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Imbecilidade

Qual o QI de quem acha que “ok” é símbolo “supremacista”?!

Fazer "ok" com os dedos (ou uma pinça) é o símbolo MAIS UNIVERSAL do mundo. Usamos para escrever e tirar catota. Agora acusam Filipe Martins de "nazista" por... ajeitar a lapela

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Está nos destaques dos Trending Topics do Twitter: “Pacheco manda investigar assessor de Bolsonaro por gesto que pesquisadores apontam como supremacista”. Filipe Martins, assessor especial para assuntos internacionais da presidência, cometeu o gesto “supremacista” e “nazista” de… ajeitar a lapela (até jogando o paletó para trás 1 segundo depois). Os “pesquisadores” dizem que o símbolo de “OK” é usado por supremacistas brancos.

Leia de novo, mas agora leia com a sua tia do Zap do lado. Bem devagar, escandindo as sílabas: pesquisadores dizem que o símbolo de OK é usado por supremacistas brancos. 

Falou, bem devagar? Sua tia do Zap provavelmente te perguntou se eles também acham que beber água é um símbolo de ódio, já que supremacistas também usam.

Conheça a ajeitação de vinco do paletó: o novo símbolo de ódio da extrema direita

O símbolo de OK é considerado por lingüistas e semiólogos como o mais universal do mundo. Não um dos, mas “o”. Até a Wikipédia sabe: “É descrita como uma das expressões mais escritas e faladas no planeta.” E pesquisadores afirmam que é “um gesto supremacista” por uma fake news: usuários de 4chan que queriam mostrar como jornalistas caem em qualquer idiotice por serem idiotas (quod erat demonstrandum). 

https://twitter.com/PatBulbovas/status/1375045999102689284
https://twitter.com/guidedbynunes/status/1374852100144922625

Aliás, sabe quem também faz símbolo de OK? Sim, ele mesmo: Felipe Neto. E Nando Moura, estes gêmeos heterozigotos. E Rita Lisauskas. E Vera Magalhães. E bandidos de um site especializado em fake news sobre suposto “estupro culposo” que nunca existiu e em receptação de mensagens roubados. E toda a sorte de pessoas hiper inteligentes, que em nenhum momento pararam pra pensar: “E quem é que não faz a porcaria do símbolo de ‘OK’ com as mãos para pegar uma pinça, para perguntar se está tudo bem, para escrever (incluindo rubrica, até o Tiririca faz), para ajeitar a lapela do terno?!”. Porque até a Tia Zuleide se perguntou. Só jornalista com QI fora da curva não se pergunta.

Felipe Neto, inclusive, usou de um subterfúgio que já explicamos aqui: primeiro, chama pessoas normais e inocentes (e alguém com judeus na família como Filipe Martins!) de “neonazista”. Depois, preconiza violência física contra neonazistas. Oh, que heróico! Mas o alvo não são membros da Waffen-SS: somos eu e você, mon lecteur, — mon semblable, — mon frère! Observe a sequência:

Tweet no qual Felipe Neto deu RT, e depois apagou.

Felipe Neto conclui a thread afirmando que é contra a violência a seres humanos e inclusive animais, mas que não inclui nazistas, supremacistas e afins nesta categoria. Quase numa confissão de culpa, apagou o tweet e deve ter pedido para o Twitter sumir com os rastros. Alguns RTs ainda comprovam.

https://twitter.com/eh_yag/status/1375138979784310788

Será que podemos dizer que somos contra matar a pessoas, mas não incluímos extremistas de esquerda na categoria “pessoas”, e a seguir elencar Felipe Neto como extremista de esquerda? Porque ele faz isso impunemente. Ou existe uma lei para todas, ou Felipe Neto está acima das leis. 

Seu gêmeo espiritual, Nando Moura, também espalhou o mesmo tipo de fake news caluniosa. Campanha de desinformação nítida.

E, claro, quando falamos em pessoas com QI famoso, vem logo à cabeça Guga Chacra. Com uma cultura literária beirando a nulidade (por baixo), Guga Chacra já acusou Filipe Martins de ser neonazista por citar… Cícero. Aquele orador romano que estudamos por semestres inteiros na comunistíssima Faculdade de Letras da USP. Que é citado pelo… planeta Terra. O tempora, o mores!

Guga Chacra é quem alimenta outra pessoa do mesmo calibre de QI, como o mesmo Felipe Neto. É a autofagia das pessoas que não devem saber o que raios é “Quo usque tandem abutere patientia nostra?”, lendo-se entre si e se sentindo geniais por isso. Abaixo, Felipe Neto, este filósofo, este literato, este homem do saber, este imitador de foca, mostra seu conhecimento sobre a frase que serviu de base para O Príncipe, de Maquiavel. Sempre que pensamos em Maquiavel e clássicos da sociologia, pensamos imediatamente em Felipe Neto e Guga Chacra.

Falando em pessoas com uma cultura literária beirando a nulidade (por baixo), que tal a Folha de S.Paulo? Conforme noticiamos, foi o jornal mais estúpido do país que afirmou que Filipe Martins citou… um poema de Dylan Thomas (traduzido no Brasil por Augusto de Campos). Mas que também foi citado numa carta de um terrorista na Nova Zelândia, que ninguém leu, mas certamente foi a referência que Filipe Martins tinha em mente! Como ter um QI maior do que isso?

O poema já foi musicado por Igor Stravinsky, pelo Chumbawamba (e mais umas 6 bandas), citado no discurso de Independence Day, em Mentes Perigosas (por Michelle Pfeiffer, para ensinar a seus alunos a identificar o que aprenderam nas aulas), e repetidamente no filme Interstellar, pelos personagens de Michael Caine, Matthew McConaughey e Anne Hathaway – só gente ruim. Fora Doctor Who e Digimon. O poema é famosíssimo entre pessoas com cultura. Parece ser mesmo complicado falar em cultura para gente que lê Folha de S.Paulo.

Será que essas pessoas tiram catota do nariz sem fazer o nazista símbolo de OK com as mãos?

OK, mas nem teve OK!

O pior dos piores, e nem a direita se tocou ainda, é que Filipe Martins não fez o gesto de ok: no vídeo, você vê nitidamente que a sua outra mão está puxando o terno para baixo, justamente para ajeitar o vinco. 

Aliás, quem faz suposto sinal de OK sem juntar os dedos? Basta dar um zoom na imagem para ver que Filipe está puxando algo fino, e não fazendo OK (o bait do 4chan).

Ao invés de um “símbolo de OK usado por supremacistas” (e, bem, pela pela humanidade), Filipe sobe e desce a mão (ok, podemos acusá-lo de munheca), ajeitando o vinco e puxando a aba para a frente depois (como eu odeio ternos, Deus meu). Cadê o nazistíssimo “OK”? 

Curiosamente, os vídeos divulgados cortam o segundo posterior, quando Filipe ajeita o paletó para frente. Lembra bem uma certa Najila Trindade, que apareceu no Jornal Nacional com destaque especial para o único frame do seu vídeo no qual daria a impressão (a um mongolóide, o que é, precisamente, o público cativo do Jornal Nacional) de que é Neymar quem tava dando uma “voadora” na moça, quando ela é que estava sentando a bolacha em Neymar (seria a única voadora de ponta-cabeça da vida real já registrada; só a Chun-Li faz isso). O mesmo frame foi cortado no Fantástico. Como a mídia quer te informar, né? Crescemos

Parece coisa de gente retardada e criminosa? E é. Calúnia é crime grave. Mas calúnia (punida pelo artigo 138 do Código Penal, com pena de detenção de seis meses a um ano, mais multa) é justamente atribuir um crime a um inocente.

Ou seja, quem calunia (quem é criminoso), além de tentar auferir lucros pessoais (e políticos) com a mentira (não é essa turma que acusa meio mundo de “fake news”?), ainda se diz mais “virtuoso”. 

https://twitter.com/SamPancher/status/1374866879039291392

Não vou admitir que ajeitem o paletó na minha frente!

Randolfe Rodrigues faz símbolo de “OK”, que especialistas afirmam ser de supremacismo branco. Até quando a democracia brasileira vai suportar isto?

Veja como o senador de extrema esquerda Randolfe Rodrigues (REDE-AP) dá um siricotico violentíssimo, pede para acionar a Polícia Legislativa (!), afirma que o Senado não pode aceitar “um capacho do presidente” no recinto (é normal referir-se assim a uma autoridade?). 

https://twitter.com/eixopolitico/status/1374846584761020417

Curiosamente, o mesmo espumante Randolfe Rodrigues, ligado a partidos socialistas, não teve a mesma preocupação quando Alexandre Frota depôs na CPMI das Fake News. 

Alexandre Frota, ex-ator pornô, ameaçou bater no jornalista Augusto Nunes. Soltou fake news na própria CPMI das Fake News (a única fake news encontrada pela dita CPMI, diga-se), usando um perfil falso atribuído a Olavo de Carvalho para criticá-lo. Pregou “ir à guerra” pela “anarquia”. Fez enquete no seu Twitter perguntando se Adélio Bispo (que foi filiado ao mesmo PSOL ao qual o mesmo Randolfe Rodrigues também foi filiado) foi “distraído” ou “incompetente” ao dar uma facada em Bolsonaro sem conseguir matá-lo por 1 mm. Usou como fonte para acusar a direita dossiês de alguém investigado por posse de pornografia infantil (de fato, a direita é inimiga desse tipo de gente!). E isto é apenas um resumo.

E este mesmo Alexandre Frota foi incensado e elogiadíssimo por Randolfe Rodrigues (lembrando: ex-filiado ao mesmo PSOL do também ex-filiado Adélio Bispo). Para Randolfe Rodrigues, pode tudo isso! Mas não pode ajeitar a lapela.

Já pensou se algum deputado de direita chamasse um Marco Aurélio Garcia de “capacho do presidente”, se não estaria preso como Daniel Silveira e sem mandato?

Esta é a noção de justiça de um senador da República. A chance de um país com esta ética dar certo é simplesmente zero. Deveríamos, de fato, punir quem age com autoritarismo policial para se livrar de inimigos políticos.

Uma coisa bem, como dizer?, socialista.

Ainda estamos imaginando como será a “investigação” sobre o gesto (já investigamos tudo e pusemos aqui, até que nem sequer foi um “OK”, foi uma ajeitada com os dedos em formato de pinça). Vão chamar o CSI para verificar se alguém com parentesco judaico é nazista por ajeitar o terno? Certamente terá de ter laudo do IML. Não podemos esperar pelo resultado.

A verdade, caro leitor, é o que você sabe, eu sei, todos os supracitados sabem: “OK” não é gesto de nazista e Filipe Martins nem sequer fez um “OK”. Mas querem colocar na cadeia todo mundo que é normal e tem ética nesse país. Não pagar pedágio (e outras coisas) para a extrema esquerda do PSOL e do REDE está se tornando crime. E logo você, mon lecteur, — mon semblable, — mon frère!, vai pra cadeia por algo como abotoar uma camisa ou tomar um copo de água.


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Assuntos:
Flavio Morgenstern

Flavio Morgenstern é escritor, analista político, palestrante e tradutor. Seu trabalho tem foco nas relações entre linguagem e poder e em construções de narrativas. É autor do livro "Por trás da máscara: do passe livre aos black blocs". Tem passagens pela Jovem Pan, RedeTV!, Gazeta do Povo e Die Weltwoche, na Suiça.

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