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Antagonista recebeu verba da Secom, tal como acusa todo mundo

Finalmente descobrimos qual o blog que Felipe Moura Brasil vive acusando de ser "financiado pelo governo" sem nomear: o próprio Antagonista que o contratou

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Como se descobriu nos últimos dias, O Antagonista, blog de fofocas que acusa Deus e o mundo de ter idéias a soldo do governo, também recebia a mesmíssima verba pública que a Secretaria de Comunicação (Secom) do governo federal aplica em publicidade do Google AdSense. O blog que vive acusando outros de receber dinheiro público recebeu R$ 49,09 de dinheiro público.

Finalmente descobrimos o alvo de uma acusação monomaníaca, obsessiva e chulé de Felipe Moura Brasil, que vive falando em “blogs financiados com verba governamental”, sem dizer quais seriam. Algo tão “jornalístico” quanto falar em estupradores e assassinos por aí, sem dizer quem, onde, como, quando, por quê. O problema é: o tal blog financiado parece ser o próprio O Antagonista que o contratou.

Vivêssemos em um país civilizado, com palpiteiros públicos com mínima capacidade de realizar um silogismo simples, poderíamos avançar uma casa decimal no raciocínio e explicar o óbvio estupidamente estúpido que está parando o país: que quase todo site usa o Google AdSense para publicidade.

Que a “graça” do AdSense é exatamente essa: um site gigante e um iniciante terem a mesma publicidade das mesmas grandes e pequenas empresas. Que é bom para o anunciante e para o produtor de conteúdo. Que se o governo faz publicidade via AdSense e, graças ao algoritmo, o anúncio vai em um site cujo conteúdo é notícia e análise política, só um bandido, pilantra, vagabundo, ditador ou prostituta pode dizer que “o site está sendo financiado pelo governo” com o fito de tentar minar sua credibilidade.

Claro, isso num país cujo palpitariado falante estivesse anos-luz acima do nível intelectual de um Antagonista. Aqui, a “acusação jornalística genérica” de um Felipe Moura Brasil, que despontou escrevendo como “Juveninho” (vide tweets abaixo), vira celeuma nacional.

Recentemente, Patrícia Campos Mello, autora de uma das maiores fake news dos 520 anos de história brasileira, “denunciou” na Folha de S. Paulo que “Verba publicitária de Bolsonaro irrigou sites de jogos de azar e de fake news na reforma da Previdência”. Acusando totalmente sem provas todos os veículos que não sejam esquerdistas de “divulgadores de fake news”, a reportagem de Mello acusou, entre outras coisas, o portal Terça Livre de ter divulgado 1.447 anúncios da campanha Nova Previdência do governo federal. Segundo informações do próprio Google, tal valor se traduz em R$ 21,40.

Não 21 milhões, não 21 mil, nada destes montantes típicos da era petista: vinte e um reais e quarenta centavos. Algo difícil de sacar num caixa eletrônico pelo valor irrisório. Na verdade, como é praxe na área, o governo contratou os serviços da agência Artplan Comunicação S/A, vencedora de licitação. Esta que contratou o Google AdSense, e a campanha política, óbvio ululante, foi veiculada em um site cujo conteúdo é política (como deve ter sido veiculada na própria Folha de Patrícia Campos Mello, a divulgadora de fake news).

O rebosteio que se seguiu nutre até mesmo o inquérito do fim do mundo, o infame inquérito 4.781 do STF, que já censurou inclusive a revista do próprio Antagonista. Políticos, jornalistas, blogs e azêmolas na esquerda, na grande mídia e na isentosfera saíram de boca espumante exigindo investigação, punição e um aprofundamento da destruição das liberdades de expressão no país para “denunciar” os infames R$ 21,40 e tentar reduzir sites não alinhados ao petismo e isentismo a pó (liberdade é um preço baixo a se pagar para se calar um inimigo, segundo o pensamento corrente).

Também, é claro, choveram comparações (inclusive a monocórdica, maçante e brega de Felipe Moura Brasil) com o financiamento de blogs petistas quando Lula e Dilma estavam no poder.

À guisa de exemplo e comparação, em 2016, Dilma pretendia torrar R$ 2,1 milhões com o Brasil 247. O Diário do Centro do Mundo receberia R$ 1,1 milhão no mesmo ano. Congresso Em Foco ficaria com R$ 940 mil do nosso dinheiro. A Carta Maior e a revista Fórum ficariam com R$ 921 mil, sendo lidas por algumas moscas. As informações são da própria Folha. Nosso número de seguidores no Twitter, sem um centavo do governo, ultrapassa alguns desses veículos que têm o dobro de idade e 20 vezes o tamanho da nossa equipe, mesmo que nós publiquemos algumas poucas vezes por dia.

Enquanto isso, por causa de uma campanha para divulgar a Nova Previdência, o Google AdSense, que seleciona o público da publicidade conforme o conteúdo acessado, o Terça Livre recebeu R$ 21,40. Tendo um público ridiculamente maior do que esses sites petistas  entupidos de fake news que são tratados como sérios e seguidos por vários jornalistas da grande mídia. 

Ou seja, todos nós poderíamos estar explicando o óbvio: que dinheiro de AdSense de uma campanha do governo não significa corrupção, venda de consciência, nada: apenas o anúncio aparece, e o dono do site nem fica sabendo. Como O Antagonista não estava sabendo, como Felipe Moura Brasil, enquanto acusava os outros, não sabia que também estava recebendo esta “imensa” quantia.

Ao contrário do que diz um certo jornalista que só grita bobagens jurídicas e é famoso pelas tetas fartas e por parecer querer ser amante de um famoso tucano, não se trata de o governo “poder” suprimir a publicação em certos sites: é completamente ridículo (e mesmo imoral) exigir que o governo, ou melhor, uma terceirizada, ao fazer uma campanha publicitária, de antemão defina que sites que não sejam petistas e tucanos não possam veicular uma propaganda (o intuito é propagandear uma campanha ou dar dinheiro? se fosse dar dinheiro, seriam mesmo 21 reais?).

Nós mesmos já utilizamos AdSense, mas trocamos por outro modelo mais elevado, até desistirmos de vez. Mais uma vez, ao contrário das fake news publicadas por auto-declarados “caçadores de fake news” que publicam fake news (inclusive envolvendo mortes), o AdSense não faz sentido para um site como um nosso, que publica pouco, não vive de click-bait, tem parceiros publicitários próprios (já fez seu currículo com a CVpraVC? já comprou sua camiseta com a Vista Direita? quer se aprofundar com cursos do Brasil Paralelo?) e que preza por maior qualidade e menor volume de textos. Dificilmente nosso AdSense rendia R$ 100 por mês, que acabamos até esquecendo de ir buscar.

Seria tão interessante sermos civilizados, escovar os dentes e pensando por silogismos – estes hábitos de extrema direita – e estarmos explicando que o cafézinho servido e algumas páginas de impressão para cada parlamentar indo torrar nosso dinheiro para “investigar” os R$ 21 do Terça Livre é muito mais custoso do que toda a publicidade supostamente “criminosa” ou “imoral” que está sendo tratada como “financiamento de fake news, discurso de ódio e extrema direita” no país.

Seria muito interessante se O Antagonista de Felipe Moura Brasil fosse um site preocupado com pensamento frio, e explicasse que essa fake news de Patrícia Campos Mello é uma imbecilidade que serve de narrativa para transformar o Brasil em uma ditadura, e que eles próprios foram censurados (e defendidos por nós).

Mas não: O Antagonista prefere jogar a moral e o raciocínio no ralo (junto com sua credibilidade), e ataca outros sites como “financiados pelo governo”, sem saber que o AdSense fazia o mesmo com eles próprios. Nisso que dá preferir jogar o joguinho do PT do que defender a verdade, não importando de quem venha.

Ironia das ironias, os Antas receberam mais dinheiro (R$ 49,09) do que o próprio Terça Livre (R$ 21,40). Mas o pior é simplesmente estarmos discutindo isso como uma questão (e sim, por nós, a Secom poderia simplesmente ser fechada, e toda a publicidade que o governo quiser ser feita em lives com internet ruim).

Este é o montante de dinheiro que está paralisando o país. Já pensou se os milhões do nosso dinheiro dado aos blogs preferidos de Patrícia Campos Mello fossem tratados como “financiamento de fake news” e “discurso de ódio” e “financiamento da extrema esquerda” se os termos da modinha tivessem aparecido antes? Lembrando que o Brasil 247 apareceu até no petrolão, mas o então juiz Sério Moro preferiu não mandar prender seu dono, porque pega mal mandar prender jornalista. Agora acho que os tempos já mudaram, algumas prisões por fake news viriam bem a calhar.

Divirta-se com a genialidade de Felipe Moura Brasil:


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Flavio Morgenstern

Flavio Morgenstern é escritor, analista político, palestrante e tradutor. Seu trabalho tem foco nas relações entre linguagem e poder e em construções de narrativas. É autor do livro "Por trás da máscara: do passe livre aos black blocs" (ed. Record).

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