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Feriado prolongado

Isso não é greve, é toque de recolher

A suposta "greve geral" não tem o funcionamento de uma greve, mesmo das mais antiquadas: é igual a um toque de recolher de traficantes.

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Rede TV: Greve geral - o sofrimento para chegar ao trabalho!

Apesar de a grande mídia noticiar a greve geral com sua típica postura tentando fingir “imparcialidade”, não tomando nenhum lado, mesmo quando um lado está espancando o outro lado, os relatos que chegam pelas redes sociais mostram aquela greve que, anteriormente, só era conhecida por quem tomava porrada nas ruas – e não falamos de sindicalistas tomando porrada da PM, mas do povo tomando porrada de sindicalistas.

A “greve geral” não foi decretada por ninguém que não os filiados da CUT, do MST, da UNE e dos “coletivos” e braços paramilitares do PT e dos partidos de extrema-esquerda. Sob o seu nome fantasia de “greve geral”, esconde-se a verdadeira razão social da greve: não defender direitos do trabalhador, mas sim agredir o trabalhador que não aceite pagar o imposto sindical, a real motivação da greve.

Elias Canetti no seu grande clássico Massa e Poder, a obra definitiva para entender o poder, mesmo o não-político, na era das massas, define a greve como uma massa de proibição, ou seja, quando um grande número de pessoas usa o poder de seus corpos físicos para proibir um corpo menor de uma ação – no caso, trabalhar. É a idéia do “piquete”, trancando a fábrica, impedindo o patrão de lucrar e o trabalhador de receber (a “greve remunerada” é uma das jabuticabas do Brasil).

A idéia funciona pela seguinte estrutura de pensamento: uma votação presumida entre os empregados decide que é melhor paralisar as atividades, preferindo não receber a continuar em uma situação dada como injusta. Quase como para confirmar uma decisão anterior, a porta da fábrica é trancada. A maioria proíbe uma minoria restante de “furar a greve”.

No presente momento do país, não há uma maioria querendo usar força contra uma minoria, mas o contrário. Não é a porta da fábrica que é fechada, após uma decisão dos operários (algo que mal fazia sentido nos primórdios da industrialização, que dirá hoje) – são os serviços essenciais de uma grande cidade, como transporte, para que toda a maioria da população que rejeita a greve acabe não trabalhando, dando a impressão falsa de que mais pessoas aderiram à greve do que de fato aderiram.

Não é uma tática funcional, quando a maioria absoluta da população está contra a greve, e mesmo o volume físico dos grevistas é um fiasco nas câmeras de TV. A suposta “greve geral” se assemelha mais a um toque de recolher de traficantes, prometendo violência física contra pessoas que ousem sair às ruas, do que uma greve, mesmo no sentido mais ultrapassado.

https://twitter.com/apyus/status/857936372442726401

https://twitter.com/patitaBr/status/857935682853109760

https://twitter.com/rcp01/status/857979909360242688

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https://twitter.com/mafiasummers/status/857970895314464768

https://twitter.com/marivprado/status/857984249038852100

https://twitter.com/mafiasummers/status/858006524970618880

https://twitter.com/mafiasummers/status/858005570456092675

https://twitter.com/TonhoDrinks/status/857924382437646337

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Flavio Morgenstern

Flavio Morgenstern é escritor, analista político, palestrante e tradutor. Seu trabalho tem foco nas relações entre linguagem e poder e em construções de narrativas. É autor do livro "Por trás da máscara: do passe livre aos black blocs" (ed. Record).

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