fbpx

Digite para buscar

Fábrica de escândalo

As esquisitices das acusações da jornalista da Folha

Ninguém ficará surpreso caso a nova "bomba" da Folha de S.Paulo que ouriçou a tuitosfera, as redações e os DCEs do Brasil comece a tomar a forma de biribinha junina

Compartilhar
As esquisitices das acusações da jornalista da Folha

A reportagem da jornalista Constança Rezende denuncia que “Governo Bolsonaro cobrou propina de U$1 por dose, diz vendedor de vacina.” Segundo a reportagem, o diretor de Logística do Ministério da Saúde, Roberto Ferreira Dias, teria cobrado a propina durante uma reunião em um restaurante em Brasília.

O vendedor de vacinas, segundo a jornalista, chama-se Luiz Paulo Dominguetti Pereira, que seria representante da Davati Medical Supply, empresa que intermediaria a venda de doses da AstraZeneca. Dias foi exonerado tão logo a denúncia repercutiu na grande imprensa.

A primeira esquisitice da reportagem: Luiz Paulo Dominghetti Pereira, ao que parece, pelo menos até o dia 31 de maio de 2021, era Cabo da Polícia Militar do estado de Minas Gerais, segundo o site da Transparência do estado.

Clique para ampliar

É lógico que existe uma possibilidade de ser um homônimo, mas duas falas de Pereira reproduzidas na reportagem levam a crer que se trata da mesma pessoa. A primeira, no seguinte trecho:

Questionado se teria certeza que o encontro foi com o diretor de Logística do ministério, Dominguetti respondeu: “Claro, tenho certeza. Se pegar a telemetria do meu celular, as câmeras do shopping, do restaurante, qualquer coisa, vai ver que eu estava lá com ele e era ele mesmo”.

O termo “telemetria” é bem técnico e bastante usado por policiais. Já a expressão reproduzida alguns parágrafos abaixo, contém um regionalismo específico de MG: “eu já sabia que o trem não era bom.”

Difícil imaginar um cabo da PM ter tempo para representar uma empresa multinacional, mas brasileiro é assim, dá jeito pra tudo.

A segunda esquisitice é a empresa que Pereira diz representar. Davati Medical Supply. O site da Davati (www.davatimedical.com), mostra que a empresa não vende vacinas contra o COVID, mas sim do antirretroviral Remdesevir e de vacina contra Influenza.

A Davati Medical Supply afirmou ao site Poder360 que Luiz Paulo Dominguetti Pereira não a representa no Brasil nem é seu funcionário. O site afirma que “em nota, empresa informa ter feito contato com o Ministério da Saúde, mas nunca ter recebido resposta.”

Em artigo publicado no dia 31/05/2020, o site Migalhas deu um panorama bastante desfavorável sobre a Davati:

“é possível questionar a legitimidade da empresa americana Davati Medical Supply (…). No Canadá, há inclusive notícia de investigação conduzida pela RMCP (Royal Canadian Mounted Police) a respeito da ilegitimidade dessa empresa, tendo sido inclusive emitido aviso de fraude pelo governo federal canadense.”

A AstraZeneca disse oficialmente que não existem intermediários em suas vendas no país.

Aumentando ainda mais a aposta, a Folha resolveu publicar os e-mails escandalosos das negociações espúrias:

“As mensagens da negociação foram trocadas entre Roberto Ferreira Dias, diretor de Logística do ministério, Herman Cardenas, que aparece como CEO da empresa, e Cristiano Alberto Carvalho, que se apresenta como procurador dela”, diz o jornal.

Nas mensagens, existem dois indícios de veracidade na história de Luiz Paulo Dominghetti Pereira – ele é citado na mensagem do CEO da Davati e há também a menção a uma reunião anterior, o que pode indicar que, sim, houve um encontro.

Mas a resposta de Dias diz apenas que o governo brasileiro agradece a atenção da empresa em relação à necessidade do Brasil em obter vacinas e solicita um documento que vincule a Davati como representante da Astrazeneca no Brasil.

E acrescenta que, a partir disso, poderiam seguir adiante já que a proposta comercial da empresa parecia boa em relação a outras.

O jornalista Diego Escosteguy fez um perfil de Roberto Dias, numa matéria de fevereiro deste ano. Dois parágrafos chamam atenção:

“Dias foi indicado pelo ex-deputado Abelardo Lupion, ainda na gestão de Luiz Henrique Mandetta – ambos são do DEM. Ele foi recomendado por Ricardo Barros, do PP, atual líder do governo na Câmara.”

“O apadrinhado agradou tanto que foi indicado a uma vaga na Anvisa. No entanto, suspeitas de irregularidades em contrato fechado por Dias já na pandemia forçaram Bolsonaro a retirar a indicação à agência.”

Desde que o jornal iniciou a saga de tentar derrubar o governo que cortou a jurubeba da publicidade oficial, ainda não chegou perto de acertar. Primeiro, foi a denúncia das mensagens em massa do WhatsApp, ainda antes da eleição, que se provou tão furada que o jornal foi condenado a pagar indenização a um dos acusados pela reportagem.

Toda semana tem algo diferente, como lembrou o publicitário Luiz Galeazzo no seu twitter:

*Reportagem atualizada às 10:40 de 01/07 pois o site da empresa Davati Medical Supply estava fora do ar no momento em que a primeira versão deste texto foi publicada.


Seja membro da Brasil Paralelo por apenas R$ 10 por mês e tenha acesso a horas de conteúdo sobre liberdade de expressão!

Conheça a Livraria Senso Incomum e fique inteligente como nós

Vista-se com estilo e perca amigos com a loja do Senso Incomum na Panela Store

Faça seu currículo com a CVpraVC e obtenha bônus exclusivos!

Assuntos:
Leonardo Trielli

Leonardo Trielli não é escritor, não é palestrante, não é intelectual. Também não é bombeiro, nem frentista, não é formado em economia e nem ciências políticas. Nunca trabalhou como mecânico e nem bilheteiro de circo. Twitter: @leotrielli

  • 1