A luta continua

A esquerda não está nem aí para quem foi assassinado por Battisti

A esquerda repete a lenga-lenga sobre democracia e que comunismo já era, mas não diz um pio sobre as vítimas de Cesare Battisti, mortas em nome da ditadura do proletariado

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Cesare Battisti é um terrorista de extrema-esquerda, assassino de três pessoas e mandante do assassinato de uma quarta. Seus crimes foram perpetrados quando militava no grupo Proletários Armados pelo Comunismo (Proletari Armati per il Comunismo, PAC), grupo de terroristas que, como o próprio nome diz, não estava muito a fim de disfarçar que eram comunistas, que estavam armados e que matariam para instaurar a ditadura do proletariado preconizada por Karl Marx.

Como os terroristas do Brasil, foi bastante ativo, perigoso e violento sobretudo nos anos 70, quando a Itália vivia uma agitação de atentados terroristas, tanto de grupos fascistas, como o Ordine Nuovo, quanto de organizações comunistas, como o Proletari Armati per il Comunismo de Battisti. Era a época chamada Opposti Estremismi, quando grupos extremistas “opostos” (e concorrentes) queriam instaurar, cada um, seu totalitarismo na Itália. Como no Brasil, a época de Opposti Estremismi foi posteriormente denominada “Anos de Chumbo” (Anni di piombo).

Bem diferentemente do Brasil, entretanto, foi o tratamento histórico: a Itália chamou seus terroristas de terroristas, mesmo quando eram de esquerda. No Brasil, quem matou jovens com carros-bomba, deixou bombas em aeroportos, amputou pernas e matou pessoas a rajadas de tiros em plena rua simplesmente se transformou em “ativista em prol da democracia” nos livros do MEC, na mídia e entre a intelectualidade, e logo ascenderam ao poder.

Rogo di Primavalle Não à toa, terroristas italianos viram no Brasil um Paraíso de refúgio, no qual não apenas não seriam punidos como poderiam até mesmo desfrutar do poder com um partido sindicalista no poder. Não foi apenas Cesare Battisti: o terrorista Achille Lollo, que matou a família de um gari membro de um partido concorrente, o Movimento Sociale Italiano. No caso Rogo di Primavalle (“incêndio de Primavalle”), Achille Lollo foi com três outros integrantes do movimento comuno-terrorista Potere Operaio, também conhecido como Potop, até um apartamento no terceiro andar de via Bernardo da Bibbiena 6, próximo à praça Primavalle, para matar Mario Mattei. O gari fugiu pela janela, salvando-se. Sua esposa conseguiu ir para o andar superior com os filhos de 9 e 4 anos. Outras duas filhas, de 19 e 15 anos, salvaram-se por um balcão. Um dos últimos filhos, Virgílio, 22 anos, ouviu o choro do irmão menor, Stefano, 10 anos, enquanto escapava. Voltou para tentar salvá-lo. Ambos morreram carbonizados.

Achille Lollo fundador psolO incendiário de crianças (falamos dos filhos de um gari) Achille Lollo veio para o Brasil e fundou o PSOL, Partido Socialismo e Liberdade (aquele do Adelio Bispo, talvez o partido brasileiro com mais assassinos por cabeça). As autoridades italianas pediram a sua extradição, quando foi descoberto quase por acaso. Despiciendo relatar a resposta do STF.

Já Cesare Battisti tem um histórico de assassinatos um pouco mais longo. Matou a tiros o marechal de polícia penitenciária Antonio Santoro, em 1978. Em fevereiro do ano seguinte, as vítimas foram o joalheiro Pierluigi Torregiani, em Milão, e o açougueiro Lino Sabbadin, na parte de Veneza que fica em terra firme. Ambos teriam matado ladrões a tiros. Como sabemos qual a visão de comunistas (ou até da “esquerda moderada”) sobre ladrões, fica fácil entender a motivação dos crimes. O açougueiro fazia parte do mesmo partido do gari que Achille Lollo tentou assassinar, o Movimento Sociale Italiano (MSI). Os Proletários Armados pelo Comunismo disseram ter “colocado fim” à sua “esquálida existência”. Por fim, o policial Andrea Campagna, assassinado de sopetão, como é comum aos covardes terroristas.

Cesare BattistiCesare Battisti, como seu colega de ideologia Achille Lollo, é exatamente o ideal da esquerda que se consubstanciou em partidos como PT e PSOL: alguém que fala em “democracia” quando precisa de proteção do Estado contra seus crimes, alguém que pega em armas para matar crianças, garis ou adversários políticos em prol de implantar a ditadura do proletariado quando anda por aí. O verniz de “esquerda light” de um PT serve exatamente a isso: proteger terroristas perigosíssimos com um edulcorado discurso de que “a democracia está em perigo” quando colocamos assassinos na cadeia, abraçando toda a sorte de totalitários, genocidas e terroristas em sua boléia.

Lemos por todo o lado, hoje, um discurso minimizador do “efeito Bolsonaro” na prisão e extradição de Battisti, que fugiu para a Bolívia antes de o novo presidente ser eleito (sua extradição para a Itália era uma promessa de campanha de Bolsonaro).

Quase nunca se fala em PT, em proletários, em armados, em comunismo (não será nenhuma surpresa se descobrirmos que Cesare Battisti e seu colega Achille Lollo, que mora no Botafogo, perto da churrascaria Porcão, defendem o desarmamento da população civil). Parece que foi uma chicana que ocorreu por acidente, espontaneamente, no Brasil. Não se fala, por exemplo, que o último ato de Lula no poder, no dia 31 de dezembro de 2010, foi justamente ter concedido refúgio a Cesare Battisti, via canetada Mont Blanc.

Battisti recebe apoio do PSOLParece que estas palavras incomodam jornalistas. Parece mesmo que, talvez, se falarmos em comunismo, em armas, em PT, em matar um gari de um partido direitista, em assassinar joalheiros e açougueiros que reagem a assaltos, em assassinar policiais, em PSOL, ora, talvez falar de tudo isso faça com que boa parte do eleitorado mais carente do PT passe a não ver a esquerda, Lula, Dilma, Suplicy et caterva como “heróis contra a ditadura”. Talvez, quem sabe, os jornais não queiram que a população saiba disso. Quando se precisa comentar o nome dos movimentos, é sempre en passant, como se Battisti (ou Lollo) apenas estivessem numa fase ruim da vida, bebendo demais. Que a esquerda nada tem a ver com isso.

Sobretudo, é quase impossível ver qualquer um dos grandes formadores de opinião de esquerda do país – um Fernando Haddad, uma Marilena Chaui, um Vladimir Safatle, um PC Siqueira, uma Cynara Menezes, um Zé de Abreu, uma Fernanda Lima, um Felipe Neto, uma Márcia Tiburi (aquela que defende assalto), um Marcelo Freixo, um Jean Wyllys, uma Eliane Brum, uma Monica de Bolle, uma MC Carol, um Tico Santa Cruz, um Fabio Pannunzio, um Gregório Duvivier, um Marcelo Rubens Paiva preocupados com as vítimas desses terroristas – assassinados in nomine communismi, sempre urge frisar.

Pelo contrário: criaram até um Comitê de Solidariedade (sic) para cuidar do terrorista italiano. Não se sabe se alguém já escreveu uma linha para os familiares das vítimas lamentando sua morte.

Um Gilberto Dimenstein até tentou relativizar e comparar aos assassinos de Marielle Franco, a monomania atual da esquerda brasileira, mas o tiro só saiu pela culatra:

Gilberto Dimenstein Cesare Battisti Marielle Franco

Afinal, ninguém defende os assassinos de Marielle Franco. Entretanto, a esquerda defende desabridamente os assassinos Cesare Battisti e Achille Lollo. E tudo em nome do comunismo. Sempre devemos lembrar disso quando alguém de esquerda disser que “não defende o comunismo”, que “o comunismo já acabou” ou que “lutavam por democracia”. Basta virem um comunista de verdade, armado, matando açougueiros ou crianças, e rapidamente veremos se esta logorréia se sustenta.

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