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Imigração

Boris Johnson divulga novo sistema migratório britânico

Sistema vai se basear em ter conhecimento proficiente da língua inglesa e em pontos de acordo com competência profissional

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Boris Johnson, junto da secretária de Estado Priti Patel, divulgaram na última semana alguns detalhes sobre o novo sistema migratório que irá vigorar no Reino Unido pós-Brexit. O sistema se inspira no modelo australiano e foi uma promessa de campanha de Johnson.

As principais novidades são a exigência de proficiência em inglês para estar apto a pleitear a entrada definitiva no país, além de um sistema de pontos a ser atribuído conforme as competências profissionais do pleiteante. Provavelmente pontuará mais aqueles profissionais que existam em menor número e maior demanda, que normalmente são médicos, enfermeiras e profissionais das áreas de tecnologia. A medida tende a diminuir a imigração de trabalhadores braçais não-qualificados, especialmente oriundos de outros países membros da Unidão Europeia, como Romênia e Bulgária.

O sistema também lembra bastante o modelo canadense, que pode incluir testes de idioma, pontuação para pleiteantes mais qualificados (que ainda assim serão direcionados para as áreas menos populosas e mais frias, ao norte do país), ainda que o Canadá praticamente não seja alvo de críticas por parte da imprensa e da esquerda (caso ainda sejam coisas diferentes), mantendo seu caráter de queridinho da esfera progressista.

Boris Johnson e Priri Patel empunham o novo passaporte britânico.

Desnecessário salientar que o modelo foi alvo de críticas da esquerda global. Trabalhistas, principalmente nos governos Blair e Brown, aumentaram a imigração em números massivos. O que certamente é um fator na conta que visa explicar os recentes fracassos trabalhistas, inclusive e especialmente entre a classe trabalhadora.

A mesma esquerda ignora também que a medida pode e deve ser altamente benéfica para potenciais imigrantes indianos e paquistaneses, cuja questão do idioma não é empecilho, mas vantagem. Antes potenciais indianos qualificados estavam atrás na corrida imigratória de trabalhadores não-qualificados búlgaros, poloneses ou romenos. Talvez a esquerda só queira imigrantes brancos.

Embora não necessariamente, a medida também pode ser do desagrado das trupes liberais, que conseguem enxergar a questão da imigração apenas como matéria atual ou potencial de força trabalhadora. Quem vai fazer os trabalhos braçais desempenhados por imigrantes? Podem perguntar. Ignoram que a votação mais importante da história do Reino Unido – o Brexit – não foi condicionada exclusivamente por questões econômicas, mas justamente por soberania e controle de fronteiras, ou seja, alguma turbulência econômica (ainda que teórica) pode ser um preço que os britânicos estão dispostos a pagar.

Fato é que Boris Johnson começa a cumprir as promessas de campanha e a favorabilidade a seu governo só cresce:

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Andre Assi Barreto

Professor de Filosofia e História das redes pública e privada de São Paulo. Aluno do professor Olavo de Carvalho. Mestre em Filosofia pela Universidade de São Paulo. Também trabalha com revisão, tradução e palestras. Autor de "Saul Alinsky e a Anatomia do Mal" (ed. Armada, 2019)

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