador, inclusive (e principalmente) os de esquerda. Se a esquerda não deve apoiar regimes anti-democráticos, também não deve apoiar o socialismo, que sempre foi totalitário. E, se a esquerda não deve apoiar sistemas econômicos fracassados e ineficientes, ela não deve apoiar o marxismo, comprovadamente, na teoria e na prática, um sistema ineficiente.

Se a esquerda não deve apoiar o socialismo, o marxismo e seus ditadores, só há então uma conclusão possível:

A esquerda deve deixar de ser de esquerda.

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