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Colunista da Folha diz que prefere ver Renan Calheiros na CPI do que transar

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A CPI da peste chinesa, uma espécie de Zorra Total da política, tem movimentado as emoções de quem converteu sua existência num mero apanhado de refluxos histéricos contra esse ou aquele político. 

A redenção de políticos cuja reputação não é lá das mais confiáveis é apenas a ponta do iceberg. Proshaskas e badalhocos tem estremecido ante o palavrório ofegante dos seus componentes, ávidos por fazer do picadeiro o palanque de seus fingimentos.

Entre o público que os assiste, a parafernália de gestos atingiu em cheio um público extremamente frágil: o das solteironas que encontraram na pandemia a desculpa perfeita para suas vidas solitárias.

Uma coluna publicada na Folha Ilustrada exemplifica perfeitamente bem o caso. Nela, a escritora e roteirista do Porta dos Fundos, narra suas desventuras amorosas nos tempos do Corona. Explicando porque prefere ver Renan Calheiros na CPI a transar, nossa heroína descreve a triste vida de quem quer desesperadamente alguém pra chamar de seu.

“Importante ressaltar que estamos falando de um espécime com capacidade cognitiva para seguir as recomendações da Organização Mundial da Saúde, que respeita o distanciamento social, evita aglomerações e sai de casa apenas quando necessário.”

Em geral, é no “sai de casa apenas quando necessário” que a turma que se acha virtuosíssima iguala sua capacidade cognitiva a de um prego enferrujado. Praias paradisíacas, petit comitês, idas ao trabalho (afinal, ser colunista da Folha é serviço essencial).

Ao longo do texto, nossa colunista lança-se hipoteticamente numa aventura por aplicativos de paquera, mas, mesmo se interessando por alguém, “o mais importante nessa fase é descobrir se ela está lidando com um negacionista e/ou psicopata.”

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Na vida de faz de conta, não há espaço para ilações de ordem natural. Mas aqui lanço a minha, hipoteticamente também. Quem, em sã consciência, estaria disposto a se aventurar numa noite de prazeres com alguém que “nutre pensamentos impuros” ao ver Renan Calheiros na CPI?

Homens não são muito capazes de pensar com o cérebro nessas horas, mas mesmo seu bingolim faminto há de esmorecer em face de tão absurda preferência. Há mais mistérios entre o crânio e o mangalho do que imagina vossa vã ideologia.

O circo de horrores verbais vai se acentuando:

“É claro que ele vai dizer que se protege, que vai votar no Lula em 2022, que só se permite alguns exercícios ao ar livre de manhã. Não chega a ser um soneto, mas era exatamente o que ela gostaria de ouvir. O problema é que ele não tem provas, apenas convicção.”

Se a colunista ousasse vasculhar aquela instância na qual, como se diz de soslaio, as coisas acontecem de verdade e que a velha sociologia chama de realidade, teria uma síncope ao saber que entre nós homens, mulheres que votam no PT costumam ter bigode, mau odor e frieiras, o que não é propriamente aquilo que desejamos.

Mas a própria colunista confessa que é uma “espécime com o buço por fazer, devorando uma cumbuca de gelatina de uva enquanto assiste à transmissão ao vivo da CPI da Covid na TV Senado”. 

É quase um epinício à mulher encalhada. 

Bertrand Wooster, clássico personagem de P. G Wodehouse, diz que uma mulher não pode ser apenas uma uva. Tem que ter alma também. Nossas colunistas de jornal abandonaram o anseio por nutrir uma alma, por mais simplória que seja. Não por acaso, quase todas elas tornaram-se autênticas uvas-passa solitárias em busca de um salpicão.


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Assuntos:
Carlos de Freitas

Carlos de Freitas é o pseudônimo de Carlos de Freitas, redator e escritor (embora nunca tenha publicado uma oração coordenada assindética conclusiva). Diretor do núcleo de projetos culturais da Panela Produtora e editor do Senso Incomum. Cutuca as pessoas pelas costas e depois finge que não foi ele. Contraiu malária numa viagem que fez aos Alpes Suiços. Não fuma. Twitter: @CFreitasR

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