mauro iasi

Mauro Iasi foi candidato a presidente do Brasil em 2014 pelo PCB, o antigo “Partidão”, o Partido Comunista Brasileiro. Segundo a Wikipedia, além de PhD em História, é “poeta” e autor da coletânea Meta amor fases (sic). É ex-militante do PT.

Iasi deu mostras de seu “meta amor fases” na Mesa de Conjuntura do 2º Congresso CSP CONLUTAS com Luciana Genro (candidata à presidente do Brasil pelo PSOL) e Zé Maria (candidato à presidente do Brasil pelo PSTU). Todos os partidos são filiados ao Foro de São Paulo. O PCB controla sozinho mais de meio milhão por ano advindos do fundo partidário.

Nosso possível presidente usou a teoria da “intransigência” de Antonio Gramsci (citado) para explicar como a esquerda “enfrentará os conservadores”: “radicalizando a luta de classes”. E explica como será “o nosso diálogo com o setor conservador”.

O historiador Mauro Iasi afirma que o setor conservador usa suas “garras” sobre a “consciência de classe” da classe trabalhadora – uma citação quase literal do conceito de Klassenbewusstsein de Karl Marx, como explicamos brevemente aqui. A crença marxista de que cada classe social possui uma consciência própria exclui a idéia de um “diálogo” entre classes, como explica acertadamente Iasi.

blog classistaEm Marx, há classes sociais estanques (“classe” é um conceito mais fechado do que gênero, espécie ou família, na taxonomia), e não há algo como uma realidade objetiva, como 1+1 ser igual a 2. Tudo o que chamamos de “pensamento” é apenas a defesa dos interesses da própria classe, e estas classes se odeiam. Se alguém afirma, por exemplo, que uma estatal foi usada para desviar dinheiro público, não existe um fato como o desvio de dinheiro público: apenas uma “consciência de classe” de um burguês conservador que quer manter seus “privilégios” atacando uma estatal. A “classe trabalhadora” não toma o poder, portanto, porque a sua “consciência de classe” foi “alienada” pela burguesia.

Os únicos seres humanos em toda a história mundial a fazerem parte de uma classe e terem a “consciência de classe” de outra foram, naturalmente, Karl Marx e Friedrich Engels. E toda a esquerda mundial anti-burguês e anti-“coxinhas” que, na verdade, é rica.

É novamente o que o economista Ludwig von Mises chamou de polilogismo, a fé de que não existe uma realidade externa a ser debatida, mas apenas interesses escusos das pessoas em defenderem a sua “classe”. Exceto, é claro, Marx, Engels e esquerdistas ricos.

Iasi citou um poema do stalinista Bertold Brecht que fala de uma situação “aonde” (sic) “alguém da direita, ao ser flagrado no seu jogo miserável de fazer o jogo da direita”, declarava-se na verdade como uma pessoa boa.

E Brecht questiona quais seriam as convicções e a sabedoria do direitista, perguntando “a quem serve a sabedoria e contra quem ela é usada”. E inquire se os “amigos” do direitista estão entre “as pessoas que são boas” ou entre “os adversários”.

holodomorConclusão brechtiana: na verdade, sendo “bom”, sábio ou o que for, qualquer pessoa que não seja comunista é “nosso inimigo”. E considerando que esse direitista seria uma pessoa “boa”, ironizou nosso possível futuro-presidente Mauro Iasi: “nós estamos dispostos a oferecer para você o seguinte: um bom paredão, onde vamos colocá-lo na frente de uma boa espingarda, com uma boa bala, e vamos oferecer, depois de uma boa pá, uma boa cova” (Iasi já recebia efusivos aplausos da platéia antes de terminar a descrição). Conclusão marxista-iasista: “com a direita e o conservadorismo, nenhum diálogo: luta” (aplausos ainda mais entusiastas).

Tal “meta amor fases” da esquerda e do progressismo nos permite antever, entre diversos fenômenos, dois que merecem atenção.

Para os caudatários do credo em “classes sociais”, como pessoas que afirmam existir uma “classe trabalhadora”, uma “elite”, pensamentos que derivam da “classe média” (o novo nome da “burguesia”) ou a acusação de alguém ser “coxinha”, existem os “bons” (que seriam a “classe trabalhadora”) e aqueles que não merecem o estatuto de pertencimento à “sociedade mais justa”.

A ironia de Brecht, citada por Mauro Iasi, com a palavra “bom” (gut) é esta: não existe algo como ser “bom”, apenas ser socialista. A única coisa “boa” a ser oferecida a quem não comunga do credo é uma “boa” forma de eliminação física: o paredão, a espingarda, a bala, a pá, a cova. Mauro Iasi não está sendo original ou fora do padrão: está até citando os autores que preconizam este método.

A utopia, a “sociedade mais justa”, o progressismo, a esquerda que não aceita o capitalismo, a reforma social, a centralização, a “consciência de classe” significam exatamente isso: o genocídio de quem não aceita o “outro mundo possível” numa cova comum. Foi assim no Terror da Revolução Francesa, foi assim no genocídio armênio pelos sindicalistas “Jovens Turcos” (Jön Türkler), foi assim na Revolução Russa, foi assim no Nacional-Socialismo alemão, foi assim na Revolução Islâmica agasalhada por Michel Foucault, é assim hoje com o Boko Haram, o Estado Islâmico e tantas outras formas de política revolucionária.

As vítimas são sempre as mesmas: adversários típicos da Revolução, os “conservadores”, os reacionários. Foram e são as vítimas comuns em todos estes eventos. Ainda mais agravados quando são aferrados a uma tradição cultural adversária, como uma linha política ou religião. As vítimas primordiais costumam ser cristãos (como os armênios) e judeus (como no nazismo e no islamismo).

No caso do nazismo, como seus crimes foram conhecidos rapidamente no Ocidente, a Escola Britânica do Marxismo chamou o regime de “extrema-direita”, por ter se oposto (na verdade, apenas na última hora) ao totalitarismo soviético. Os próprios nazistas nunca se denominaram “direitistas”, e sim socialistas, mas o apelido vinga até hoje. Tal denominação, além de invertida, gera bizarrices, como considerar nazistas direitistas e os judeus e Israel igualmente direitistas (e elite, e conservadores, e “coxinhas”, e capitalistas, e burgueses, e banqueiros, e especuladores).

socialist studentsO socialismo e a esquerda sempre foram o mesmo lado, ainda que com diferenças internas, como entre os nazistas e os bolcheviques. Mas todos são a esquerda e sua utopia contra a direita e sua tradição, seu sistema de economia livre contrária a planejamentos, sua moral religiosa, sua aversão a genocídios e eliminação de “não-pertencentes” à sociedade mais justa – socialista ou também islâmica, como o islamismo e o anti-semitismo são tutelados pela esquerda multicultural e igualmente escudados pelo nazismo.

As vítimas também sempre são o mesmo lado: liberais, conservadores e religiosos, como cristãos e judeus. Eles são o “atraso”, o “obscurantismo”, e, para um mundo possível, precisam ser assassinados às centenas de milhões para um mundo progressista, igualitário, da “classe trabalhadora”, do socialismo e do islamismo.

Outra coisa que chama a atenção está na própria ironia com a palavra “bom” ou “boa” (gut) feita no original pelo próprio Brecht. Acreditando no polilogismo da “consciência de classe” (Klassenbewusstsein) marxista, presente sempre que se “xinga” alguém de rico ou coxinha, valores como “bom” ou “mau” significam tão somente “favorável ao socialismo” ou não.

Roubos (chamados eufemisticamente de “expropriação” ou “distribuição de renda”), mortes, genocídios, corrupção, totalitarismo – tudo se torna apenas “sociedade socialista” ou os supostos desejos da “classe trabalhadora”. Os “desejos por uma sociedade mais justa”.

Um genocídio, então, é defendido abertamente, e aquilatado como “bom”. A liberdade, a vida, o trabalho, a paz, o investimento, o enriquecimento dos pobres, o empreendedorismo, a satisfação dos desejos do consumidor, o aumento de bens, a busca individual da felicidade – tudo isto se torna “mau”, e a ameaça da aplicação do genocídio para assassinar todas as pessoas que defendam tais valores conservadores é aplaudida inflamadamente.

verdadeiro cheO assassinato, é claro, é na vala comum, aos milhões de cadáveres. Mauro Iasi e Bertold Brecht pregam o “paredão”, como Che Guevara e Fidel Castro: gostam de matar quando a vítima está devidamente amarrada e desarmada, como bem nota Humberto Fontova em sua biografia O Verdadeiro Che Guevara – E os idiotas úteis que o idolatram (Che ficou atônito quando um menino que iria ser assassinado lhe gritou, desamarrado: “meta a bala bem aqui no peito”).

É o mesmo molde dos “guerreiros” do Estado Islâmico e do terrorismo muçulmano: usam armas contra vítimas desarmadas e indefesas, gritando corajosamente contra o “colonialismo” e o “imperialismo”. Não à toa, do Gulag soviético aos campos de concentração nazistas e à jizyah e à shari’ah islâmica, todos os propagadores do “mundo mais justo” contrário ao capitalismo e ao conservadorismo foram unânimes em usar suas vítimas como escravas (no caso islâmico, também como escravas sexuais) antes de eliminá-las.

A linguagem, desta forma, se torna um cabresto que ao invés de descrever a realidade, cega o falante à ela. Bom é o assassinato, mau é o repúdio conservador ao genocídio e ao totalitarismo. O metafórico é tratado como real, e o real como embuste de uma “classe conservadora”. O nazismo se torna “de direita”, e o judeu e Israel são tratados como direitistas na mesma toada, sem que o falante note alguma contradição. E qualquer prova contrária é tratada como ignorância inculta, obscurantismo e “pensamento de classe” ou “defesa de privilégios”.

Coroando o pensamento, o conservador e a direita é que são violentos, e defender sua morte é o desejo por uma sociedade mais justa.

Em tempo, conforme postado no Facebook de Carlos Bolsonaro, o deputado Jair Bolsonaro, considerado “autoritário”, “ditador”, “preconceituoso” e “violento” pela esquerda progressista “meta amor fases” (sic) “acionará o Ministério Público para que tome providências quanto a pregação de fuzilamento de quem não concorda com o comunismo no Brasil, proferida pelo professor da UFRJ e líder do Partido Comunista Brasileiro, Mauro Iasi.”

A sorte do Brasil é um deputado como Jair Bolsonaro pregar a paz e o acionamento da Justiça contra o fuzilamento coletivo, sendo chamado de “defensor da ditadura” por isto. Mauro Iasi, pregando o genocídio abertamente, não mereceu uma única vírgula de destaque em um grande jornal, não foi acusado de preconceito por dias consecutivos pelo Jornal Nacional, não ganhou uma nota de repúdio dos chamados “defensores da democracia” que sempre defendem a esquerda.

Ainda bem que há quem nos salve de “uma sociedade mais justa”.

estado islâmico

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  • Zé Pitaco

    Esse Iasi é Coxinha Burguês metido a comuna! Se vê pela cara dele que é filinho de papai!

  • Parabéns pelo artigo, pelo comentário e por tudo

    DEUS TE ABENÇOE

  • manoel

    Cara, sua tentativa de aproximar nazismo e esquerda é desastrosa. Na Alemanha nazista a esquerda foi sistematicamente perseguida, especialmente os comunistas. Dizer, por outro lado, que nazismo e direita não tem nada a ver é fazer vistas grossas rs. A nomeclatura “extrema direita” é razoável, já que o nazismo compartilha com a direita o nacionalismo e a antipatia pela esquerda. Seu livro sobre os protestos autonomistas, sobre os black blocs, deve ser engraçado rs. Você gosta das coisas que o Pablo Ortellado escreve? rs huehuehu

    • Flavio Morgenstern

      Olá, manoel, como vai? Sabe quem mais perseguiu a esquerda? A esquerda, pois, tendo um projeto “social” (ou seja, para toda a sociedade), sempre precisa de poder sobre toda a sociedade (incluindo seus ex-pares) para lograr êxito (geralmente auferido em milhões de mortes). Quem mais matou jacobinos? Jacobinos. Quem mais matou comunistas? Comunistas. E assim vai. Dizer que a esquerda internacionalista era perseguida na Alemanha nazista não adianta nada: nazistas também eram perseguidos dentro do nazismo, já que regimes totalitários (toda a esquerda) dependem de encontrar “inimigos”, “espiões”, “traidores”, “contra-revolucionários” etc. A direita não é necessariamente nacionalista como o nazismo (é tradicionalista, algo diferente) e, convenhamos, “antipatia pela esquerda”? Então só existem stalinistas e “extrema-direita” no mundo. O que foi chamado a posteriori e por esquerdistas de “extrema-direita” (boa parte deles na União Soviética, inventando que era preciso se armar para uma possível invasão fascista já na década de 50, fazendo com que muitos tivessem sua mente lavada até hoje) é praticamente idêntico ao socialismo, e radicalmente oposto à direita. Talvez, se está tão interessado em brincar inconseqüentemente com nomenclaturas (como a esquerda sempre fez, até com o Apparatchik) deveria imaginar que Pablo Ortellado tem uma visão diametralmente oposta à minha, e é devidamente descascado em meu livro. 🙂

  • Engracadissimo o seu texto. Confunde socialismo (propriedade coletiva) com capitalismo e nazismo (propriedade privada), fascistas coxinhas tao bestiais que tentam arrancar camisetas do Liverpool de transeuntes apenas por estas serem vermelhas com pacifistas como os comunistas (mas que tem todo o direito de usar a violencia de forma defensiva), e chama a chamada classe media de burguesia, publica foto de idiotas que acreditem no tal Holomodor que nunca existiu (como provam os censos sovieticos). Voce deveria tentar a carreira de humorista. Creio que faria sucesso pois a geracao atual e muito fraca e voce parece ser mais aloprado que os gentilis e rafinhas da vida.

    • Flavio Morgenstern

      Boa tarde, Marcos. É preciso uma crença muito cega em alguma coisa cega, desconectada da realidade, para sustentar que o nacional-socialismo (ou qualquer outro fascismo) possui o conceito de “propriedade privada” capitalista. Pelo contrário, basta ouvir aos próprios fascistas, como este:

      Ou seja, parece haver uma confusão da sua parte em chamar ao mesmo tempo alguém de “coxinha” (como os nazistas faziam com os judeus, a “elite”, os “exploradores” e os “opressores” da época) e de fascista AO MESMO TEMPO, sendo que um é inimigo do outro. Resta saber de que lado você está, se do lado da liberdade ou do “tudo dentro do Estado”, que é o OPOSTO ao liberalismo. 🙂

      Também curiosa sua “fonte” para afirmar que o Holodomor “nunca existiu”. Também os neonazistas juram que o Holocausto nunca existiu. Assim parece que se delineia qual lado você defende, respondendo a pergunta anterior.

      Ficamos com o conhecimento de verdade, não com a mentira totalitária:
      http://www.mises.org.br/Article.aspx?id=1046

  • Luis V

    Outra coisa que me veio à mente, em relação à semelhança entre fascismo, nazismo e comunismo se observa na relação desses movimentos com o capitalismo. Fascismo e nazismo defendiam uma “terceira via” política (segundo Jonah Goldberg, em “Fascismo de Esquerda”), ou seja, um capitalismo altamente regulado e taxado, com profunda intervenção estatal.

    Em “Heinrich Himmler, uma biografia”, Peter Longerich descreve como funcionava essa relação, a partir daquilo que se chamava de “Círculo de Amigos do Reichsfuhrer-SS” (ver págs. 266-269): um grupo de líderes industriais e banqueiros (I.G. Farber, Deutsche Bank, Siemens, etc) ganhavam benesses estatais (instalando-se em campos de concentração, usando da mão-de-obra escrava dos prisioneiros) ou então tinham taxação reduzida, em troca de doações gigantescas à SS.

    Se isso não é Capitalismo de Estado, de Compadrio, eu não sei o que é.

  • Luis V

    Olá Flávio!
    Achei excelente o seu artigo, como sempre. Acompanho seu trabalho desde o Implicante, e a cada artigo, melhora. Vendo os comentários, que reproduzem automaticamente a ideia de que o nazismo é de extrema-direita, eu sempre achei esse argumento meio frágil. O livro “Fascismo de Esquerda”, do Jonah Goldberg, levanta questões que ajudam a entender que o fascismo, nazismo e comunismo são quase que gêmeos heterozigotos. A recém-lançada biografia do líder da SS, Heinrich Himmler, de Peter Longerich, embora classifique o nazismo como sendo extrema-direita, a classifica como sendo “antissemitismo, nacionalismo-extremo, racismo, hostilidade à democracia” (pág. 89), na página 202, sobre o aumento da violência nos campos de concentração, Longerich escreve:

    “As críticas às violações da Gestapo e às brutalidades cometidas nos campos de concentração, externadas principalmente pelos conservadores não surtiram nenhum efeito (…)”.

    No livro “A Chegada do Terceiro Reich”, de Richard J. Evans, o primeiro de uma trilogia, o autor descreve que os nazistas se utilizaram de um discurso nacionalista para conquistar a mente dos jovens alemães indignados com a crise política e cultural, onde

    “(…) nem os professores liberais ou social-democratas nem os conservadores e monarquistas parecem ter exercido muita influência sobre a visão política de seus alunos, e muitas de suas ideias políticas eram descartadas por seus pupilos como carentes de qualquer relevância em relação ao que percebiam como realidade da vida cotidiana (…)”.

    Evans dá a entender que a percepção do povo alemão, na época, do que era extrema-direita seria uma visão sobretudo de nacionalismo e patriotismo baseado em valores culturais e de raça, uma visão que estava em conflito direto com visões conservadoras, liberais e social-democratas.

    Os nazistas caçaram e assassinaram comunistas? Sim. Num determinado momento, os comunistas foram, para Himmler, inimigos maiores do que os judeus. Mas, ao mesmo tempo, os maçons também eram inimigos do Estado nazista. O fato é que Himmler, na sua busca por poder, sempre alterou os inimigos maiores do Partido, dependendo do clamor de cada época. Sendo chefe da polícia e da inteligência, manter um determinado grupo como inimigo por muito tempo poderia dar mostras de incompetência por parte do serviço policial ao passo que, se a eliminação do inimigo fosse completa, a polícia deveria deixar de existir, por ter concluído seu objetivo. A escolha de comunistas, judeus, católicos, homossexuais, etc pelos nazistas, na forma da SS, sempre foi muito mais produto de oportunismo e jogo de poder do que grandes motivações ideológicas.

    O assunto não é fácil, mas acho que simplesmente jogar o nazismo na extrema-direita é algo que, me parece, precisa ser feito com certo cuidado. Ou, então, que o termo “extrema-direita” seja clarificado, pois, pela sua definição, vejo mais nacionalismo extremado do que direita. Certamente não é uma direita liberal-conservadora.

    Desculpe o post longo!

    abs

    • Flavio Morgenstern

      Esse assunto merece uma análise bem detalhada, não só para o Brasil, mas para o mundo. A ligação das sociedades gnósticas com o nazismo, por exemplo, é simplesmente ignorada pelos professores de História, que não se dão ao trabalho de explicar por que os nazistas odeiam judeus (e eles próprios costumam odiar, e apoiar os palestinos que querem acabar com todos os judeus). Enquanto não escrevo a respeito, fico só com uma frase de Adolf Hitler: “Since we are socialists, we must necessarily also be antisemites.”
      Link: http://carolynyeager.net/why-we-are-antisemites-text-adolf-hitlers-1920-speech-hofbr%C3%A4uhaus
      O que tem de documentação a respeito disso em alemão em lugares como o Anne Frank Center faria a esquerda se suicidar.

  • allure

    Eu já frequentei movimentos de esquerda desse tipo e presenciei certa vez (mais de uma década atrás) o que se seguiu dessa discussão de “falsa consciência” do proletariado.
    A dúvida que eles tinham era o que fazer com proletários com falsa consciência após a revolução. O que deveria ser feito com a burguesia e a direita já era ponto passivo, claro, a revolução trata-se de acabar com eles pra tomar o poder.
    Enfim, a discussão era se é justificado mata-los, afinal de contas pensam como burgueses e se portam como inimigos. Alguns achavam isso um radicalismo tolo (a nuance de traçar só aqui uma linha moral é absolutamente hilária de um jeito mórbido “matar metade da humanidade, ok, mas um dos nosso aí já é vandalismo”), que era um problema que poderia ser resolvido pela cultura. Outros achavam que isso, embora triste, faz parte do processo inextinguível da chama revolucionária. Outros achavam que era algo auto-evidente e usavam exemplo da revolução cultural chinesa (que nem foi nada disso, mas não vem ao caso).

    Eu lembrei desse episódio muitos anos depois quando fui estudar a ideologia do ISIS. Uma das “inovações” de ideologia e de ação que eles introduziram (e isso foi um dos motivos que resultaram na expulsão do ISIS da rede Al-Qaeda e a guerra entre eles que segue até hoje) foi levar ao extremo a ideia de takfir, de tal forma que pra eles no jihad é moralmente legítimo atacar o “near-enemy”, o inimigo vizinho, a saber todos os xiitas, sunitas moderados e mesmo sunitas que seguem à risca o salafismo mas caem em apostasia ou colaboram como o inimigo. Daí se seguem aqueles vídeos de execuções e massacres alardeados por eles. A Al-Qaeda do Bin Laden se orgulhava, ao contrário, de atacar o “far-enemy”, o inimigo ao longe, como foi o 11 de setembro um ataque no coração do inimigo.

    Tanto os malucos comunistas quanto os malucos islâmicos igualmente começaram querendo matar grupos inteiros pessoas, um por sua classe social, outro pela religião. Mas grupos que já são lunáticos nesse nível certamente não vão se deixar corrigir por detalhes como a realidade objetiva que mostram que esses conceitos só existem na cabeça deles e então partem pra derradeira trip do psicopata: matar aqueles que pensam diferente.

  • Ian

    Belo artigo. Só discordo da associação que fez de religião e posição política no espectro de direita e esquerda. Inclusive seguindo a lógica de que nazistas não são de direita porque odeiam judeus, também não podem ser de esquerda pois odeiam comunistas. Judeus e islâmicos são só grupos étnicos e religiosos, não necessariamente de esquerda ou direita.

    • Flavio Morgenstern

      Ian, quem mais perseguiu comunistas foram comunistas. Quem matou Trotsky não foi a direita, Mao, Stalin, Tito e tantos outros se odiavam e por aí vai. Isto não os torna “não-comunistas” só por irem contra outros comunistas. O nazismo é uma forma específica de socialismo: não é o socialismo soviético, não é marxista (o socialismo é muito anterior a Marx), mas é socialista. Como grupos étnicos judeus e islâmicos não são de direita ou esquerda (há muitos judeus de esquerda, há islâmicos associados ao conservadorismo, como René Guénon, Frithjof Schuon e Hossein Nasr). Como religiões (judaísmo e islamismo), a primeira é a base do conservadorismo e a segunda confluiu e foi abraçada recentemente pela esquerda.

    • Andre Aragao

      A idéia de controle centralizado de uma elite que se considera superior a todo o resto e que trará a sociedade mais justa – proibindo, matando e torturando – é um traço comum que iguala o nazi fascismo e o socialismo soviético. Se o controle da propriedade privada é ou não diretamente do Estado é um detalhe tático.

      Quanto a judeus e islamicos eu concordo que sejam grupos étnicos, mas no texto não se mencionam islâmicos de maneira genérica, mas os guerreiros do Estado Islâmico e terroristas islâmicos de maneira particular, que mostram os mesmos traços já conhecidos de grupos revolucionários: a idéia de que são uma elite superior e que sabem melhor do que ninguém é o que é melhor para todos – quem não concordar, que morra.

  • Flavio Marcelo

    Curisoso, pois faz um texto excelente, para no final, como bom sul americano, repleto de da contradição latente, como aponta no seu texto, destruir-se em elogios a um psicopata chamado Jair Bolsonaro. A mesma moeda, diria Sócrates, dos tais comunistas. Fosse defesa, mas bolsonaro fala destemperadamente, grotesco, e autoritário tanto quanto esses professorzinho pseudo-socialista. Ou seja, morrreu na praia num final que seria triunfante, mas será lembrando Bolsonaro por como cospe grotescamente violência e preconceito sobre um povo. “Nazis” se merecem.

    • Flavio Morgenstern

      Flavio, não conheço a violência propagada por Bolsonaro, nunca o vi pretendendo fuzilar um povo, mas se possui vídeos mostrando isso, sinta-se convidado a mostrá-lo.

      • Antonio

        Flávio, me desculpe, mas vc quer ver um vídeo desses? Vc duvida que o Bolsonaro é do ´seculo XV? ainda tens duvida? coloque ele no poder e verás, amigo.

        • Flavio Morgenstern

          Perguntei em que momento Bolsonaro pregou fuzilamento, genocídio, algo próximo ao “nazismo” como afirmaram por aí. Até agora só vi xingamentos a ele.

    • Antonio

      heheheheheh. Concordo. Bolsonaro? De onde tiraram essa figura debiloide?

  • Zé Pitaco

    A cara desse “Maurinho” Iasi mostra claramente que é um filinho de papai burguês metido a “operário”! O seu “partido” nanico de merda, é composto só de burgueses como ele, degenerados, fracassados, drogados e pederastas, e toda essa porra na maior cara de pau se declara de “classe operária”! No comunismo, todos esses idiotas uteis, vão ser os primeiros a serem mortos e, eles merecem!

  • Rodrigo Garcia

    Flávio, seu texto é daqueles que não tem como lê-lo e continuar o mesmo. É um texto que deve ser “gritado de cima dos telhados”, para que todos ouçam! Parabéns!

  • Perfeito texto. Que decepção para nós, que um dia acreditamos que a esquerda era inteligente e equilibrada, representante de uma sociedade que visava justiça com desenvolvimento. No fim, vimos que se trata apenas de mais um projeto de poder, inepto e podre em seus valores. E não precisamos nem de esquerda nem de direita, precisamos de valores, diálogo, respeito, educação, ação e resultados. Isto sim constrói uma sociedade justa e moderna.

  • Henrique Mello

    Esse pseudo professor fracassado precisa melhorar muito para ser considerado um idiota. Fez tanto sucesso como candidato a presidência que ninguém lembra dele. Defender idéias retrógradas e ultrapassadas que não deram certo em lugar algum já demonstram o “QB” – quociente de bosta na cabeça desse elemento, que a meu ver, deveria estar preso.

    • Marta Salgado

      Os candidatos a presidência que fizeram sucesso eram os bons?? A Dilma e o Aécio?? Esses defendiam ideias modernas, né??

  • Carlos Alberto Maciel Filho

    Tudo comunista é nogento mentiroso e gosta de viver as custa de todos, são lobos com pele de cordeiro.

  • Bruno

    Direitistas alienados defensores da “tradicional família brasileira” NÃO passarão NUNCA MAIS !!!
    Tiveram todas as chances de provar o seu valor durante séculos e NUNCA levaram o Brasil a lugar algum . Os milicos mataram, mataram, torturaram e sequestraram quem ousasse piscar em velocidade diferente da proposta por eles. Difamaram canções , peças, filmes e até o treinador da seleção brasileira os militares conseguiram mudar , só o rumo da nação é que permaneceu o mesmo , foram anos e anos e absolutamente NADA de concreto ou relevante foi feito , e não me venham com esse papinho de obras e etc… O Brasil dos militares deixou uma marca de sangue na história . O Brasil de FHC deixou uma marca de desespero e fúria do povo .
    O Brasil do futuro é VERMELHO , de ESQUERDA e SOCIALMENTE JUSTA .
    Bem unido façamos,
    Nesta luta final,
    Uma terra sem amos
    A Internacional

    • Flavio Morgenstern

      Cerca de 500 mortos em 21 anos de ditadura militar (que nada teve “de direita”) no Brasil. 100 milhões de mortes no socialismo. Se nosso futuro é vermelho e de esquerda, nada pode me preocupar mais.

      • Marta Salgado

        Flavio, você cita numero de mortos pela ditadura no Brasil e o número de mortos no socialismo no mundo. Seria capaz de fazer uma soma de mortos pela direita no mundo ( fascismo,nazismo, ditaduras na Espanha,Portugal,toda a América Latina), talves os leitores consigam ter uma ideia melhor do que é genocidio.

        • Flavio Morgenstern

          Marta, fica claro no texto que nazismo e fascismo são de esquerda, ao contrário da narrativa corrente que foi uma invenção da Escola Britânica de Marxismo. Pode ler antes de comentar, costuma gerar melhores resultados. As ditaduras militares latinas também são autocráticas, portanto contrárias ao conservadorismo e ao liberalismo. Basta citar um autor liberal ou conservador que promova ditaduras. Não os há. Grande abraço e boas leituras.

          • Marta Salgado

            Flavio, ainda não consigo conceber o nazismo e fascismo como um regime socialista ou comunista , o nazismo até tinha o socialismo no nome, mas era nacional socialista, o nacionalismo por si só já é contrário ao marxismo. Defendiam a propriedade privada e a sociedade de classes, o que também não é ou deveria ser defesa de um partido de esquerda. Quanto ao pacto com a URSS, erá só para ganhar tempo, pois o propósito dos nazistas era acabar com os comunistas. Assim que vira primeiro ministro, antes de ser ditador, Hitler persegue os comunistas e através de manobras proibe a existência deste partido. Vc afirma que toda a história é mentirosa?

          • Flavio Morgenstern

            Marta, o nazismo não é socialista, é um tipo de socialismo. Marx ele próprio pregava a destruição de vários povos e nações, como nos seus famosos artigos sobre imigrações européias. Um exemplo: http://www.mlwerke.de/me/me06/me06_165.htm
            Todo o socialismo defende propriedade privada, apenas coletiviza os meios de produção. No nazismo e nos fascismos, elas são controladas por sindicatos, o que é uma forma disfarçada. Algumas boas leituras:
            http://www.implicante.org/artigos/o-fracasso-do-pt-no-dia-dos-trabalhadores/
            http://www.implicante.org/artigos/licoes-de-hugo-chavez-ao-brasil/
            http://www.contraocorodoscontentes.com.br/2011/08/memoria-nao-retem-atrocidades-do.html
            http://www.mises.org.br/Article.aspx?id=1343
            https://mises.org/library/fascist-threat-0
            Sabe quem mais perseguiu comunistas no mundo? Comunistas. Afinal, mataram aos milhões dos seus próprios assim que subiram ao poder. Tal argumento, portanto, apenas mostra como o mesmo padrão existe no socialismo e no nacional-socialismo.
            Afinal, há muitas semelhanças entre Stalin e Hitler, dois tiranos genocidas, nenhuma entre Hitler e Churchill ou Václav Havel.
            Portanto, essa forma de contar a história é mesmo mentirosa. Somos do Senso Incomum. Não acreditamos em bobagens ensinadas só por serem ditas por um grande número de pessoas. Pensamos com nossa própria cabeça.
            Grande abraço.

          • Marta Salgado

            Flavio,me perdoe, comecei os questionamentos por que sou curiosa e adoro debates, não defendo a politica petista , nem tampouco a politica “bolivaria”, Gostaria de ter sido convencida por essa sua forma de pensar. Mas, aprendi por exemplo, e não me convenci ao contrario a opor nazismo e comunismo, aprendi tambem que na Alemanha nazista os sindicatos foram abolidos e não controlavam a propriedade privada. Entrei aqui por não gostar do senso comum, mas jamais pensei que o senso incomum seria modificar a história encaixando em uma tese. Outro grande abraço e adeus, não lerei mais o senso incomum.

          • Flavio Morgenstern

            Marta, boa sorte na sua empreitada de evitar leituras que contrariem mentiras.

    • marcio

      você não tomou seu gardenal de novo, amigo???

    • Nfd

      És uma mula.

    • Carlos Reis

      kkk Pilantras da Esquerda não passarão!!! rsrsrsrs

  • Otávio

    Nossa alguém ainda acredita nessa doença chamada comunismo?

  • Kleber Verraes

    Mauro Iasi (PCB) precisa ser preso imediatamente, por crime incitação ao genocídio! Evidentemente, este psicopata sofre de “Complexo de Che Guevara”…

    Se Mauro Iasi não for preso imediatamente, isto será a prova (definitiva) de que o regime Lulo-Petista compactua com o projeto genocida deste psicopata.

    Todo DITADOR GENOCIDA sempre quer desarmar os cidadãos. A razão disto é bem simples: Quando estes genocidas decidem aniquilar qualquer grupo (considerado como “INIMIGO DO REGIME”) é mais fácil de massacrar uma população que esteja desarmada!

    Ao mesmo tempo que LULA e DILMA posam como “DEFENSORES DOS DIREITOS HUMANOS”; estes dois vermes se aliam aos mais FEROZES GENOCIDAS que existem sobre a face da terra…

    Além de apoiar Fidel Castro, LULA e DILMA apoiam JACOB ZUMA, o GENOCIDA da Africa do Sul; que canta (em cerimônias oficiais), o “HINO DE GUERRA” do grupo terrorista sul africano MK (video no link em anexo)!

    Esta “canção tribal” (do MK), incita os negros a matarem TODOS os brancos sul africanos; com metralhadora!!

    A letra deste “HINO AO GENOCÍDIO”, tem principal refrão “VAMOS MATAR TODOS OS BRANCOS COM METRALHADORA”…

    Para quem não sabe, “BOER” é o nome dado aos brancos nascidos na Africa do Sul.

    Na Africa do Sul os BOERS são o alvo do terror orquestrado pelo Estado. No Brasil, o mesmo tratamento será dado aos opositores do regime Lulo-Petista!

    • Marta Salgado

      Alguém pode ser preso por declamar um poema?? ou por cantar uma música ??

      • Flavio Morgenstern

        Marta, poderia te perguntar sobre alguma música de direitistas pedindo para matar esquerdistas. Mas esqueci que esse tipo de barbaridade e incitação ao assassinato inexiste.

  • Yuri da Silva Villas Boas

    Caro Flávio,

    Em primeiro lugar, gostaria de parabenizá-lo pelo seu trabalho. Mais do que nunca, nossa sociedade necessita de intelectuais combativos e firmemente enraizados em valores morais como os que demonstra em uma coluna como esta (…).

    Estou para lançar um abaixo-assinado sobre o mesmo incidente que o sr. comenta em seu artigo (a respeito do qual prefiro não discorrer publicamente por enquanto) e gostaria de enriquecê-lo com alguns detalhes que, até o presente momento, falhei em obter, razão pela qual peço a sua ajuda, e em particular, um contato.

    Desde já agradeço imensamente pela sua atenção.

  • Excelente artigo.

  • Ana Serra

    Os esquerfistas

  • Ana Serra

    Bravo!
    Fico pensando…como pode ter quem defenda isso? Elles realmente são psicopatas, como li outro dia..

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