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Ho, ho, ho

Do Natal à presunção de inocência, a pandemia destruiu nossa civilização

Só falamos de peste e eleições, e ignoramos comemorações como o Natal, que foi marcado pela proibição, destruição de famílias e normas ditatoriais. Não há o que temer: o primeiro Natal foi igualzinho

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No Natal de 2020, o ano da peste chinesa, tivemos um aprofundamento de um terrível fenômeno que já vinha aceleradíssimo na última década: a negação do Natal. Antes, toda casa estava abarrotada de enfeitas, pisca-piscas, uma preparação para o Natal que durava mais do que dezembro.

Lojas, shoppings, mercados, decorações nas ruas, bairros inteiros: a única forma de viver em dezembro era comemorando o Natal o tempo todo. Só o bar dos pinguços da esquina tinha o direito à alienação da data mais comemorada no Ocidente. Qualquer bodega minimamente mais auto-consciente tinha uma decoração, uma estrela, um pinheiro, um brilhozinho que fosse.

A auto-consciência do Ocidente é o que determina se sobreviveremos ou não. É o que vai garantir que vamos ter alguma vida algum dia, ou passaremos o fim de nossa civilização bajulando políticos aparecendo como salvadores de nossas vidas a cada novo problema global – do “aquecimento global” à peste chinesa – através de contratos bilionários com indústrias ultra-suspeitas. Ainda sabemos o que é o Ocidente, e com quais símbolos o interpretamos?

Não é de 2020 que o Natal começou a ser proibido. Em 2015, já aderindo ao politicamente correto, o Conjunto Nacional, um dos prédios mais tradicionais da Avenida Paulista, resolveu fazer um “Natal árabe”. A decoração combinou com duas coisas: o Estado Islâmico matando cristãos em proporções diabólicas e uma ausência quase completa de decoração no restante da Avenida Paulista. A coisa só iria piorar: hoje, é raro uma loja se entupir de enfeites no Natal, para não ser “cancelada” por milicianos lavadores de dinheiro do tráfico no Twitter.

Com movimentos de lobby da esquerda progressista, que quer criar um “comunismo dentro do capitalismo”, invocando Antonio Negri, empresas foram aderindo com rapidez impressionante (coisa de menos de 2 anos) à tese de que comemorar o Natal é “ofensivo”. A quem não tem religião. A quem não tem pai. A quem é ressentido, loser, inútil e, sobretudo, comunista. Comunista está dia e noite, sem feriado (já que não comemoram o Natal, e já não trabalham nos outros dias do ano) querendo destruir ou matar algo ou alguém.

Se em 2010 era um espetáculo andar numa avenida de cidade grande do país à noite (e olha que temos um Natal que não chega a ser 5% do Natal americano), em 2015 havia mais trânsito do que decoração. Papai Noel era raro. Presépio? Presépio?!?! Ninguém te avisou de que já estamos no século XXI?! Em 2020, com a peste chinesa, o Natal, sem que fosse preciso dar envergonhadas explicações, foi sumariamente proibido.

Mesmo o desenho blasfemíssimo South Park, no episódio A Very Crappy Christmas, de 2000, mostra o que acontece quando se retira o “comercialismo” do Natal (e, talvez o que nem os roteiristas tenham percebido: a caridade cristã): o Natal fica um saco. Um domingo qualquer vendo Faustão. Parece até mesmo um discurso do Doria. Ou do Alckmin. Ou do Amoedo. Ou do Suplicy. Tudo aquilo que você não quer ver ao tentar se sentir bem com a vida.

Mas o tom de proibição do Natal acabou sendo simbólico por três simbolismos proféticos e inescapáveis da humanidade. Por isso 2020 foi um ano tão importante.

Em primeiro lugar, pela própria idéia de que o Natal deveria ser proibido. Comemorar, agora? Assim, de sair na rua, como se você tivesse esse direito?! Quem deixou? E esta é a pergunta que todos os proibidores de Natal quiseram ver sem resposta.

As pessoas perderam o direito de ir e vir, perderam o direito de expressão (com a caça a supostas fake news sobre suas soluções milagrosas para a peste), o direito de manifestação (com inquéritos ilegais e inconstitucionais fungando no cangote – mas de que adianta ser inconstitucional, se quem o aplica é o mesmo que “julga” a Constituição?) e o direito de serem tratadas como inocentes até prova em contrário – se alguém inventar de existir por aí sem máscara, pode ser multado, perder o emprego, sofrer o ostracismo 2.0 por ser um “genocida em potencial”.

Todos ainda estão achando isso “normal”, como um acidente da Natureza, análogo a um terremoto, e não a uma perseguição política – mais parecida com os totalitarismos do século XX, mas piorada e global.

E a perseguição se intensificou mortalmente justamente na época do Natal – e piorou terrivelmente a partir do Dia de Reis, na tumultuada certificação pelo Senado da eleição de Joe Biden, com grande ajuda de números mágicos vindos pelo Correio que revertaram votos todos os principais estados de um minuto para outro e da desculpa da “segurança pública” para censurar opositores “em nome da democracia”.

A data mais importante do Ocidente

Ora, o primeiro Natal foi exatamente isso: perseguição. Um casal que sai de Nazaré e acaba tendo um filho em Belém (a “Terra do Pão”) por serem hebreus numa província do Império Romano. Recusado pelos homens, Jesus nasce em meio aos animais, aos pobres, aos pastores – mas os sábios do Oriente são orientados para adorá-Lo.

A história conta que São José e a Virgem Maria se dirigiram a Belém para atender um recenseamento promovido por César Augusto, de modo que “todo o mundo se alistasse” (Lucas 2:1).

É difícil precisar a data deste evento, já que três dos recenseamentos promovidos por César Augusto não batem com as datas atribuídas ao nascimento de Jesus. Tudo leva a crer que seria um recenseamento nas províncias romanas com fins não apenas de contabilizar quantos homens estavam disponíveis ao poder central do Império Romano, mas também qual era sua profissão, sua fortuna e sua família – com fins de taxação. Um destes bate com o descrito por São Lucas.

Vemos todos os grandes eventos bíblicos de intervenção divina como uma resposta a misérias impostas por impérios arrogantes, como os cativeiros no Egito e na Babilônia, os sacrifícios humanos a Moloch, o canibalismo, a degeneração de Sodoma e Gomorra etc.

O nascimento de Jesus não poderia ser diferente: ocorre durante um recenseamento, uma tentativa de um poder terreno e mortal de tratar humanos como propriedade, tentando igualar-se aos deuses: os homens devem ser contabilizados e marcados para serem controlados, para que o Império de Augusto tome suas posses e imponha sobre todos sua adoração (quão famosa é a passagem “Dai a César o que é de César”?).

Não é exagero dizer que Jesus Cristo nasce em uma das primeiras grandes tentativas de globalismo no mundo – um poder terreno sem fronteiras, visando dominar todos os povos, até os mais periféricos e aparentemente desimportantes, com a sanha de uma administração unificada, da taxação mesmo dos distantes, do controle individual pelo poder central.

Não é um cenário muito diferente do de hoje – troque-se as viagens de recenseamento pelas discussões por uma vacina para se “ganhar o direito” de voltar a ir e vir sem ser considerado culpado de genocídio por uma autoridade centralizadora e a história poderia se passar em 2020 – e piorar em 2021 – sem grandes adaptações.

Todo inocente é culpado até ser fichado

E eis o segundo simbolismo. Desde que uns poucos pastores – mas muito bem acompanhados por todos os anjos do Céu – comemoraram o primeiro Natal, Herodes também quis acabar com essa festa, mandando matar todos os bebês com menos de 2 anos na província de Belém para não perder o trono para o “Rei dos Judeus”, no que é conhecido como o “Massacre dos Inocentes” (Mateus 2:16-18).

São os primeiros mártires cristãos, dessa curiosa religião que promete a seus seguidores não virarem deuses, mas serem imolados, degolados, crucificados, desmembrados – perseguidos, execrados e mortificados – e ainda assim converteu pagãos no mundo todo.

É chocantemente assustador reconhecer a história de Herodes em nosso mundo moderno logo após o Natal, com a Argentina legalizando o “aborto” (o velho eufemismo para assassinato de bebês, para o massacre de inocentes) com danças, festas – aglomerações! – e, claro, aplausos eufóricos, robotizados e histéricos de jornalistas, acadêmicos e uma massa idiotizada por acreditar que um assassinato se torna menos criminoso quando você o chama por um eufemismo, e um genocídio fica defensável quando chamado de “saúde pública” e “direitos da mulher”.  

Comemorar o Natal – se reunir numa manjedoura, porta afora, para celebrar o nascimento de um bebê – significa ser perseguido. É curioso como nossas festanças, tão lembradas em filmes, que marcaram um dos momentos mais emocionantes da Primeira Guerra Mundial (o evento que definiria o mundo atual), são quase uma ironia com o que significa ser cristão durante a história – e, agora, voltamos a sentir na pele que, na mais branda das hipóteses, se reunir com familiares e amigos pode render cadeia. Para não falar do destino dos bebês.

No dia 6 de janeiro, comemora-se o Dia de Reis – sábios do Oriente (provavelmente zoroastristas) que reconheceram o Rei dos Judeus como o salvador da humanidade – o que nem os próprios judeus farão. Eles darão presentes que permitirão a fuga da Sagrada Família para o Egito, fugindo da perseguição de Herodes. Os sábios, que entendiam de astronomia, conseguem reconhecer o que importa no mundo graças ao brilho de uma estrela – difícil é explicar para o acadêmico “científico” no Twitter.

Uma regra típica da história, mas que só é facilmente percebida para o passado, é que os perdedores, as civilizações que fenecem, os impérios que caem, invariavelmente compreendeem menos a realidade do que aqueles ao seu redor. Decadências linguísticas, lógicas, simbólicas sempre são prenúncio de destruição física. Dos gregos aos bizantinos, dos romanos ao Ancien Régime, todos vinham perdendo o contato com a realidade.

Nossa miséria política é, muito antes, desconexão com o divino – e, muitos níveis abaixo, iconoclastia simbólica, linguagem doentia e falta de coragem. A coragem mais difícil no homem – não é enfrentar um leão ou pular de uma ponte para um rio gelado, é a coragem de ignorar os amigos, o mundo e a pressão da turba e falar a verdade sabendo que será perseguido por isso.

É exatamente o que a peste chinesa e as normas da OMS, que só podem ser cumpridas por uma ditadura brutal como… a chinesa, acabam realizando, como nenhuma súcia de ditadores no mundo antes conseguiu (note que nem Herodes, nem Pôncio Pilatos, nem o próprio César Augusto exigem abandono de religiões – mesmo este último recolhendo adoração).

Quem manda no mundo hoje sabe que o objetivo é destruir nossos símbolos civilizacionais. Nós é que ainda usamos termos inúteis para explicar nosso fim, como “pandemia”, “medidas sanitárias” ou o já folclórico “achatar a curva”. Eles, lá na outra ponta, sabem que o objetivo é acabar com o Natal. Com o Dia de Reis. Com o que nos fez elevados – aquilo que nos faz baixos é sempre o mesmo.

E não é preciso fazer parte de uma tradição – ou de uma “milícia digital”, como adora repetir um certo Herodes moderno – para reconhecer o fracasso da substituição do Natal pelo medo, a redenção pela obediência, o Reino dos Céus pelo Estadodemocráticodedireito. Os sábios do Oriente eram, afinal, sábios – mas seriam o equivalente hoje, no fator distância, a três pais de santo reconhecendo Jesus como Salvador. A realidade, não importa o tamanho da burocracia e da linguagem “democrática”, sempre se impõe.

E é por isso que o Natal, esta encarnação da Eternidade na temporalidade, do Verbo na carne, do Criador na criação, pode ser perseguido e caluniado, pode ser tratado como eterna ameaça ao poder terreno vigente daqueles que exigem serem tratados como vacas sagradas, mas sobreviverá sempre.

Porque é impossível massacrar a Eternidade com poderezinhos temporários. Porque será risível tentar julgar o Criador em tribunais “democráticos” com apoio da mídia, crendo que será possível deixar a turba abandonar Deus Pai no Paraíso.

E aqui está o terceiro simbolismo: porque Cristo nasceu e morreu para satisfazer a profecia – não adiantou matá-lo, no momento em que o diabo mais achou que ganhou o mundo – foi justamente por vencer a morte que mostrou que o seu Reino não é deste mundo – e exatamente por isso podemos rir de perseguições brutais de poderes seculares.

Combata o globalismo: comemore o próximo Natal

No próximo dezembro, não importa o tamanho do lockdown, comemore o Natal. Exija de todas as lojas que brilhem, ou avise que vai comprar da concorrência. Entupa a sua casa de pisca-piscas. Sua casa precisa ser visível a olho nu da lua. Se não for chamado de brega pelos maconheiros da família no grupo de Zap, você falhou em sua obrigação.

Enquanto não houver 8 colunas por dia da Folha de S.Paulo reclamando dos retrógrados do bairro comemorando uma data ultrapassada como o Natal, com pinheiro visto pela janela do outro lado da rua, não fique satisfeito. “Boas festas” é coisa de maloqueiro. Imagine que a Nina Lemos é sua vizinha de frente e se inspire. Capriche. Pode parecer piada, mas são os símbolos de nossa coesão social, cultural, existencial – por séculos. Mais do que as lamentáveis mortes, a peste chinesa deixou nossa alma em doença terminal. Prefira se ajoelhar perante o Eterno. Joelhos que hoje estão em nossos pescoços terão de se ajoelhar também.


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Flavio Morgenstern

Flavio Morgenstern é escritor, analista político, palestrante e tradutor. Seu trabalho tem foco nas relações entre linguagem e poder e em construções de narrativas. É autor do livro "Por trás da máscara: do passe livre aos black blocs". Tem passagens pela Jovem Pan, RedeTV!, Gazeta do Povo e Die Weltwoche, na Suiça.

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