Mente nanica, imaginação anã

Constantino e os solilóquios de uma alma anã

Desvendando a vasta imaginação de um quarteirão e meio do nosso Leprechaun predileto

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No começo de Tlon, Uqbar e Orbis Tertius, Borges amaldiçoa a cópula e os espelhos porque multiplicam o número de homens. Claro que um mundo que reproduza Shakespeares e Costinhas aos montes não pode ser de todo ruim. Mas uma ninhada infinita de Pavinatos e Constantinos deve ser tão pulsante e promissora quanto uma miríade de lemingues se lançando do precipício. 

O mesmo Constantino que recentemente nos presenteou com o que imaginou ser um tratado da terceira idade pós-revolucionária. O texto fez sucesso na faixa de QI que conseguiu atingir: entre sessenta e oitenta e cinco pontos. Mas para quem sabe diferenciar o zero à esquerda do zero à direita, a investigação fajuta foi recebida com uma golfada de bílis que estremece o esôfago e a sensação aterradora de que aqueles preciosos minutos foram indiscutivelmente perdidos. Haja sal de fruta.

Mas o caso esconde um fenômeno deveras relevante. Uma espécie de doença da alma. O distúrbio da perspectiva iluminada, podemos chamar assim. É a alma anã que se imagina gigantesca. Daí o uso dos mais proeminentes clichês da argumentação. Nesse caso, a velha teoria do espantalho. Constantino, que só tem olhos para si mesmo, cria sua ideia de vovó revolucionária que se dedica a erigir cadafalsos de tricô. O sismógrafo da isentolândia mede as oscilações do próprio caráter, quando pode-se achar um.

Consta é daquela estirpe de escritores que, como bem disse Karl Kraus, conseguem dizer em vinte páginas aquilo que às vezes se precisa de até duas linhas. 

O texto é um primor daquilo que se convencionou chamar de coisa mais estúpida do mundo. Vejamos: ele diz, mais ou menos, que é justo alguém se irritar por ter sido abusado a vida toda, sofrer toda sorte de violências, ser roubado, ver triunfar as nulidades, para depois dizer que não é se irritando que se resolve isso, mas indo no bingo ou no futebol (what?). Isso porque, no passado, fizeram parte da geração da contracultura. Consta usa seu olhar turvo para traçar uma visão geral de todo o trânsito de uma geração. Cinquenta anos em cinco graus de miopia. 

Usa também sua memória ao lembrar que – isso quando não estava sendo molestado pelos coleguinhas, levando pescotapas e croques – os velhinhos daquela época jogavam carteado ou iam à missa. Comovente a descrição do nosso Proust liliputiano.

Numa passagem memorável, Fidelino de Figueiredo compara a visão de Platão sobre Sócrates com as outras duas visões que nos chegaram, a de Xenofonte e a de Aristófanes. Fidelino diz:

“Os três retratos que possuímos de Sócrates divergem ou pelo ponto de vista, como as imagens dos espelhos multifaciais, ou pela qualidade da superfície espelhenta, que recebeu e transmitiu a imagem: uma alta consciência cívica nos escritos biográficos de Xenofonte; um ridículo sofista nas Nuvens de Aristófanes; e um pensador original, serenamente dialético e poeticamente expressivo, nos diálogos de Platão. (..) E por quê? Porque as almas grandes tudo engrandecem. Para elas, a real dificuldade está em ver as coisas pequenas. Um Platão, a repensar os pensamentos do seu mestre querido, seguramente os engrandeceu e atribuiu novo brilho formal, aquele inigualado esplendor da sua imaginação áurea.”

Falemos sobre a superfície espelhenta do nosso leprechaun predileto. El diz que os velhinhos estão buscando uma redenção pela política, afinal Deus saiu de cena. Para Constantino, Deus e o conservadorismo também são uma caricatura, também se apequenam. Ou algum conservador faria uso de generalizações tão banais ao esboçar uma tese dessas? Velhinhas desamparadas porque suas filhas têm babás? Babás?(Que mundo esse rapaz vive?) Para constantino a terceira idade no Brasil é formada por casais (ainda casados, viu!) que, sem a presença dos filhos que tem babás, oscilam entre o fanatismo político do Twitter (realidade única para boa parte dos isentolefts), no caso das mulheres, e o futebol na tevê, no caso dos homens. 

O cérebro do rapaz é uma senilidade só. Naftalina pura! 

Claro que estou generalizando, sendo injusto com muitos dos neurônios que ainda devem buscar sinapses naquela cabecinha, tenho certeza. Mas toda análise biológica é uma generalização. O importante é perceber que a presença maciça de intelectuais que passaram a vida no xvídeos ou sendo arremessados nas lixeiras das faculdade, tem contribuído para mais imbecilização e o cerceamento da liberdade de expressão, não menos. 

Talvez uma maconha ou um porre de apagar na sarjeta, do ponto de vista da realidade mesma, tivesse dado ao coraçãozinho do nosso Roger Scruton de cueca slip alguma dimensão da complexidade de si mesmo. Ou talvez descobrisse que é apenas o lemingue que, apavorado, acompanha a turba em direção ao abismo. É o destino das almas pequenas.

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