Educação

Jesus, Genghis Khan e Joana d’Arc podem desaparecer de vestibular americano

Decisão do College Board de remover eventos anteriores a 1450 do currículo de disciplina de História é criticada por educadores

Nos Estados Unidos não existe vestibular nem Enem (sorte a deles). Os alunos competem por vagas nas universidades usando uma série de recursos, como boas notas no histórico escolar, trabalho voluntário, atividades extracurriculares, as notas em exames padronizados como o SAT e o ACT, e cursando disciplinas difíceis.

Entre essas disciplinas estão as chamadas Advanced Placement (AP). São matérias de nível universitário oferecidas dentro das escolas de ensino médio. É como se o aluno adiantasse parte da faculdade antes mesmo de virar calouro. Boas notas nessas matérias e/ou nas provas delas (que podem ser feitas mesmo se o aluno não cursou aquela matéria na escola) são diferenciais na hora de competir por uma vaga na universidade.

As matérias AP são levadas tão a sério que em muitas universidades – incluindo as de maior prestígio, como Harvard – são usadas como crédito. Ou seja: o estudante chega à universidade como se já tivesse feito algumas disciplinas, o que o permite formar-se mais cedo para obter o diploma e até começar o mestrado.

Pois bem. Recentemente o College Board, organização não-governamental que administra as AP, propôs mudar o currículo da disciplina de História do Mundo, removendo da ementa todo o período anterior a 1450. Como mostrado pela revista Time, a decisão apagaria do currículo boa parte das pessoas mais influentes da História, como Sócrates, Cleópatra, Jesus, São Paulo, Átila, Maomé, Genghis Khan, Marco Polo, Gutenberg e Joana d’Arc. É bem verdade que o College Board informa que parte do conteúdo da Antiguidade e Idade Média, como as grandes religiões, permanecerá sendo “revisado” na nova disciplina.

Os críticos ouvidos pela revista Time fazem duas ressalvas. Em primeiro lugar, a decisão de remover a Antiguidade e a Idade Média dessa espécie de vestibular reforça uma visão eurocêntrica da História. O estudo começa na época das grandes navegações, sendo que já existiam grandes civilizações fora da Europa.

O outro problema é que estudar a História apenas a partir de 1450 significa concentrar-se nos avanços tecnológicos modernos em detrimento de estudar os fundamentos culturais e filosóficos da modernidade.

O episódio nos leva a pensar sobre o conteúdo de História nas escolas brasileiras e no Enem. Como será a qualidade do nosso ensino sobre a Antiguidade e a Idade Média, e o quanto nossos alunos estão aprendendo sobre elas?

Me lembro de que quando fiz o vestibular para a UFMG (em 2003) a Antiguidade estava claramente removida do currículo. As perguntas começavam do feudalismo em diante e olhe lá.

Para me atualizar, consultei a prova de Ciências Humanas do Enem 2017. Das 45 perguntas, seis (13%) envolvem temas anteriores a 1450, o que não parece mau, já que nem todas as questões são sobre História. Na disciplina AP, o conteúdo anterior a 1450 correspondia a 40% da prova. Mas ao que parece vão ficar sem nada.

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