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Ou calamos Atila Tamarindo ou ele transforma o Brasil numa zumbilândia

Autor da maior fake news da história do Brasil, Atila exige "autoritarismo" e censura a pessoas "mal informadas"

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Aristóteles define três grupos de indivíduos: o primeiro, os que estão em plena posse da razão e podem aconselhar a si mesmos; o segundo, aqueles que têm razão suficiente para ouvir quem está em plena posse da razão; por fim, aqueles que não possuindo razão, nem sequer bons ouvidos, buscam guiar-se pelo que a Globo, CNN, Estadão e Folha dizem.

Esses últimos, não podendo orientar corretamente sua ação no mundo, elevam a estupidez na sociedade. E a elevam porque superestimam a própria inteligência. Acham que o mero consumo diário de notícias, polvilhada com uma leitura ou outra, é a fórmula fundamental da sabedoria. O mito de que uma pessoa bem informada equivale a uma pessoa culta ainda domina a imaginação de boa parte das nossas cabeças falantes. 

A revolução dos cretinos fundamentais, preconizada por Nelson Rodrigues, já foi feita e seus representantes dominaram todas as esferas de comando intelectual, político e artístico. Agora é a vez da segunda geração: a dos patetas fundamentais. Esta parece ser mais destruidora que a primeira, já que nem o talento específico que a fez ascender na escala de influência possui. 

Para cada Chico Buarque, uma miríade de Marcelos D2 e Ticos Santa Cruz se prolifera, dilacerando pelas entranhas a sociedade que os alimenta. A degradação atinge todos os meios onde a atividade humana se faz necessária. A ciência, é claro, não poderia ficar de fora.

O desorelhamento da atividade científica conduziu os ratos de laboratório ao posto de mensageiros da própria ciência. Um Rodrigo Maia, por exemplo, fala como se tivesse um domínio profundo do assunto. 

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A não ser que ciência seja a sistematização de conhecimentos adquiridos via observação, identificação, pesquisa e explicação de como molhar um biscoito recheado numa panela de brigadeiro, Maia não tem a menor autoridade sobre o assunto.

O mesmo pode-se dizer do mascote da ciência midiática, Atila Tamarindo. O profeta das três milhões de mortes publicou um texto na Folha onde escancara sua sanha autoritária: se vocês não me ouvem por bem, vão me ouvir à força!, sonha o jovem nerd.

Com o título Autoritarismo Necessário, Atila expõe toda a singularidade do seu pensamento científico: se você discorda de mim, tem que ser calado. Assim, se junta a fina flor dos grandes humanistas, tais como, Stalin, Mao, Hitler, Dick Vigarista e Gargamel.

“O ano de 2021 começou frenético. O Brasil voltou a registrar mais de mil mortes diárias por Covid, enquanto o Capitólio dos EUA foi invadido por terroristas. Lá o, a comoção foi tão grande que duas redes sociais, Facebook e Twitter, bloquearam o presidente —talvez o único cala boca que já levou. Isso foi fundamental para que parasse de incitar mais ataques por seus seguidores fanáticos. E pode ser a solução para uma vacinação mais abrangente no Brasil.”

Utilizando o que a sabedoria popular chama de lógica da amarelinha, Atila vai saltando de realidades distintas tentando criar uma coerência artificial, algo como juntar nitrato de amônio com calda de chocolate. 

Mesmo que Trump tenha se atrapalhado no fim do seu mandato (apenas uma hipótese), qual a prova de que o presidente americano – o único nos últimos 30 anos que não iniciou nenhuma guerra – tenha incitado os “terroristas” (outra hipérbole inadmissível em alguém que se diz cientista) a invadir o Capitólio?

Escondendo suas premissas, como qualquer marxista de aquário, Atila faz crer que censura feita por Twitter e Facebook era clamada pela população americana, o que está longe da verdade. Qual o dispositivo da constituição americana que impede um presidente de questionar a apuração de votos, ainda mais diante de inúmeras evidências de fraude?

Atila segue:

“A cloroquina, por exemplo. Outros países começaram testes clínicos assim que resultados positivos do uso de cloroquina para tratar Covid foram sugeridos. Na Suécia, os testes foram abandonados pois avaliaram que o risco de problemas cardíacos não compensava possíveis benefícios. Em outros países, os testes demonstraram que cloroquina não funciona. Questão resolvida.”

Questão resolvida? Se a covid é tão letal, como afirma nosso teletubbie da ciência, por que negar um tratamento que, embora sem comprovação atestada, vem mostrando bons resultados? A cloroquina é um veneno ou um remédio já testado há mais de 70 anos? O problema são os efeitos colaterais?

Alguém questiona a quimioterapia e a radioterapia, tratamentos muito mais invasivos e com graves efeitos colaterais, contra o câncer? É ou não um caso de vida ou morte? A gripe não tem cura, não obstante, é possível tratá-la. O curioso é que só a Suécia disse que a cloroquina trazia riscos cardíacos, os demais a abandonaram somente.

A tara por uma vacina, uma cura definitiva, é coisa de quem transformou o vírus chinês num ganha-pão rentabilíssimo. 

“Mesmo se especialistas demonstrarem que ela não funciona, o que já fizeram, quem assimilou tratamento precoce como algo identitário deixa de acreditar em quem contesta isso antes de abrir mão da crença.”  

Seu apelo constante a autoridade entrega a infantilidade de sua cosmovisão. Ambos os lados – e Atila é um dos mais ferrenhos propagadores de um dos lados – agem como crentes fanáticos. Qualquer dúvida é afastada de antemão.

“Mas como outro filósofo, Jason Stanley, lembra em sua obra ‘Como Funciona o Fascismo’, para que escolhas sejam realmente livres, quem escolhe precisa ser bem informado. Quem é enganado é privado de escolhas. E quem escolhe não se vacinar porque não quer virar jacaré e prefere pegar Covid porque é só uma gripezinha está muito enganado e condena muitos a pagar pelo erro.”

Virar jacaré? Será que o universo dos escolhidos, dos déspotas esclarecidos, um meme deve ser tomado como uma verdade?

A ideia de um governo de sábios não é lá muito nova. Tá lá na República, de Platão. O problema é que para Atila, o cume da sapiência parece ser Miriam Leitão e Pedro Bial. É a completa inversão do que Aristóteles definia como o Spoudaios, o homem consciente de si e capaz de se orientar. 

Em nenhuma das citações de Atila em seu arremedo de artigo, ele menciona a ciência, senão como um dogma inquestionável, quase um mandamento (tudo o que Ciência não é). Ele fala de fascismo, fake news, cala a boca que a bola é minha e coisas do tipo. Desconfio que tudo o que Tamarindo sabe sobre ciência, aprendeu assistindo O Mundo de Beakman. O resto é teoria do discurso – que ele deve ter aprendido em livros que misturam Derrida, Noam Chomsky, Deleuze e Casagrande.

Citando Eric Voegelin, o filósofo Olavo de Carvalho diz que “uma vez perdido o senso cosmológico de orientação da vida (…), a filosofia emergiu como tentativa de encontrar um novo princípio ordenador já não na contemplação do universo físico, mas na interioridade da alma”. Parece que, para Atila, o princípio ordenador da sua vida é sua eterna busca por orelhas.

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Carlos de Freitas

Carlos de Freitas é o pseudônimo de Carlos de Freitas, redator e escritor (embora nunca tenha publicado uma oração coordenada assindética conclusiva). Diretor do núcleo de projetos culturais da Panela Produtora e editor do Senso Incomum. Cutuca as pessoas pelas costas e depois finge que não foi ele. Contraiu malária numa viagem que fez aos Alpes Suiços. Não fuma. Twitter: @CFreitasR

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