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Bolsonaro e o STF no turbilhão das redes sociais

O presidente mostra não entender a briga ideológica, agindo mais como agente do momento do que estrategista perspicaz

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De uns poucos anos pra cá, sempre que uma decisão política importante é tomada, as redes sociais entram numa espécie de rave de música eletrônica: três dias ininterruptos sobre o assunto, olhos vidrados, gritaria. O fenômeno se intensificou depois que Bolsonaro foi eleito. 

A esquerda, varrida nas eleições e vendo sua ideologia desmascarada, tratou de ativar o modo “vou derrubar esse presidente, custe o que custar”. Para isso colocou a linha de frente do batalhão, a mídia jeca, para deslegitimar todas as ações do governo federal. A tática, como sói acontecer com gente muito brilhantusca, deu tão errado que a popularidade do presidente foi lá para o topo.

A tática de detonar tudo o que o presidente faz tem sido muito proveitosa para o governo, que vê o apoio do povo, totalmente desvencilhado dos valores da elite falante, crescer em todas as regiões do Brasil. Bolsonaro tem carisma e sabe usar isso a seu favor. Mas, quando se trata de decisões estratégicas, o presidente parece titubear.

Nunca os olhos estiveram tão atentos a uma indicação do Supremo. Nem quando Temer, já na era do “se você peidar pra esquerda eu descubro e te entrego”, indicou o seu ministro, que, por razões óbvias, não vamos nomear nem comentar. Com todas, todas mesmo, as atenções voltadas para a escolha do novo ministro do STF, Bolsonaro não agradou. As críticas ao escolhido se avolumam nas redes sociais.

Vendo notórios inimigos aplaudindo a opção do presidente, muita gente pôs a bile pra fora, “soltou os cachorros”, no jargão oficial dos impropérios. É difícil manter a emoção controlada após uma decepção, por isso quem está nas redes criticando o presidente tem uma boa parcela de razão. O presidente falhou.

Quem o aplaude incondicionalmente também tem suas razões. Temem que as críticas derrubem a popularidade do presidente, dando a chance de figuras caricatas da nossa política, como um Ciro Gomes, lucrarem com essa perda. Mas se equivocam na ânsia de justificar os deslizes e as bobagens que Bolsonaro, muitas vezes mal orientado, comete. A santificação de um cargo não é coisa de gente saudável.

Bolsonaro não é um rei-filósofo, um Churchill, um Reagan. Talvez não seja nem um sujeito muito brilhante, mas acerta muito mais do que erra. Tem boas e claras intenções, mas não vai resolver tudo em 4 ou 8 anos. Não tem a noção do que seja a briga ideológica. Foi muito mais um agente de momento nessa luta do que um estrategista perspicaz. 

É disparado o melhor presidente que tivemos nos últimos, talvez, 40 anos. Sua sinceridade, qualidade que lhe deu um enorme prestígio, sempre esteve alinhada aos anseios do povo, que sempre foi tratado como mercadoria eleitoral por políticos de esquerda. Sua fala sobre lagostas na sua última live, é uma quebra brutal nessa sintonia. Defender de forma arrogante a deglutição de lagostas pelos ministros do Supremo – com dinheiro público, para agravar a situação – é um desastre, uma afronta.

Quanto a sua decisão, é preciso aguardar e ter calma. Kassio Nunes não parece ser um bom nome, mas pode surpreender. O que incomoda é que Bolsonaro foi eleito com uma base majoritariamente mais conservadora e, na primeira oportunidade de deixar algo duradouro, alinhado com esses valores que o elegeram, preferiu um nome fraco, ao invés de um Ives Gandra Filho, por exemplo. A escolha foi um balde de água fria e só serviu para dividir sua base.

Para ilustrar: de que valeu toda a sua campanha pelo país fazendo sinal de arminha com as mãos, deixando esquerdistas e isentolecas com as pregas latejando, se seu nomeado for mesmo um desarmamentista? Seria quase um estelionato eleitoral.

O brasileiro já deveria estar careca, com todos os poros do couro cabeludo cauterizados e inativos, de saber que na nossa política tudo pode virar em questão de minutos. A expectativa não é que Bolsonaro nos salve de todos os males. É que ele nos prejudique o menos possível. 

A politização desmedida da vida é que desmantela a personalidade, transformando gente relativamente talentosa num bando de histéricos sem graça alguma. Ortega Y Gasset, no começo de A Rebelião das Massas, diz: “A vida pública não é apenas política e sim, ao mesmo tempo e até antes, intelectual, moral, econômica e religiosa; compreende todos os hábitos coletivos, inclusive o modo de se vestir e o modo de se divertir.” 

Incomodado com o palpitariado e o pentelhismo. Mude isso assinando o Brasil Paralelo. Aquela nuvem carregada tende a se dissipar.

Os que se aferram às contendas diárias, esfolando o dia no áspero por coisas que se resolvem antes do almoço ou por coisas que nunca se resolverão, perdem uma boa oportunidade de achar um sapato novo, um boteco antigo. Numa entrevista no extinto Roda Viva, Rachel de Queiroz – sobre José Lins do Rego, se não me engano – dizia que tinham as maiores discussões sobre política, que um não concordava em nada com a visão do outro. 

Essa é a dinâmica da vida. Chesterton e Bernard Shaw eram grandes amigos também. Ninguém pode dizer que ambos andavam nos mesmos trilhos. 


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Carlos de Freitas

Carlos de Freitas é o pseudônimo de Carlos de Freitas, redator e escritor (embora nunca tenha publicado uma oração coordenada assindética conclusiva). Diretor do núcleo de projetos culturais da Panela Produtora e editor do Senso Incomum. Cutuca as pessoas pelas costas e depois finge que não foi ele. Contraiu malária numa viagem que fez aos Alpes Suiços. Não fuma. Twitter: @CFreitasR

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