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Apagar da democracia

Inquérito de “ataques anti-democráticos” ao STF é baseado em deputado que pediu “guerra” e defendeu “anarquia”

Piada na internet, Alexandre Frota é fonte do inquérito do STF. Deputado espalha fake news, ameaça bater em jornalistas – e já perguntou se Adélio Bispo foi "incompetente ou distraído"

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Alexandre Frota

O infame inquérito sigiloso 4.781, que tem colocado inocentes no Brasil sob risco e tem como relator o ministro Alexandre de Moraes é baseado no depoimento do deputado e ex-ator pornográfico Alexandre Frota, que ficou famoso pelas cenas de sexo com Rita Cadillac e cenas de threesome com mais dois homens. Na página 4 da decisão, Alexandre Frota é citado como fonte.

Alexandre Frota, já travestido como deputado, depôs na CPMI das Fake News unicamente para criticar qualquer um na internet que cometesse o crime de discordar de sua atuação, instaurando um verdadeiro Estado policial que só não logrou êxito por não ser muito levado a sério antes do inquérito do STF.

O momento mais icônico foi quando, numa CPMI supostamente para caçar “fake news”, Alexandre Frota acabou, justamente, espalhando uma fake news ao vivo, a respeito de Olavo de Carvalho. A desinformação só não passou totalmente batido graças à atuação da deputada Caroline de Toni, que provou que o ex-ator pornô estava disseminando ódio e notícias falsas numa CPMI, praticando difamação a Olavo de Carvalho valendo-se de um perfil fake.

Foi justamente este mesmo depoimento de Alexandre Frota que é usado na decisão do ministro Alexandre de Moraes para justificar as decisões recentes que minaram única e exclusivamente apoiadores de Bolsonaro, sob uma desculpa de supostas “fake news” e de uma “organização criminosa” que até hoje não foi provada – e as vítimas de tal inquérito, até agora, nem puderam saber do que são acusadas.

Em sua decisão, escreveu o ministro Alexandre de Moraes:

As informações até então acostadas aos autos, inclusive laudos técnicos, vão ao encontro dos depoimentos dos Deputados Federais ouvidos em juízo, que corroboram a suspeita da existência dessa associação criminosa, conforme se vê:

(…)

Deputado Alexandre Frota (fls.4872-4875):

É do conhecimento do depoente a existência de grupos responsáveis pela criação e disseminação de notícias falas, ataques e mensagens de ódio a figuras e instituições públicas, incluído Deputados, Senadores e Ministros do Supremo Tribunal Federal, atuando de maneira coordenada.

Convencido de que poderia continuar com sua campanha de ódio e desinformação, e ainda não apenas ser tolerado pelas autoridades, mas mesmo ser tratado como fonte por documentos importantíssimos para a república como um inquérito sigiloso do Supremo Tribunal Federal, o ex-ator pornô resolveu usar o aparelho do Estado, inclusive seus mecanismos de controle e repressão, para prejudicar desafetos.

Basicamente, é a única coisa que o agora deputado Alexandre Frota faz dos dispendiosos recursos pagos com nosso dinheiro na Câmara dos Deputados.

Citando “relatórios” que trazem o idioleto de Carlos Afonso, o perfil fake acusado de fake news que usava o nome de “Luciano Ayan”, Alexandre Frota começou a produzir material para CPMI das Fake News virar um mecanismo de puro acossamento a qualquer um que prefira Bolsonaro a seus sucedâneos.

Citando “relatórios” que trazem o idioleto de Carlos Afonso, o perfil fake acusado de fake news que usava o nome de “Luciano Ayan”, Alexandre Frota começou a produzir material para CPMI das Fake News virar um mecanismo de puro acossamento a qualquer um que prefira Bolsonaro a seus sucedâneos – na prática, todos os que não quiseram dar poder a “Luciano Ayan” e Alexandre Frota.

O ator pornô postou uma enquete em seu perfil no Twitter perguntando se, no dia da facada, Adélio Bispo foi “incompetente ou distraído” (sic).

Nada disso foi considerado “ódio”, nem formação de um “gabinete do ódio” pelos ilustríssimos ministros do STF, que agora utilizam este ser humano como fonte e “prova” de que seus desafetos formam um “gabinete do ódio”, e não ele próprio (uma rápida olhada em seus seguidores é sobejante para avaliar quem realmente formaria um “gabinete do ódio” especializado em desinformação e espalhar fake news no país). Uma denúncia foi feita contra Frota, mas arquivada. Foi ensejo para mais ódio espumante.

Ódio, aliás, é um sentimento que Alexandre Frota nem se preocupa em esconder:

https://twitter.com/alefrota77/status/1185908861330432000?ref_src=twsrc%5Etfw%7Ctwcamp%5Etweetembed%7Ctwterm%5E1185908861330432000&ref_url=https%3A%2F%2Fwww.boletimdaliberdade.com.br%2F2019%2F10%2F20%2Falexandre-frota-diz-que-em-sua-guerra-contra-bolsonaro-vale-ate-o-lula-solto%2F

Quando criticado por Augusto Nunes, um dos jornalistas mais respeitados do país, Alexandre Frota deu um “recado”, dizendo que “não erra” como Glenn (Glenn Greenwald tentou dar um soco em Augusto Nunes em resposta a um sopapo deste). Ou seja, ameaçou acertar um soco em Augusto Nunes. Este homem sendo usado por Alexandre de Moraes para fazer busca e apreensão na casa de inocentes, tratados como uma “milícia”.

Seu Twitter é uma coleção de palavrões, xingamentos, ofensas e ódio virulento e espumante, mas é este homem que enseja um inquérito buscando supostos “ataques a autoridades”, graças memes que são feitos por seus desafetos (e compilados por Afonso “Luciano Ayan”), que misteriosamente corre em sigilo no STF e as vítimas de tal inquérito não têm acesso a seu conteúdo.

Pouco antes da violentíssima manifestação do último domingo na Av. Paulista, com arruaceiros montando barricadas com lixo queimado e tendo de ser contidos pela Tropa de Choque, Alexandre Frota trocou a sua imagem de perfil para o famoso A que é símbolo da anarquia.

Uma anarquia, como se sabe, não é um Estado democrático de Direito, e sim a ausência de leis, a ação direta para destruir justamente o Estado. Seus métodos de ação violenta têm histórico desde William Mellor e Mikhail Bakunin até Unabomber e Ann Hansen.

Alexandre Frota retweetou Lula, e marcou vários perfis, a começar pelo da Gaviões da Fiel, para afirmar que “vamos ter que ir pras ruas e vamos para guerra. É hora de unificar e encarar” (sic). Como se sabe, “coincidentemente” a Gaviões da Fiel depredou a Paulista e destruiu a Av. Paulista logo depois.

Alexandre Frota Lula

Alexandre Frota Gaviões da Fiel

Após os anarquistas terem feito o que a anarquia é – violência física contra o Estado democrático de Direito, ou “encarar” –, Alexandre Frota ainda tirou sarro das pessoas que estavam sendo atacadas em bando.

Alexandre Frota ri de espancamento

Note quem o deputado marca na legenda

Logo após, talvez percebendo que foi muito além do “recomendado”, Alexandre Frota trocou o A da anarquia pela bandeira do Brasil, e apagou o perfil no Twitter, para reaparecer longe das conseqüências de suas ações um dia depois.

Como um deputado que fala em guerra, que parece ter informações sobre balbúrdias dias antes de elas ocorrerem, que conclama sua militância para violência física, que espalha fake news, que fala em ódio, que parece ter um “gabinete do ódio” particular, que tira sarro de violência física e de facada, que ameaça jornalistas de socos, é utilizado como “prova” pelo STF para perseguir pessoas inocentes, devassar suas vidas, fazer buscas e apreensões como se fossem criminosos, e se nega o acesso aos autos às vítimas deste inquérito?

Não há algum risco ao Estado democrático de Direito simplesmente ao se observar esta situação?

Lembrando sendo que não aceitaram fazer busca e apreensão nem sequer nos advogados de Adélio Bispo, que parecem ter uma movimentação financeira completamente em desacordo com a realidade do criminoso que tentou assassinar o então candidato à presidência da República Jair Bolsonaro. Entretanto, pessoas que apenas fazem críticas e piadas com ministros, graças ao depoimento de alguém como Alexandre Frota, estão sendo tratados como criminosos.

O ex-ator pornô é tratado, naturalmente, como uma piada na internet (o que não demonstraria nenhuma “rede coordenada de ataques”, e sim que ninguém o leva a sério). Entretanto, todas as suas peculiaridades são, a bem da verdade, perigosas, se são tratadas não apenas como verdadeiras, mas como provas pelo Supremo Tribunal Federal.

Entre os tweets que ensejaram busca e apreensão de celulares e computadores na casa de inocentes, há até mesmo tweets defendendo e citando… a Constituição. Por que o comportamento do deputado Alexandre Frota não só é tolerado pelo Supremo, como usado como prova? É isto o que o Supremo quer tratar como tolerável no país, o comportamento que deve ser a tônica não só de nossa política, mas de nossa sociedade – enquanto defender a moral pode nos render problemas com a honradíssima Polícia Federal?

Devemos, então, agir mais como Frota, e menos como um intelectual como Bernardo Pires Küster?

Curiosamente, Alexandre Frota é filiado ao mesmo partido, o PSDB, ao qual foi filiado o ministro Alexandre de Moraes, que hoje é relator do inquérito destas supostas “fake news” que ninguém sabe quais seriam (e, mesmo que existissem, nem seriam crimes, ainda mais em um inquérito no qual o STF é suposta vítima, procurador e juiz). Seu grande nome para a presidência é o governador de São Paulo, João Doria.

Alexandre de Moraes ele próprio soltou uma fake news ao afirmar que já havia dado acesso integral ao conteúdo do inquérito sigiloso para a defesa, posteriormente afirmando algo contraditório após todos os advogados envolvidos negarem terem tido tal acesso (e o gabinete de Moraes, então, afirmou que daria acesso “parcial”, o que não é permitido pela Lei de Ordenação da Magistratura, e contradiz sua versão de que já havia dado acesso).

O Estado democrático de Direito no Brasil vai desaparecer porque o STF, no afã de perseguir discordantes do poder, vai dar ouvidos a Alexandre Frota? Então, o ex-ator pornô deixa de ser uma piada, um meme, uma folclórica peça do já desacreditado sistema político brasileiro, para se tornar o fim da liberdade no país.


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Flavio Morgenstern

Flavio Morgenstern é escritor, analista político, palestrante e tradutor. Seu trabalho tem foco nas relações entre linguagem e poder e em construções de narrativas. É autor do livro "Por trás da máscara: do passe livre aos black blocs" (ed. Record).

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