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Ignorante Jamil Chade diz que sigla “SPQR”, citada por Ernesto Araújo, é “usada por neofascistas”

Jornalismo nível Geisy Arruda saindo da balada comprova: estúpidos estão chamando tudo o que desconhecem de “fascista” porque não estudam porcaria nenhuma e são censores autoritários

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Depois de ajeitada na lapela, um dos poemas mais famosos da língua inglesa, Cícero e a frase que dá ensejo à reflexão de O Príncipe, de Maquiavel, chegou a vez de mais algo ser chamado de “neonazismo” por jornalistas estúpidos com uma cultura que cabe na cabeça de um alfinete. Trata-se da frase Senatus Populus Que Romanus. SPQR. Já deu um passeio por Roma? SPQR está escrita até NOS BUEIROS. É um dos dísticos mais famosos da língua latina. O livro de Mary Beard, lançado em 2016, se chama SPQR – Uma História da Roma Antiga

Eles sabem muito bem que não somos supremacistas, mas querem uma narrativa para sermos demonizados, já que somos mais inteligentes. Como fez Felipe Neto, pode ser até que nossa integridade física esteja em risco com um bando de autoritários nos chamando de “racistas”, “supremacistas brancos” e até “neofascistas”. É obrigação do brasileiro parar de acreditar nessa estupidez. Já tivemos tiranos mais cultos.

Enquanto jornalistas provam que, na verdade, sabem que não existe porcaria de “superioridade racial” e “neofascismo” nenhum, mas estão se afundando na injúria e difamação contra quem ousa discordar de sua ignorância estúpida e autoritária, achamos a foto abaixo digitando “bueiros Roma” no Google em segundos. Todo mundo ama SPQR, divisa da liberdade do povo romano. É souvenir em camisetas e ímãs de geladeira comprado em qualquer barraquinha de imigrantes muçulmanos em Roma.

Nas conversas entre pessoas com cultura, você diz SPQR e todo mundo entende que está se referindo ao período da República romana. Antes de César cruzar o rio Rubicão, com seu não menos famoso emblema: alea jacta est (traduzido como “a sorte está lançada”, mas mais próximo da aleatoriedade aduzida em “alea”).

E nem precisa ser entre pessoas com exímia cultura, reconhecida a quarteirões de distância, como nós. Pode só ler Asterix. As piadas dos gauleses com os romanos envolvem a sigla SPQR o tempo todo (via de regra com a ironia dos gauleses em relação aos romanos).

Bom, isto entre pessoas com um pingo de cultura. Não lá no blogzinho do Jamil Chade, membro da “Comissão da Verdade”. Este ignaro, apesar de reconhecer o que o planeta Terra sabe antes dele (que “SPQR” é uma sigla que honra até os edifícios de Roma), afirmou que, quando Ernesto Araújo usou esta divisa pró-liberdade, estava citando “sigla romana usada por movimento neofascista” e causando “mal-estar” no Itamaraty. 

Agora, ao dizer o que o mundo inteiro diz, precisamos antes ligar pro Jamil Chade e perguntar: “Nossa, Jamil, tem uma frase aqui na Arte Poética de Horácio, você conhece? Porque senão vai me chamar de supremacista branco, então é melhor jogar Horácio na fogueira pra ler Jamil Chade!!!!!”

Puta. Que. Pariu.

Que outro povo da Antigüidade tinha uma representação política tão forte e bem construída quanto a República Romana? Nem a democracia de Péricles (um “clube de golfe”, compara Erik von Kuehnelt-Leddihn). Mas Jamil Chade, que além de burro é autoritário e censor, segue com descrições de neonazistas, como se citar SPQR tornasse a nós (e ao Asterix) “supremacistas brancos”:

O que chamou a atenção no Itamaraty é que o uso da sigla tem sido também um recurso adotado pela extrema-direita e movimentos neofascistas, inclusive nos EUA e outros países europeus. A apropriação foi alvo de estudos que demonstraram a relação entre a sigla e a ideia da pureza racial e cultural, associada ainda ao poder militar. Em alguns locais da Itália, grupos de supremacistas brancos e skinheads chegam a ser batizados apenas pelas letras SPQR.

Para alguém com uma cultura pífia, se citou latim, se puxa o vinco da lapela com a mão aberta, se alguém cita um poema famosíssimo de Dylan Thomas, (musicada no ano passado por Iggy Pop) se cita a frase que dá origem à reflexão de O Príncipe, de Maquiavel (Oderint dum metuant), ohh, algum neonazista deve ter citado o mesmo, então, é um neonazista também!!

Agora precisamos saber o que algum atirador com problemas psicológicos escreveu quando mata gente lá na puta que lhes pariu porque vai que ele começa a carta de suicídio citando Oscar Wilde ou Che Guevara? Ah, peraí: citar Che Guevara (adorado por metade dos grupos skinheads da Alemanha) rende até meme por aí. E se supremacista cita frase em latim, TEM QUE TER CADEIA PRA QUEM CITA TAMBÉM, parceiro. Como a democracia vai agüentar gente estudando latim?! Dura lex sed lex no lombo.

Alguém quer saber por que Jamil Chade não faz essa forçada retardada de narrativa com vegetarianos, já que Hitler só comia folhas? Aliás, ambientalismo: movimento criado pelos proto-nazistas e ostensivamente propagado pelos nazistas quando chegaram ao poder, que protegiam a natureza da nação contra os estrangeiros preocupados só com dinheiro? Gays na política? Creio que um dos primeiros famosos foi Ernst Röhm, fundador do nazismo e que convenceu Hitler (outro gay) a entrar para a política.

Aí não é “ideologia usada por neonazistas”? Porque nazistas seriam os campeões da luta contra o “aquecimento global” e da política pró-sexo livre hoje. Aliás, já eram em sua época.

Nas aulas de latim na comunistíssima FFLCH, da USP, os professores sempre lembravam de SPQR para nos fazer memorizar como é a regência nominal das declinações: quando há mais de um substantivo, o adjetivo fica no singular ou plural? “Basta lembrar de SPQR, Senatus Populus Que Romanus“. Pronto, com um exemplo que todos conheciam (exceto jornalistas achando “nazismo” em tudo, sobretudo em ter cultura), decorávamos que podemos fazer a regência só com o último elemento: o Senado e o povo romano, e não “romanos”.

Agora, no reino dos estultos com coluninha no UOL, se citar O Anel dos Nibelungos, pronto, nazista (Wagner musicou!). Citar Goethe? Jamais! Um dos membros de sua família, Amon Göeth, era o “Açougueiro de Płaszów” (aparece até na Lista de Schindler, interpretado por Ralph Fiennes!). Cícero? Não viu o Guga Chacra afirmando que também é citado por nazistas? Aliás, os nazis, que adoram se jactar de sua suposta “cultura superior”, adoravam falar de Brahms, de Nietzsche (citado pela esquerda muito mais do que pela direita), de Fichte. Iam pro Louvre e admiram tudo, roubavam tudo.

Quer falar em genética? Adorada pelos nazistas. “Justiça social”? Nazismo. Distribuição de renda? Não leu Keynes elogiando o Terceiro Reich, tolinho? Cientistas definindo o que é “a verdade”, chamando de “fake news” e “negacionista” quem discorda? Nazismo. Vacina? Nazismo. Darwin? Aí nem é forçada de narrativa: ele próprio já defendia a superioridade racial.

Platão, Virgílio, Ovídio, Sêneca? Tudo nazista, então (fora Mussolini, formado em literatura, que citava tudo de cor). Dulce et decorum est pro patria mori é marca de supremacismo racial. Carl Orff e sua Carmina Burana? Não sabia que flertou com o nazismo? Aliás, Jorge Amado e Bernard Shaw também, mas o que importa pra essa galera? O que importa é tirar Ernesto Araújo e Filipe Martins forçando a barra até o limite das leis da Física, e proibir todo mundo de ter uma vida normal, que vai ser chamado de nazista.

Ah, sabe essa fonte aqui, com a qual estamos escrevendo? Não era usada na Alemanha, que preferia a fonte gótica “Antiqua”. Vieram os nazistas, acharam que parecia hebraico e chaplau!, ficou só o modelo de escrita Antiqua.

É o famoso “sabe quem também bebia água? Ele mesmo, Hitler!” Só que antes fazíamos como meme. Agora, virou coisa séria. O tal “jornalismo profissional” fala isso a sério. Como denúncia a dog whistle para toda a militância nos impedir de ajeitar a lapela, de ter cultura que eles não têm, de citar livros clássicos, lidos por toda a humanidade, mas não por jornalistas progressistas.

Nós, pessoas cultas, continuamos odiando o “estúpido espírito de rebanho do racismo”, como o ultra-conservador Kuehnelt-Leddihn descreveu em seu “Credo of a Reactionary”. Mas continuaremos citando Juvenal e Marco Aurélio em latim, e estamos pouco nos fodendo se a energumice galopante de Jamil Chade fica “ofendidinha”. Como continuaremos bebendo água. Segundo Hitler, eu sou o cúmulo da “mistura racial”. E quem me chamar de nazista vai tomar processo, se não tomar porrada na minha frente. Esperamos que Ernesto Araújo processe Jamil Chade com louvor.

Responda rápido: quem é o autoritário, censor e que sabe que uma mentira repetida mil vezes se torna “uma verdade”? Jamil Chade sabe o que faz. Só se faz de tonto.


Faça parte do Brasil Paralelo e estude de verdade, ao invés de ser feito de trouxa por manipuladores autoritários.

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Flavio Morgenstern

Flavio Morgenstern é escritor, analista político, palestrante e tradutor. Seu trabalho tem foco nas relações entre linguagem e poder e em construções de narrativas. É autor do livro "Por trás da máscara: do passe livre aos black blocs" (ed. Record).

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