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Ler, ler e ler

Precisamos salvar a alfabetização do paulofreirismo

O Brasil trocou a educação clássica, com memorização, domínio de regras e até latim pela politização. A única saída hoje é ler – ler muito, em voz alta, com nossos filhos

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Quando você tem um filho, depois da fase de cocôs infinitos, regulação do sono, agenda de vacinas (por óbvio, as já testadas, aprovadas e consolidadas) e sucesso no cumprimento das necessidades básicas, começa a fase dois.

Como será a educação do meu filho? Como será a sua alfabetização? Como será a sua pré-alfabetização? As visitas às escolas, os métodos, os resultados dos métodos. E dá-lhe realizar um mergulho em um mundo novo que até há pouco tempo se resolvia com o enxoval cuidadosamente pensado.

Mas agora você está com a chave do futuro do seu filho em suas mãos e você tem que escolher a porta que irá abrir. Caso escolha a certa, você terá a chance de lhe dar o caminho para um mundo de conhecimento infinito, um mundo no qual a cultura pode ser o refúgio de sua imaginação e de sua alma, não importando a degradação real ao redor. Porém, caso escolha a errada… bem, o que mundo tem a oferecer atualmente é o acesso a uma função assalariada que terá alta demanda quando for um adulto… E só.

Engana-se quem acha que a primeira opção, o mundo de infinitas possibilidades, se abrirá com a entrada no ensino superior – o caminho para este mundo começa bem antes, na primeira infância. É lá que, ludicamente, preenchendo o imaginário da criança com beleza, histórias, poesias e cantigas, é feito o primeiro contato com a língua pátria, que será depois aprofundado com uma alfabetização real para pleno domínio da língua. Hoje, ignora-se toda a cultura e o contato orgânico e natural com o idioma em troca de uma tentativa estúpida de “formação de senso crítico” em crianças.

A tradição de conhecimento ocidental foi pautada pelo exercício da memória. Os verdadeiros educadores (revolucionários à parte) são unânimes em apontar a necessidade de a criança ouvir atentamente e imitar o que ouve. Neste contexto, a alfabetização é um processo educativo, porém orgânico: um meio em que o professor/educador de fato ajude o aluno a aprender e não o deixe subsistir na sua ignorância inerente à idade.

Nesse cenário, não é possível levar a sério o método paulofreireano de “alfabetização”, que transforma a alfabetização em um ato político, destruindo o primeiro e essencial aprendizado da criança, com o qual, futuramente, terá condições de se aprofundar em camadas superiores do universo da linguagem – pela leitura e escrita, até o desenvolvimento de sua própria expressão. Ora, depois de aprender – e apreender – a linguagem é que a criança se torna capaz de manifestar o tão alardeado “senso crítico”, com lastro em todo o conhecimento adquirido. Tal operação é impossível renegando e amputando a sua inteligência previamente de um universo cultural pretérito, enxertando a sua alma com meras sombras da Verdade, tratadas como “autonomia”.

E não se venha dizer que no Brasil não houve uma tradição séria de alfabetização e ensinos. Quem não tem um avô, uma bisavó, que nos estudos clássicos na escola não teve contato com latim ou poesia? E, em contrapartida, basta-se entrar em uma sala de um colégio de elite declamando uma poema pré-modernista na mesma língua portuguesa para se sentir um alienígena diante da surpresa geral da classe.

Mesmo diante de aparentes mudanças nos nossos governos, a mentalidade revolucionária continua arraigada em todo o sistema educacional. O que esta revolução quer para o seu filho? Que ele comungue de séculos de conhecimento, acessível, no sentido intelectual, de suas mãos, com um poderoso trabalho de imaginação, ou que ele seja mais um apertador de parafusos, ou um burocrata virtual disponível para demanda mercadológica?

Quantas vezes você já não se irritou porque não é mais possível preencher uma declaração, comprar uma passagem, passar pela recepção de um laboratório e ser compreendido no mais comezinho diálogo em língua portuguesa por aquele que está ali para intermediar uma operação simples do dia-a-dia?

Essa é nossa missão como pais, como brasileiros e como falantes do português: não deixemos este cenário prevalecer, não deixemos que a educação se transforme em meras liçõezinhas bobocas sobre aprender a jogar o lixo no lixo e respeitar a “língua” do x/@/e, que nem mesmo é uma língua, ou uma língua possível (antes fosse a velha brincadeira da língua do p!). Isto é adestramento, não educação, não alfabetização. Tomemos às rédeas, ainda que dentro de nossas casas.

O melhor remédio para salvar a educação é ler! E ler para os nossos filhos! Ler em voz alta, ler aquilo que é belo! Ninguém, depois de conhecer a beleza de nossa bela língua, irá preferir destruí-la em troca de algo sem sentido como “pronomes neutros”.

E acreditem, há quem já tenha ladrilhado todo o caminho das letras e compartilha muitas riquezas com os pais recentes de filhos pequenos, que ainda se sentem perdidos a respeito do que deve ser lido para seus filhos para apresentá-los ao mundo letrado (reconhecemos aqui que ainda é cedo para fazê-los perder amigos com os nossos podcasts!).

Não há melhor oportunidade para indicar o canal do YouTube “Onde vivem os livros”, de Luciana Lachance (que também tem um excelente perfil no Instagram), que teve uma temporada encerrada neste ano com apresentação de vários livros para várias faixas etárias (sem contar o evento para os pais “30 contos em 30 dias”):

Aliás, é bom que se diga que podemos achar ouro puro em vários perfis no Instagram que podem nos ajudar nessa missão divina. Eis alguns:

@marcelasaintmartin

@diariodesescolar

@rodrigogurgel

@pur.ana

@lorena.mirandacutlak

@our_home_is_cool

@institutoborborema

@clubinho.literario

@olindascalabrin

@aformacaodoimaginario

@magisterclisthenes

@clarafinottim

@aprendendolatim.serviam

@infanciabemcuidada

Sem esquecer, claro, de Carlos Nadalim, que há muito tempo se dedica à alfabetização e, recentemente se viu, sob a mira da cultura de cancelamento da mesma esquerda que destruiu a alfabetização no Brasil, em razão Programa “Conta para Mim” idealizado sob sua batuta no Ministério da Educação, um programa que leva leitura pra dentro das casas para facilitar o acesso das crianças pode ser um pequeno passo nessa trajetória de volta à alfabetização como aprendizado e como conhecimento da língua portuguesa. Tudo aquilo que acabará com o futuro curral eleitoral da esquerda.


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