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Kafkiano: Defesa de Luciano Hang também não tem acesso ao inquérito

Apesar de Alexandre de Moraes afirmar que defesas tiveram acesso aos autos, nenhum advogado dos investigados por "fake news" conseguiu descobrir do que seus clientes são de fato acusados

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Luciano Hang

Além da defesa de Bernardo Pires Küster e de Sara Winter, como noticiamos há pouco, não terem acesso ao inquérito sigiloso do STF, ao contrário do que afirmou o próprio ministro Alexandre de Moraes, também a defesa do empresário Luciano Hang afirma não conseguir saber do que o dono da Havan está sendo acusado.

A situação é gravíssima, e livros que chocaram o mundo com descrições do totalitarismo mais brutal já foram escritos sobre situações aterrorizantemente idênticas, sendo o mais famoso O Processo, de Franz Kafka, no qual Joseph K. não sabe do que está sendo acusado nem na última linha do romance.

O escritório Beno Brandão Advogados reclamou:

“No dia 27/05/2020, apresentamos petição requerendo habilitação nos autos e a solicitação de cópia integral do inquérito, mas não conseguimos ter acesso a NENHUMA decisão proferida até o presente momento, mesmo apresentando toda a documentação constitutiva para representar o investigado.”

A defesa ainda critica que não foi intimada formalmente do mandado de busca e apreensão e, num inquérito que invade privacidades em nome de algo que nem sequer é um crime no Brasil (supostas “fake news”), está tendo de se informar sobre o processo apenas… por meios de comunicação.

Tampouco o gabinete do ministro Alexandre de Moraes aceitou uma videoconferência, afirmando apenas que o ministro não está travando contato com advogados, e que eles esperem a intimação formal dos despachos e decisões, sem poderem advogar enquanto isso. A defesa reiterou:

“Por todo o exposto, venho mais uma vez requerer qualquer informação a respeito do Inquérito 4781 e nossa habilitação nos autos, uma vez que diversos andamentos estão sendo inseridos no sítio eletrônico do tribunal, mas não temos conhecimento do teor destes atos o que torna IMPOSSÍVEL o pleno exercício da advocacia.”

A situação é gravíssima. Além de o ministro Alexandre de Moraes estar aterrorizando a população honesta com o perigo de ser perseguida pela honradíssima Polícia Federal por um não-crime, ainda nem sabe do que está sendo acusada, enquanto o show midiático para assassinar reputações corre solto.

Como se não bastasse, no afã de combater supostas fake news que ninguém sabe quais seriam, o ministro Alexandre de Moraes, ao afirmar que está liberando acesso sem o estar de fato, acaba cometendo exatamente o que é considerado “crime” neste inquérito: aquilo que é chamado de fake news.

A mesma situação, como já relatamos, a mesma situação se passa com os advogados dr. Gastão da Rosa Filho, que defende Sara Winter, e dr. Emerson Grigollette, que defende Bernardo Pires Küster, além dos advogados da deputada Bia Kicis e do jornalista Allan dos Santos.

O Brasil está kafkiano.


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Flavio Morgenstern

Flavio Morgenstern é escritor, analista político, palestrante e tradutor. Seu trabalho tem foco nas relações entre linguagem e poder e em construções de narrativas. É autor do livro "Por trás da máscara: do passe livre aos black blocs" (ed. Record).

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