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Elite totalitária

Como entender as estratégias contra a liberdade

Mídia, caciques políticos e Suprema Corte realimentam a narrativa contra cidadão comum insatisfeito com desmandos e privilégios de poderosos

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midiia censor

O filósofo Eric Voegelin disse que “se há muitas pessoas que acreditam em alguma parvoíce, ela se tornará uma realidade socialmente dominante, e quem quer que a critique coloca-se na posição do bufão que deve, então, ser punido”.

Assim nascem os genocídios reais. Um determinado grupo é visto como o bufão que deve ser exterminado, pois representa a discórdia num mundo falsamente ordenado. O método não é difícil de se detectar.

Primeiro, os agentes indiretos do poder, a imprensa oficial, classificam pessoas e iniciativas individuais, pequenas associações ou blogs independentes, como um grupo homogêneo propagador de ódio – o tal “gabinete do ódio” -, que é contra a democracia, sem uma única evidência concreta que comprove esse furor: usam apenas mensagens de radicais, com perfis de pouquíssimos seguidores, que em nada representam ou interagem com as pessoas reais. 

A mídia faz a ligação entre esses radicais isolados e o presidente da república – que hoje é a maior ameaça ao sistema de poder montado há décadas.

Na sequência, Congresso e STF começam a repudiar os atos ditos “anti-democráticos” (?), e atribuir à presidência a origem de tais “ataques”. Instala-se uma CPMI e arma-se o teatro que dará ares de investigação oficial séria: basta lembrar as constantes patacoadas dos líderes da comissão, como Alexandre Frota mostrando mensagens de um perfil falso de Olavo de Carvalho.

A mídia – e nesse caso, não se diferencia uma Veja de um Brasil 247 – lança a denúncia vazia e as autoridades dos poderes legislativo e judiciário passam a tratar o caso como se fossem ameaças sérias contra suas instituições. Nada se fala sobre as constantes ameaças à vida do presidente que pululam no Twitter sem que a imprensa se manifeste contra.

Uma empresa anônima, o Sleeping Giants, é criada na penumbra, e passa a assediar empresas que patrocinam ou financiam os grupos independentes que supostamente são os geradores das ameaças.

Estrangula-se os meios de subsistência dos adversários, em geral, gente sem nenhum poder oficial, mas com conhecimento e cultura suficientes para desmascarar toda a farsa. Os bufões.

O público ignorante é jogado no que o mesmo Voegelin chamou de segunda realidade, a realidade imaginada pela mídia oficial.

O Terça Livre, o jornalista Oswaldo Eustáquio, a militante Sara Winter e mais alguns indivíduos, já estão sendo perseguidos em inquéritos sem nenhuma base legal. O STF denuncia, investiga e julga os supostos ataques contra eles mesmos. 

Nunca se viu, na breve história da raça humana, tamanha desfaçatez ante a mais modesta realidade. Poderosos que contam com todo aparato financeiro ao seu lado se dizendo vítimas de pessoas comuns, que não contam, na maioria dos casos, com uma única arma.

Qualquer um com um mínimo de raciocínio lógico percebe o absurdo dessa história. Deputados exigindo o desarmamento da população enquanto contam com seguranças armados até ao último fio da sobrancelha.

O jogo de cena se monta com a imprensa inventando uma militância ordenada hostil às instituições, rotulando de ataque qualquer crítica aos poderes, validando as perseguições dos juízes do Supremo contra indivíduos comuns.

Chesterton escreveu: “Há uma certa utilidade nos tolos.Não é tanto que correm aos lugares em que os anjos temem pisar; antes, deixam ver o que os demônios pretendem fazer.”*

Observemos, pois, os nossos tolos.  


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Assuntos:
Carlos de Freitas

Carlos de Freitas é o pseudônimo de Carlos de Freitas, redator e escritor (embora nunca tenha publicado uma oração coordenada assindética conclusiva). Diretor do núcleo de projetos culturais da Panela Produtora e editor do Senso Incomum. Cutuca as pessoas pelas costas e depois finge que não foi ele. Contraiu malária numa viagem que fez aos Alpes Suiços. Não fuma. Twitter: @CFreitasR

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