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Checamos: É FAKE que mãe perde guarda da filha por “candomblé”

Fake news foi espalhada como campanha de desinformação por UOL, Veja SP, Época, Istoé, Diário do C. do Mundo e outros. Mentira desmentinda pela própria notícia

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Fake news clichê. Segundo UOL, Veja SP, Época, Istoé Diário do C. do Mundo, Carta Capital e outros, uma mãe teria perdido a guarda da filha por “iniciá-la no candomblé”. A denúncia teria sido feita pela avó católica (alguns veículos a trataram como “evangélica”), mostrando “preconceito religioso” e, claro, racismo. Não invocar as entidades do candomblé, como se sabe, é tratar negros como uma raça inferior.

A notícia ficou em destaque até nos Trending Topics do Twitter. Ao invés de noticiar o fato, veículos famosos por espalhar fake news, numa campanha de desinformação com nítido objetivo de causar celeuma na sociedade e estigmatizar grupos, se preocupou mais com a narrativa (cheia de termos pesados) do que com o fato.

Os destaques de todos estes veículos em suas manchetes foi para estas palavras, escolhidas a dedo para noticiar um processo jurídico que nada teve a ver com “minha neta está no candomblé, chame a polícia para que ela fique católica à força” (o que faria policiais rirem).

Lemos na própria reportagem escrita na Época, apesar da linguagem porca:

A decisão, de autoria do juiz Emerson Sumariva Júnior, da 3ª Vara Criminal de Araçatuba, foi lastreada em uma denúncia anônima de abuso, sem provas, e na imagem do cabelo de Luana, agora raspado em decorrência do ritual de iniciação à religião — e que seria um sinal de maus-tratos. Luana estava reclusa no terreiro Centro Cultural Ilê Axé Egbá Araketu Odê Igbô havia sete dias, com o aval de seus pais, a manicure Kate Ana Belintani, de 41 anos, e o comerciante Washington Silva, de 48 anos, passando pelo que seria uma espécie de “batismo” no candomblé. O processo, que é chamado de renascimento, é complexo e costuma durar de dez a 21 dias, dependendo da tradição da casa.

Os pais de Luana são simpatizantes do candomblé, frequentam o terreiro, mas não são iniciados na religião. A avó paterna é sacerdotisa, popularmente chamada de mãe de santo. Desde pequena, Luana frequentou o local na companhia da mãe — os pais são separados. Em geral, não se “pede” para entrar para o candomblé. Há o que os seguidores chamam de “convocação”. No caso de Luana, segundo o babalorixá Rogério da Silva Martins Guerra, sacerdote responsável pelo terreiro, essa convocação teria surgido diante de inúmeras queixas da menina de que teria visões e fortes dores de cabeça, nunca explicadas pelos médicos mesmo após a realização de diversos exames. (grifos nossos)

Agora imagine a mesma reportagem escrita de maneira decente e honesta, com uma manchete como “Menina é abandonada em terreiro por sete dias com fortes dores de cabeça para babalorixá ‘curá-la’ com convocação ao candomblé”.

Opa! Agora, além de honesta – afinal, estamos narrando o verdadeiro fato que motivou a perda de guarda da filha pela mãe – a chamada deixou de encontrar “preconceito religioso”, já que parece que a turma de apartamento do Twitter não vai mais ficar chocada – até o pessoal da “ciência” e dos “cadê os estudos comprovando a cloroquina? quero especialistas!” vai ficar meio estarrecida em largar uma menina com “visões” (alucinações?) para ser “curada” por um babalorixá, à força, já que ninguém “pede” para entrar no candomblé (palavras da Época).

Por sete dias. Curando raspando o cabelo e dançando por quatro horas. Imagine-se o que um psiquiatra sério teria a dizer sobre o assunto.

Portanto, é FAKE que a mãe perdeu a guarda da menina de sete anos “por causa de candomblé”, e sim pela bizarrice da situação. Se a avó teve como marca a acionar a polícia, entre outras, o cabelo raspado da menina, é só uma marca chamativa pelo incomum da situação.

Mas se postar uma pessoa sendo curada com cloroquina gera até ataque dos censores ditadores do Sleeping Giants e posts removidos de redes sociais, afirmar em manchete, escondendo do desavisado que uma menina foi abandonada em um terreiro por uma semana (em um ritual de até 21 dias), por ter sido “convocada” por um babalorixá que iria “curar” sua dor de cabeça e “visões” com candomblé é mais do que fake news. É algo a acionar a pasta de Direitos Humanos.

Como escreveu o cineasta Josias Teófilo, “Seria bom o jornalismo distinguir religião de seita – são coisas completamente diferentes. Candomblé é uma seita, que inclusive pratica sacrifícios de animais – o que deveria ser proibido.”

A aposta da grande mídia, que espalha fake news diariamente, é na preguiça de seus consumidores, que sempre sairão à grita nas redes sociais sem consultar nem mesmo o texto da própria reportagem. Formação de militância histérica, fanática e sem ciência do caso. Exatamente o que vimos aqui. Fake news desmascarada.


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Flavio Morgenstern

Flavio Morgenstern é escritor, analista político, palestrante e tradutor. Seu trabalho tem foco nas relações entre linguagem e poder e em construções de narrativas. É autor do livro "Por trás da máscara: do passe livre aos black blocs" (ed. Record).

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