Que tal Bolsonaro pedir busca e apreensão de cada um que o ofende na internet?

Se um ministro do STF não pode ser ofendido, porque "fere a democracia", então o presidente também não. Se não vamos ter liberdade de um lado, zeraremos a liberdade do outro também

O STF, na voz do ministro Alexandre de Morais, determinou mandados de busca e apreensão contra 29 pessoas que ousaram, ousaram criticá-lo nas redes sociais. De acordo com o ministro, a liberdade de expressão não pode servir para ofender e para fazer “discurso de ódio” contra autoridades como ele, o ministro Alexandre de Morais.

Quem o fizer, determina o ministro Alexandre de Morais, será “responsabilizado” e, deduz-se, terá sua privacidade invadida, seus computadores, celulares e tablets confiscados e, como o ministro Alexandre de Morais já destaca, pode acabar indo parar na CPMI das Fake News.

Vimos no Jornal Nacional, afinal, um desfile de políticos dizendo que não podemos tolerar este crime terrível de criticar políticos. De “atacar”, como é o dog whistle da mídia. Onde já se viu um povo que xinga políticos? Sabemos que isso é ditadura e atenta contra o Estadodemocráticodedireito. Em democracias, em países livres, o povo obedece aos políticos calado, e só tem o direito de abrir a boca para elogiá-los.

Sobra, naturalmente, um questionamento simples, que podemos passar na forma de recomendação ao presidente Jair Bolsonaro.

Que tal se o presidente fizer o que deveria ter feito ontem – interromper o Jornal Nacional para um pronunciamento em cadeia nacional, defendendo a liberdade de expressão? Dizendo o que todos sabem, exceto jornalistas, esquerdistas e isentões: que o controle do que é verdade e do que não é por políticos (e autoridades judiciais) é totalitarismo. Que apenas gente do escol de Hitler e Stalin foram definir o que é “verdade” e o que é fake news (tem de ser um clichê, não adianta falar de Nicolae Ceaușescu ou citar O Zero e o Infinito). Que o povo sabe identificar a verdade melhor do que qualquer burocrata.

Mas é preciso de algo mais, para ir além de só zoar a programação do Jornal Nacional com seu patenteado pincelamento de frases soltas que peguem mal.

Que tal se Jair Bolsonaro der um ultimato? Uma coisa de lógica bem simples. Até a Vera Magalhães vai entender (acho). Se não se pode dizer, por exemplo, que Alexandre de Moraes é um “tirano careca”, porque isso é “discurso de ódio” e “ataque” a uma autoridade com fake news (como se Moraes fosse mais cabeludo do que o Valderrama, e como se fazer busca e apreensão e proibição de postagem por isso fosse um ato lá muito… digamos… não-tirânico), que tal se Bolsonaro simplesmente fizer o mesmo?

Bolsonaro é chefe do Executivo. Alexandre de Moraes seria mais ou menos um chefe do Judiciário (dividindo a função com outros 10). O Judiciário não manda no Executivo (como tem feito sistematicamente), são Poderes de mesma estatura. Por uma conta simples, seria como se Bolsonaro não fosse apenas o equivalente ao ministro Alexandre de Morais (pior: eleito, o que Moraes não é), e sim ao STF inteiro.

Se chamar, apenas para citar um exemplo, o ministro Alexandre de Morais de “tirano careca” é discurso de ódio, implicando que há “gabinete do ódio” por trás e enseja busca e apreensão, silenciamento de perfis em redes sociais e o cazzo, que tal Bolsonaro interromper o Jornal Nacional para dizer que, então, vai fazer busca e apreensão em cada um que o xingar na internet?

Chamou Bolsonaro de “fascista”? Legal, fera. Amanhã, está sem computador, tablet, celular. E vai explicar pra mamãe o que a Polícia tava batendo na sua casa 6 da manhã. Xingou Bolsonaro de “miliciano”? Bem, já é uma injúria que “inclui” a idéia de prática de um crime – bem pior do que essas frescuras de falar de cabelo, né? Já podemos até mandar direto pra cadeia. And so on.

E jornalista que chama Bolsonaro, o presidente com menos autoridade de nossa história (e o único a diminuir seu próprio poder), de “autoritário”? Não é um “gabinete do ódio”? Não temos de quebrar sigilo bancário e telefônico? Afinal, nas palavras de Alexandre de Moraes, “[o] acesso a essas informações é de vital importância para as investigações, notadamente para identificar, de maneira precisa, qual o alcance da atuação desses empresários nessa intrincada estrutura de disseminação de notícias fraudulentas”.

“Ah, mas são jornalistas”, brada o time do vírus. Oras, o Allan dos Santos também é. E os donos de sites e canais de YouTube e derivados produzem notícias. Desde a ditadura não se quebra sigilo telefônico e bancário de jornalista, mas quebraram o do Allan. Por que não da Vera Magalhães, que tem produzido fake news atrás de fake news, liderando o gado do gabinete do ódio tucano?

Por que não Glenn Greenwald, o ladrão de mensagens privadas (isto é pior do que fazer uns memes?)? Por que não Leandro Demori, que chamou a juíza Ludmila Lins Grilo de “jumento” sem um muxoxo de reclamação da Abraji contra o “machista”? Por que não todos os que afirmaram que “o porteiro não mentiu” em uníssono – o que é uma evidente fake news espalhada de forma coordenada (talvez com uso de robôs) por algum “gabinete do ódio” por aí?

Nem mesmo Sérgio Moro aceitou o pedido de prisão de Leonardo Attuch mesmo confirmando que recebeu propina, simplesmente porque ele é “jornalista”, ainda que seja do Brasil 247, um dos sites mais fake news de todo o planeta. Mas se é pra prender qualquer um que tenha “ódio” do presidente, que faça “ataques” a uma instituição democrática como a Presidência da República, que tenha um “gabinete do ódio” para coordenar fake news, já podemos dar uma lista, só para começar.

Por que não esta senhora aqui?

E que tal elencar entre aqueles que praticam tais atos um certo ministro chamado C. de. M., que afirmou que “Bolsonaro não está à altura do altíssimo cargo que exerce”, e que chamou pessoas que criticam o STF de “bolsonaristas fascistóides, além de covardes e ignorantes”? Que tal uma busca e apreensão de notebooks, celulares e tablets na casa de C. de M., para ver como fica a tal “separação entre Poderes”?

Vamos ver como ficaria a cara do William Bonner, tendo de explicar às pressas que (quais serão os termos escolhidos?) perseguir (taí um bom!) jornalistas atenta contra o Estadodemocráticodedireito. Que críticas a autoridades são necessárias, e que só no stalinismo, ou melhor, só na ditadura militar (onde termina o imaginário da Rede Globo) alguém sonhou em sair tomando celular e tablet e computador de jornalistas e comentadores em redes sociais que, oh, “ofenderam” uma autoridade.

Aí, adeus “ataques”, Adeus, supostas fake news que ninguém aponta qua

Aí, Jair Bolsonaro poderia dar o plot-twist supremo (ops!): dizer que ou o Supremo interrompe esse inquérito ilegal e inconstitucional, com as devidas punições a quem praticou abuso de autoridade utilizando-o para perseguir inimigos, ou ele fará o mesmo que o Supremo faz, estando na mesma altura da divisão entre Poderes.

Que tal? Já que vão parar o país por causa de um suposto “gabinete do ódio”, caçando supostas fake news que NUNCA apontam quais sejam, invadir a privacidade, tratar qualquer discordante do establishment como criminoso, então vamos jogar todas as cartas na mesa.

Já que o crime de “injúria” agora vai mandar a liberdade de expressão pro inferno e transformar o Brasil em uma ditadura mesmo, vamos apertar o botão vermelho. Ou a CPMI das Fake News é anulada (porque inconstitucional) e o inquérito das fake news é destruído, com punição a quem dele se utilizou, ou não vai sobrar jornalista com um pager no Brasil no dia seguinte – e falamos só do dia seguinte. Depois, começam os perfis verificados – o “gabinete do ódio do centrão” – depois, os perfis não verificados… e dá-lhe PF!

Já que Sérgio Moro só nos deu emoções negativas recentes, queremos umas positivas. Se Alexandre de Moraes tem esse direito, Bolsonaro também tem – talvez até mais. Que tal?


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