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Força-tarefa

Fauci se esforçou para ocultar origem da peste

Trocas frenéticas de e-mails, teleconferências paralelas e articulações entre cientistas são parte de trama para desacreditar tese de que vírus se originou em Laboratório de Wuhan

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Fauci se esforçou para ocultar origem da peste

Tão logo as notícias sobre o vírus chinês começaram a pipocar nas manchetes e chamadas de TV, uma das primeiras suspeitas levantadas sobre sua origem era a de que o patógeno poderia ter saído do Instituto de Virologia de Wuhan. Afinal, segundo relatos oficiais da China, o paciente zero era justamente da cidade sede do laboratório, conhecido local de pesquisas envolvendo coronavírus.

Um artigo publicado em 2015 na revista Nature foi a principal fonte de preocupação e gerou um tremendo esforço dentro do Instituto Nacional de Saúde americano (NIH) e do Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas dos EUA (NIAID), este dirigido por Anthony Fauci, para desacreditar a tese de escape laboratorial.

Tudo começou com um outro artigo – este publicado em janeiro de 2020 – na revista Science, assinado por Jon Cohen, em que o autor se debruçou na teoria da origem natural da peste chinesa. Mas Cohen apontou que as preocupações com o laboratório de Wuhan eram antigas, lembrando que em 2015 um cientista “criticou um experimento no qual modificações foram feitas em um vírus semelhante à SARS que circulava em morcegos chineses para ver se tinham potencial para causar doenças em humanos.”

O experimento a que Joe Cohen se refere está detalhado naquele artigo publicado em 2015, que falava sobre pesquisas de ganho de função do vírus – basicamente experimentos que podem tornar vírus mais transmissíveis e perigosos.

É bom que se note que em 2014 o governo Obama determinou que o NIAID e o NIH parassem de enviar dinheiro para o laboratório de Wuhan após cientistas mostrarem preocupação com o perigo que este tipo de experimento poderia apresentar à sociedade.

Os autores do artigo da Nature de 2015 – incluindo o diretor do laboratório de Wuhan – observaram à época que a pesquisa de ganho de função se iniciou antes do corte das verbas americanas. Mas – atenção para este detalhe – também disseram que, após revisão por um grupo de cientistas, o NIH aprovou a continuação dos experimentos.

Em 31/01/2020, Fauci encaminhou o artigo de Cohen para John Mascola, do NIH, e para outros dois cientistas: Kristian Andersen, professor do instituto de pesquisas Scripps Research, e Jeremy Farrar, diretor da Wellcome, organização britânica para financiamento de pesquisas de saúde. Ambos se tornariam peças importantes na tentativa de dissipar a teoria do vazamento.

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Na mesma noite, Andersen responde ao e-mail de Fauci com a seguinte fala: “As características incomuns do vírus constituem uma parte realmente pequena do genoma (<0,1%), então é preciso olhar bem de perto todas as sequências para ver se algumas das características (potencialmente) parecem projetadas.”

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Em privado, portanto, Andersen reconhece que o vírus parece ter partes manipuladas em laboratório, mas ao mesmo tempo disse o oposto ao responder um tuíte do senador Republicano Tom Cotton (Andersen, aliás, misteriosamente excluiu sua conta do Twitter algum tempo depois).

No dia seguinte, em 01/02/2020, Fauci enviou o artigo de 2015 da Nature para o vice-diretor do NIAID, Hugh Auchincloss. “É essencial que falemos este AM [esta manhã]. Mantenha seu celular ligado.” O mesmo artigo da Nature também foi enviado para Lawrence Tabak, do NIH.

Fauci instruiu Auchincloss a “ler este artigo, bem como o e-mail que encaminharei para você agora. Você terá tarefas que devem ser realizadas hoje”, escreveu ele. O e-mail encaminhado em seguida continha o artigo de Joe Cohen.

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Duas horas depois, Farrar, da Wellcome, convoca 13 pessoas para uma teleconferência. Em seguida, Auchincloss envia e-mail para Fauci com o seguinte texto:

“O artigo que você me enviou diz que os experimentos foram realizados antes da pausa no ganho de função [antes do corte de verba], mas desde então foram revisados e aprovados pelo NIH. Não tenho certeza do que isso significa, pois Emily tem certeza de que nenhum trabalho do Coronavirus passou pela estrutura P3. Ela tentará determinar se temos laços distantes com esse trabalho no exterior.”

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Grosso modo, “estrutura P3” é uma espécie de guia do NIH que orienta as decisões de financiamento de pesquisas envolvendo patógenos. Esta é a mensagem onde fica mais clara a preocupação da equipe com informações sobre financiamento americano ao laboratório de Wuhan.

A teleconferência aconteceu com as 13 pessoas, mas durante a reunião Farrar enviou um e-mail para quatro participantes solicitando uma conferência paralela.

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Após a teleconferência, houve também um telefonema entre o diretor da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus e Francis Collins, diretor do NIH. No dia seguinte, o “Relatório do Diretor Geral” divulgado pela OMS anunciava que a organização estava “trabalhando com o Google para garantir que as pessoas que procuram informações sobre o coronavírus vejam as informações da OMS no topo de seus resultados de pesquisa. Plataformas de mídia social, incluindo Twitter, Facebook, Tencent e TikTok também tomaram medidas para limitar a disseminação de informações incorretas.”

No mesmo dia da divulgação do relatório, o site independente ZeroHedge foi banido do Twitter após ter publicado uma reportagem que falava sobre a possibilidade de o vírus ter saído do laboratório de Wuhan.

O resto, como todos sabemos, é história. Quem ousasse dizer que esta era uma teoria válida era um “teórico da conspiração” e deveria ser sumariamente censurado.

Com informações de Epoch Times


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Leonardo Trielli

Leonardo Trielli não é escritor, não é palestrante, não é intelectual. Também não é bombeiro, nem frentista, não é formado em economia e nem ciências políticas. Nunca trabalhou como mecânico e nem bilheteiro de circo. Twitter: @leotrielli

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