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Chinese democracy

Embaixador da China pede a cabeça de Filipe Martins

Yang Wanming, embaixador do país mais parecido com a Alemanha nazista e financiador da Coréia do Norte, pede a cabeça de Filipe Martins com beneplácito da mídia

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O embaixador da China no Brasil, Yang Wanming, pediu a cabeça de Filipe Martins, assessor especial para assuntos internacionais da presidência da República. Segundo Wanming, “os chineses pensam que o relacionamento entre Brasil e China só teria a ganhar com a saída de Filipe do cargo”, no que está mais do que correto: sem Filipe Martins, o Brasil se curvará com extrema facilidade para o Partido Comunista Chinês.

De acordo com reportagem do Metrópoles, o embaixador está agindo nas coxias, articulando com o que se chamou de “emissários” para derrubar Filipe Martins. É curioso como o conceito de “emissários” do Partido Comunista Chinês é tratado com extrema naturalidade pela mídia.

Também é curioso como a reportagem do Metrópoles, assinada por uma Lilian Tahan, é bastante objetiva para falar de que Filipe atua com “a destacada missão de influenciar Bolsonaro nos assuntos internacionais e seguir com poder de ingerência no Itamaraty”, sem aspas para se poder identificar se quem fala em “ingerência” é o embaixador chinês Yang Wanming ou a própria Lilian Tahan.

O próprio Metrópoles elenca os fatores que azedam a visão dos chineses sobre Filipe Martins: o ceticismo sobre o 5G chinês – que, como noticiamos, está sendo rejeitado por Reino Unido e Estados Unidos por espionagem, além de Portugal e a própria Tim retirou a chinesa Huawei de licitação sobre 5G no Brasil e na Itália. A Clean Network, que reúne 1/3 do PIB mundial, dentre os países mais livres e avançados do mundo, juntou 53 países para excluir provedores “não confiáveis”, como Huawei e ZTE, evitando espionagem do Partido Comunista Chinês. Filipe Martins é mesmo péssimo para os interesses chineses no Brasil.

Além do terrível 5G comunista, criticado por 11 em cada 10 especialistas em telecomunicações, “pesa contra Filipe”, segundo consta, sua visão geopolítica (que tem como exemplo não gostar de espionar a população) e a proximidade com ex-assessores de Donald Trump.

O Metrópoles ainda noticia que “o embaixador chinês deixou claro seu desejo de vê-lo longe do centro de poder em Brasília”, ainda que a embaixada chinesa o negue – o que não combina com o totalitarismo chinês e nem com a vasta quantidade de detalhes elencada por Lilian Tahan.

O mais curioso em toda a história é a completa naturalidade com que um país totalitário, promovendo limpeza étnica e o maior genocídio em curso no mundo hoje, está fazendo uma interferência completa em um país que se julga uma democracia como o Brasil, sem que ninguém defenda a nossa liberdade e peite um país que espiona (na melhor das hipóteses), manda com mão de ferro (na normal das hipóteses) e até promove chacinas (como o Massacre da Praça da Paz Celestial) sobre sua própria população.

Mais do que isso: como brasileiros são condicionados pela mídia a odiar qualquer coisa sobre Bolsonaro, até a interferência de um país totalitário é vista como positiva, mesmo que a China persiga gays, obrigue homens a serem “mais viris” (cadê as feministas?) e trate mulheres de maneira melhor do que suas escarradeiras, mas não muito melhor.

Também fica um pouco mais claro o que está acontecendo com a mídia tão supostamente “preocupada” com a forma como Filipe Martins ajeita o vinco do seu terno, tentando associá-lo a “supremacismo branco” de maneiras cada vez mais ridículas.

Essa mesma mídia também atende a interesses chineses. Como também noticiamos, a Globo e a Band fizeram acordo com a China Media Group. Além disso, em 2019, a Globo assinava parceria com o 5G chinês. Hoje, a Globo passa dias fazendo menção a Filipe Martins, tão preocupadinha com uma ajeitada de vinco que mais parece uma munheca. O mesmo é nítido em senadores e deputados de partidos socialistas, tão idolatradores da China e de Mao Tsé-tung.

Tudo mera coincidência, claro.

E o que também é mera coincidência, no país das meras coincidências, é que além de hoje termos votado no Partido Comunista Chinês para mandar em como deve ser o governo (será que Aquele Tribunal vai tratar como ordem democrática obrigatória?), Lula, este verdadeiro presidente do Brasil, já está em Brasília para discutir com embaixador russo a liberação da vacina Sputnik V. Não sabíamos que Lula é quem determinava até as políticas de vacina do governo! Sobretudo, com outra vacina recusada pela União Européia – tal como a chinesa Coronavac, que virou piada no Washington Post e nem a China usa, preferindo a Sinopharm (embora oficiais chineses não tomem nem esta).

Mais uma vez, tudo mera coincidência. A preocupação dessas pessoas é com vacina e supremacismo branco, de verdade! Como vocês são teóricos da conspiração…


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Flavio Morgenstern

Flavio Morgenstern é escritor, analista político, palestrante e tradutor. Seu trabalho tem foco nas relações entre linguagem e poder e em construções de narrativas. É autor do livro "Por trás da máscara: do passe livre aos black blocs". Tem passagens pela Jovem Pan, RedeTV!, Gazeta do Povo e Die Weltwoche, na Suiça.

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