Gabinete da Peppa

Inquérito das “fake news” é baseado em depoimento de Joice, acusada de fake news e criação de perfis falsos

Inquérito que está sendo usado pelo STF para busca e apreensão de conservadores tem como base depoimento de parlamentar acusada de criar perfis falsos para espalhar fake news

O inquérito das supostas “fake news” que corre no STF, no qual o STF é tanto auto-intitulada vítima, quanto investigador e juiz, é baseado no depoimento da deputada Joice Hasselmann, acusada por ex-assessores de criar fake news a seu favor numa campanha de ódio e desinformação na internet.

A deputada era jornalista na TV Veja e na Jovem Pan junto a Reinaldo Azevedo e Felipe Moura Brasil, o Juveninho. Era famosa por um processo movido por jornalistas do Paraná, que a acusaram de criar um blog de plágio.

Quando saiu dos grandes jornais, além de escrever a biografia de Sérgio Moro, anunciou a criação do “TV JHN Channel”, o “primeiro canal de direita do país”, com suposto conteúdo replicando a mídia independente. Aliás, essa era a defesa da então jornalista:

“Eu quero uma TV independente, eu quero veículo independente. Eu não vou fazer parte do sistema.”

O projeto não durou… bem, a apresentação. Dedicando-se a alavancar sua imagem, pagou uma fortuna para fazer filmes “baseado em situações reais” nos quais é “sequestrada” por um marombado, recebe informações para derrubar um governador, tem dificuldade para fechar um sobretudo e diz que precisa criar uma jornalista que seja uma “Joicinha”.

Foi a senha para Joice se afundar no seu canal no YouTube, no qual se dedicava a vídeos como “URGENTE: CARMEN LÚCIA PODE RENUNCIAR HOJE”, “O IMPEACHMENT DO GILMAR. FALTA O DO MARCO AURELIO.”, “GLEISI PODE SER PRESA POR INCITAÇÃO AO TERRORISMO” e outros grandes títulos.

Sua fake news mais pesada foi uma “indireta”: descrevendo a revista Veja com todos os detalhes, mas sem citar o nome dos antigos patrões, Joice afirmou que “uma grande revista” recebeu R$ 600 milhões para atacar Bolsonaro, estampando-o na capa. A Abril inteira foi vendida por R$ 100 mil, incluindo gráfica e distribuidora – valor mil vezes menor. Fake news gorda.

Depois, já deputada, deu entrevista à revista Crusoé dizendo que era “mais Bolsonaro” do que os próprios filhos do presidente.

Após rachar com Bolsonaro, preferindo a “articulação” com Bivar, Maia e membros do centrão, no que ficou conhecido como “bancada da lasanha”, Joice Hasselmann partiu para o ataque, sem acentuada mudança em sua metodologia.

Foi destaque até no Fantástico por ser uma das principais depoentes na CPMI das Fake News, na qual deu um show afirmando existir um “gabinete do ódio”, como é o dog whistle da mídia e a maior fake news já criada no país. Recentemente, mais fake news: Joice afirmou que o tal “gabinete do ódio” recebe R$ 2 milhões por mês, fiel seu padrão de números gordos, cevadamente inflados.

Foi seu depoimento à CPMI das Fake News que deu ensejo para que os ministros do STF, auto-intitulados vítimas do tal “gabinete do ódio”, e também procuradores e juízes ao mesmo tempo, fizessem buscas e apreensão de quem Joice Hasselmann aponta como membros do “gabinete do ódio”.

O gabinete do ódio incluiria… bem, qualquer um que manifeste opinião favorável a Bolsonaro e desfavorável a pessoas como Joice Hasselmann. Qualquer crítica é chamada de “ataque”. E, mesmo com todo o destaque midiático, Joice não apresentou uma única suposta fake news divulgada por todo mundo que acusou, com gastos gordos para o pagador de impostos brasileiro.

Recentemente, vazou um áudio de Joice Hasselmann, em que pede para “tias do zap” criarem perfis para defenderem-na. Joice confirmou a criação do que foi chamado de “gabinete da Peppa”. Ao invés de falar em “gabinete do ódio”, o Estadão postou a desculpa de Joice: que ela teria pedido para “tias do zap” criarem “perfis verdadeiros”. Ora, se eram verdadeiros, elas já teriam. Se Joice pedia, era para criar perfis falsos. A contradição nunca foi alvo de CPMI ou investigação.

Conforme relatamos, o celular de Joice precisava ser alvo de busca e apreensão imediata após esta e outras denúncias. Ainda apenas nos últimos meses, também mostramos como Joice fez um esquema de aluguel de carros para lá de suspeito.

Na decisão do STF do inquérito 4.781, o “inquérito das fake news”, que está acusando pessoas inocentes, realizando busca e apreensão de computadores e celulares (o que já é em si, uma punição), é citado justamente o depoimento de Joice Hasselmann, como ensejo para que autoridades quebrem sigilos telefônicos e tratem o acesso por autoridades a conversas privadas de WhatsApp como questão de segurança nacional, como se lida com grupos terroristas (no caso brasileiro, nem grupos terroristas são tratados assim).

Lê-se na decisão do ministro Alexandre de Moraes:

Essas tratativas ocorreriam em grupos fechados no aplicativo de mensagens whatsapp, permitido somente a seus integrantes. O acesso a essas informações é de vital importância para as investigações, notadamente para identificar, de maneira precisa, qual o alcance da atuação desses empresários nessa intrincada estrutura de disseminação de notícias fraudulentas.

Some-se a esses fatos os depoimentos prestados pelos Deputados Federais Alexandre Frota e Joice Hasselmann em 17/12/2019, que narraram a existência de um grupo organizado conhecido por Gabinete do Ódio, dedicado a disseminação de notícias falsas e ataques a diversas pessoas e autoridades, dentre elas o Supremo Tribunal Federal.

Todos esses investigados teriam ligação direta ou indiretamente com o aludido Gabinete do Ódio.

Na página 4 da decisão, lê-se:

Deputada Joice Cristina Hasselmann (fls. 4868-4871):

(…) A depoente também pode constatar que o trabalho coordenador dessa organização por vezes se voltava contra o Supremo Tribunal Federal: quando surgia alguma postagem ou hashtag ofensiva ao STF ou algum de seus membros, um dos integrantes do grupo retransmitia e em questão de minutos isso era disseminado pelas redes sociais e para inúmeros outros grupos, seja pela atuação de integrantes da organização, seja por utilização de robôs.

(…)

A cúpula dessa organização sabe trabalhar com a construção de narrativas, bem como os canais mais eficazes para sua rápida divulgação, contando para isso com o chamado “efeito manada” que atinge pequenos grupos e até indivíduos isolados, amplificando em nível nacional as mensagens ofensivas, calúnias e notícias falsas e de ódio contra inúmeras autoridades ou quaisquer pessoas que representem algum incômodo.

Já noticiamos que, apesar de conhecido e tratado como piada nas redes, o deputado Alexandre Frota é, na verdade, um ex-ator pornográfico, que espalha fake news na própria CPMI das fake news, ameaça bater em jornalistas, prega “guerra” e “anarquia”, e está sendo tratado como uma fonte segura pelo Supremo Tribunal Federal para arrebentar a privacidade de inocentes, perseguindo supostas mensagens que “ferem a ordem democrática”.

É simplesmente pornográfico que uma Corte séria como o STF use Alexandre Frota como fonte para perseguir inocentes. Pior: enquanto o ex-ator pornô preconizava quebradeira na Av. Paulista com o símbolo da anarquia e ainda tirava sarro de pessoas espancadas (não fere a “ordem democrática”?), o STF não dá acesso aos autos às defesas das vítimas, em algo que fere perigosamente o Estado democrático de Direito. Para piorar, ainda o próprio ministro Alexandre de Moraes divulga fake news, afirmando que liberou um acesso que nenhum advogado teve até agora – e ainda apresentando conflito de datas no despacho.

Além desta excrescência, também é o depoimento de uma contumaz disseminadora de fake news que dá ensejo a buscas e apreensões atrás de… supostas fake news, que nem Joice, nem Frota e nem o STF apontam quais sejam (e, ainda que qualquer um dos envolvidos tivesse cometido um deslize um dia, isto não é crime no ordenamento jurídico brasileiro, muito menos um crime capaz de ensejar busca e apreensão).

Agora, ex-empregados de Joice Hasselmann afirmam em reportagem da CNN que a deputada exigia a criação de perfis fake, na média de 5 por pessoa, para ficarem elogiando a deputada nas redes. Justamente a parlamentar que foi incensada pela mídia como a “perseguidora de fake news”. As hashtags #PeppaGate e #GabineteDaPeppa subiram aos Trending Topics do Twitter.

Tudo isto precisa ser investigado com urgência imediata, e nada tem sido feito, nem pelo Congresso, nem pelo STF, nem por jornalistas, que, em sua imensa maioria, abafam o caso.

Uma única confirmação de tantas denúncias é motivo sobejante para cassação do mandato de Joice Hasselmann.

Mas ainda há uma ferida aberta no Estado democrático de Direito brasileiro: um inquérito sigiloso, perseguindo inocentes, fazendo busca e apreensão como se fosse contra terroristas, sem acesso dos acusados aos autos do processo, que tem como base o depoimento de um ex-ator pornô violento e de Joice Hasselmann.

Este inquérito e esta CPMI, ambos inconstitucionais e ilegais (sem nem ter um objeto definido), precisam ser enterrados imediatamente, com punição exemplar a quem deles se aproveitou para instaurar a censura no Brasil.


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