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isis ameaça brasil

O Brasil amarga mais de 60 mil assassinatos catalogados por ano, número superior a quase todas as guerras em curso no mundo hoje (perdendo apenas para a Síria). Contudo, duas realidades que inquietam o mundo parecem inexistentes no Brasil: a dominação populacional islâmica e o terrorismo.

Não mais. A Abin confirmou que uma conta do Twitter que fez ameaças ao Brasil é mesmo de um membro do Estado Islâmico, o ISIS. A conta pertence a Maxime Hauchard, um dos líderes do califado, segundo na linha de comando de decapitadores e que aparece em diversos vídeos de barbarismo do grupo terrorista.

Pelo Twitter, Maxime Hauchard afirmou: “Brasil, vocês são nosso próximo alvo. Podemos atacar esse país de merda”. A conta já foi suspensa.

O diretor de Contraterrorismo da agência, Luiz Alberto Sallaberry, na Feira Internacional de Segurança, confirmou que há um crescente número não apenas de simpatizantes do Estado Islâmico no Brasil, mas de pessoas que fizeram o juramento ao califado em nosso país.

Se uma ameaça de um dos mais perigosos grupos terroristas do mundo já é assustador (e certamente o primeiro em barbarismo), o problema é muito maior ao se refletir a respeito destes últimos fatos. Quase ninguém no Brasil sabe como é o islamismo, que dirá o que é um califado, por que o Estado Islâmico foi assim chamado etc.

O jornal carioca O Dia descreve as pessoas que fizeram juramento ao Estado Islâmico como “concordantes com um grupo que deturpou os princípios da religião islâmica e utiliza a violência para expandir seu domínio territorial”. Pouco abaixo, cita as palavras do diretor da Abin: “Posso dizer que são de origem salafista sunita, comunidade que está ligada ao Estado Islâmico”.

Uma contradição clara, mas que passa perigosamente despercebida pelos brasileiros. O salafismo é uma corrente islâmica que prega justamente o islam original, o islam de Maomé, o islam sem interferência externa, o islam que não faz concessões ao que pode ter virado o islamismo após seus contatos com europeus, os debates entre Avicena e São Tomás de Aquino, o islam moderno.

Salafismo, portanto, é justamente seguir a risca “os princípios da religião islâmica”. O islamismo que não participa na jihad, que não “utiliza a violência” e sobretudo o islamismo que não busca “expandir seu domínio territorial” é que é um islam que “deturpou os princípios da religião islâmica”. Justamente o contrário.

Vários estudiosos do islamismo onde ele se faz mais presente, sobretudo entre a direita cristã americana, não cansam de mostrar isso. Basta ler os livros de Questioning Islam, de Peter Townsend, The Closing of the Muslim Mind: How Intellectual Suicide Created the Modern Islamist Crisis, de de Robert R. Reilly, Stop the Islamization of America, de Pamela Geller, ou todos os livros de Robert Spencer. Isto, claro, para os pesquisadores que buscam entender algo complexo, milenar e gigantesco. Muitos preferem apenas um idealismo sentimentalista.

Enquanto o Brasil, que não conhece do islam senão sua versão edulcorada pela imprensa, apenas trata a cultura islâmica como os “bons selvagens” de Rousseau, repetindo bordões sobre os quais nunca estudou, como “o islamismo é uma religião pacífica, apenas uma minoria de radicais pratica terrorismo, e deturpam a religião muçulmana”.

Para entender algo distante de nossa realidade como a cultura islâmica, é imprescindível usar os termos corretos. O islamismo não é o que nós chamamos de “religião”, um conjunto de crenças que diz respeito ao bem e o mal, pessoal e tendendo cada vez mais ao privado. É o que se chama em árabe de jin, uma noção de mundo cósmica, política, social, metafísica, existencial e científica. Um muçulmano que siga apenas uma parte do islamismo, o seu núcleo íntimo, é menos muçulmano do que o jihadista que pretende islamizar o mundo através da jihad, e não o contrário.

Palavras, portanto, importam. O vezo modernista de temer chamar as coisas pelo nome, preferindo eufemismos, abstrações e analogias, tem conseqüências tão sérias quanto um atentado terrorista.

O diretor de Contraterrorismo Luiz Alberto Sallaberry mostrou, na Feira Internacional de Segurança no Rio, bandeiras do Brasil onde se lia em árabe “Deus acima de tudo”, com símbolos do Estado Islâmico. Quem de nós sabe identificá-los? Quantos especialistas em língua árabe temos? (um curso de língua árabe na Universidade Federal do Pará já teve uma aluna que parece ter sido cooptada para o terrorismo após se converter ao islamismo)

O Rio está fazendo uma preparação com o setor de Turismo para que saibam identificar potenciais terroristas. Infelizmente, como o islamismo é encarado como uma “religião”, e para não ofender nossa liberdade religiosa (assegurada pela religião específica de quem criou este conceito, inexistente em países com tradições religiosas diversas, completamente alienígena a países muçulmanos), querem tratar o terrorismo como algo não-religioso, com medo de ofender os muçulmanos.

Como mostra a ex-muçulmana Ayaan Hirsi Ali (sabendo que apenas o crime de apostasia, de abandonar o jin de Maomé, é punido com a morte em países islâmicos), é como tentar enfrentar os crimes dos tiranos socialistas proibindo-se que se entenda, estude e fale de Karl Marx, ou tentar entender o nazismo sem comentar as idéias racistas, arianistas e do nacionalismo germânico de Adolf Hitler e seus predecessores.

O islam, ao contrário do que dizem nossos professores banhados na crença do “multiculturalismo”, o califado islâmico não está “revidando” supostos ataques imperialistas do capitalismo americano. O islamismo salafista – ou seja, o islamismo originalista, que busca imitar o que Maomé fazia ele próprio, embora na época não houvesse vídeos de decapitações circulando pela internet – odeia o materialismo, odeia a amoralidade, odeia mulheres exibindo o corpo (ou, em muitos casos, o rosto), odeia o sexo livre, odeia bacon, odeia música, odeia que se use relógios no braço esquerdo. Tudo isso é motivo para punições que chegam à decapitação.

O Brasil pode ser um anão diplomático e ser completamente irrelevante para a geopolítica mundial, mas assim que salafistas visarem o país, não há por que o califado e outros grupos terroristas (e os “lobos solitários”) não fazerem a festa genocida em nosso país.

Assim como é difícil definir uma cor difícil para a qual não temos uma palavra adequada (pense-se em quantas cores para “verde” índios possuem, ou quantos tons de “branco” os esquimós discernem com palavras diferentes), não enxergamos algo ameaçador como uma ameaça terrorista sem a chamarmos pelo nome. Por isso foi tão importante que o Congresso americano, em março, finalmente tenha denominado os atos do Estado Islâmico contra cristãos de “genocídio”. Quantos no mundo estão cientes de que há um genocídio contra cristãos em curso no mundo, sem que alguém assim o denomine?

Sem chamar o terrorismo islâmico de parte do islamismo, sem entender o que é o salafismo, sem nem questionar o que é a jihad, sem buscar as relações entre o califado do ISIS e o último califado do Império Otomano, sem investigar por que o Estado Islâmico se considera um Estado, sem sondar por que a conquista territorial pela migração em massa é tão importante para o islamismo (e tão pouco importante para o cristianismo e o judaísmo), sem inquirir os hábitos muçulmanos que indicam o islamismo salafista, só descobriremos algo sobre eles após a primeira explosão.

O islamismo cresce nas periferias brasileiras com mais velocidade até do que igrejas evangélicas. O califado já possui seus admiradores “juramentados”. Infelizmente, o Brasil, sem conceitos certos, parece que o país espera por um ataque terrorista para finalmente saber o que está acontecendo.

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  • Pingback: Arregada do ISIS | Mosca que pintou pra lhe abusar()

  • Mauricio NC

    Fico a me questionar se não existe algum membro do ISIS estrategicamente infiltrado em alguma delegação “acima de qualquer suspeita”. Seria alguém ingênuo o suficiente para não reconhecer que pode existir quem saiba EXATAMENTE como a segurança da Rio-2016 vai agir, e, por este motivo, fazer o que nem mesmo a ABIN poderia prever? Nem a França previu os ataques que sofreu. Espero estar totalmente errado.

  • Pingback: O verdadeiro criminoso islão/islam « Ataque ao islam ou Islão a nu – Para tomar consciência do terror islâmico e o atacar()

  • Eduardo

    Flávio, excelente artigo sobre o tema abordado!
    Sugiro, se lhe for possível assistir, o documentário em DVD (de Dave Hunt, autor de “O Dia do Juízo” – 416pp-Actual Edições): “O Islã, Israel e as Nações”. Ele faz uma abordagem sobre o contexto religioso relacionado o conflito no Oriente Médio. No youtube tem um link para o doc: https://www.youtube.com/watch?v=9KKR8J5Zxkw

    • Flavio Morgenstern

      Muito obrigado, Eduardo, tentarei assistir!

  • dudu

    Tem dedo do Nazilullismo aí! Tá na cara que a ameaça é falsa, mas justificaria atentados direcionados aos “anti-democratas” que insistem em derrubar o “guvernu dus pobri”….

  • EUROPEU VIADINHO CONVERTIDO AO ISLÃ, AQUI NO BRASIL O BAGULHO É DIFERENTE E MAIS LOUCO DO QUE VOCÊS IMAGINAM!!!

  • Francisco

    Pô, Flávio, acho que você vai ter que lançar o 1º guia em português sobre o Islã (nos moldes da série “for dummies/para leigos”) pra tigrada daqui. Taí uma missão pro Andreazza da Record te passar (aposto que iria vender pra chuchu!). P.S: Excelente texto como de costume. Além dos autores que você citou, eu recomendo (pra quem esteja interessado) os trabalhos do Dr. Mark A. Gabriel e do Dr. Bill Warner.

  • Diego Borges

    Estava demorando para eles voltarem os olhos para cá, terra do turismo sexual, das praias e da música vulgar.

  • Conceição

    Prof Ramalhete explica:O Islã como problema geopolítico – hoje e ao longo da História (Parte 1)

  • Vinícius F. de Oliveira

    E gente da periferia de São Paulo que ouve Racionais MC´s.

  • Vinícius F. de Oliveira

    O Estado Islâmico é extremamente atrativo para blackbloks e ex-participantes da comunidade Olavo de Carvalho do B do extinto orkut.

  • Agora detalhe, se acontecer algum ataque no Brasil, parece que não será o primeiro, ao que tudo indica, de acordo com André Soares ex-agente da ABIN, o Brasil já foi alvo de um ataque terrorista, foi o da escola de Realengo em Abril de 2011. ( http://www.inteligenciaoperacional.com/index.php?option=com_content&view=article&id=249&Itemid=340)

  • Victor

    Se podermos chamar esse Islã não de “religião”, visto da “noção de mundo cósmica, política, social, metafísica, existencial e científica”, é diferente de partes do cristianismo ainda culturalmente (mas não, obviamente, executando ataques terroristas) ativas?

    Dominionismo vem em mente. Só olhar alguns eleitores republicano esse ano que, vide pesquisas de opinião, parte desejam instituir o cristianismo como religião oficial no país. Ou até algumas companhias daquele candidato Ted Cruz, como o pai dele (dizendo que sua religião deve entrar em todos os ramos da Terra, político, social, científico, etc – ironicamente as partes que você se referiu) ou aquele pastor maluco, Kevin Swanson, dizendo explicitadamente em uma convenção evangélica que homossexuais devem ser apedrejados, logo antes de chamar o dito cujo candidato para falar.

    Parece pra mim que é um fenômeno que pode ser observado em qualquer uma crença, mais em umas do que em outras, ou mais difíceis de ocorrerem em umas que em outras, é claro.

    • Flavio Morgenstern

      Argentina é um país oficialmente católico, instituído. Vê alguma semelhança com Arábia Saudita, Irã etc? É nisso que os tedcruzianos acreditam: na religião da Argentina.

      • Victor

        Mas não sugeri que eles iriam retroceder para uma situação de um país como Irã ou uma Arábia Saudita. A população americana é bem mais heterogênea que esses países.

        O problema fica no fato de isso ser completamente inconstitucional (estabelecer uma religião oficial). Além disso, como qualquer religião, ela vem com certos princípios, que podem ser tão bons quanto ruins. Exemplo disso é certos estados com uma bagagem religiosa maior, não sabendo diferenciar sua vida particular e querendo proibir certas matérias científicas nas escolas (a parte de ciência que você citou), controlar moralmente camadas sociais (marginalizando homossexuais), etc.

        Não posso comparar com tanta precisão a particularidade cristã da Argentina, já que não sei, mas uma com uma imagem bem ruim que sofre desses problemas que falei é Uganda, um caso que é praticamente um Irã da vida.

        • Flavio Morgenstern

          Então você está confundindo algo que explicitei no texto: o resultado de religiões diferentes é diferente. Não é questão de população heterogênea, e sim da diferença entre ter uma religião oficial cristã, budista, hindu ou muçulmana.

          Segundo a Constituição americana, é inconstitucional. Acontece que essa própria Constituição é 100% cristã, 0% muçulmana. Nem mesmo é atéia: basta ver como ela explicita Deus ou, se preferir, uma ordem de bem e mal superior à Justiça humana. Tanto que o que você pode criticar nisso é que “querem proibir” (bobagem, não querem) ciência ou “controlar moralmente camadas sociais” (bobagem, todo mundo quer controlar todo mundo moralmente, a moral é isso, não é por estrato), ou falar em “marginalizar homossexuais”, enquanto se marginaliza cristãos sem medo.

          Como se vê, Estados confessionais cristãos não enfrentam problema nenhum devido à religião. Estados muçulmanos sim, todos, sem exceção.

          • Victor

            O resultado é diferente porque elas passaram por variações culturais e sociais diferentes. A camada cristã do mundo (a Europa e parte da América) já passou por um processo de secularização. O que temos que esperar (e o que já está acontecendo em certas comunidades islâmicas, apesar de grande resistência) é passar por esse mesmo processo. Maajid Nawaz é um grande exemplo disso.

            Como certos grupos religiosos não querem? A história educacional dos Estados Unidos é cheio dessas conturbações, sejam querer banir tópicos científicos como evolução/aquecimento global ou colocar junto ensinamentos de criacionismo, com todas essas conturbações sendo de caráter religioso.

            Controlar moralmente eu me referi controlar de maneira coercitiva, ou que seja prejudicial ao indivíduo ou a sua liberdade de ser. Acampamentos de “terapias homossexuais”, por exemplo. E marginalizar homossexuais é tão ruim quanto marginalizar cristãos, não entendi o argumento.

            Uganda não enfrenta problema? Ou Jamaica, onde, espelhando praticamente certos Estados muçulmanos, relações sexuais em homens do mesmo sexo pode levar a anos de prisão? Ou a República Central-Africana, onde, ironicamente, muçulmanos foram obrigados a fugir do país por medo de massacre?

            Por isso é importante destacar o que falei no primeiro parágrafo. Comparações entre certas camadas religiosas diferentes são injustas, porque esses Estados passaram por diferentes processos históricos – além de diferenças individuais em cada “Estado muçulmano”, Irã e Turquia são um caso em que retrocesso é sempre possível. Óbvio que diferenças internas são relevantes (a Bíblia é um documento bem mais vasto, enquanto o Corão é curto e mais preciso), mas é importante balancear esses termos.

          • Flavio Morgenstern

            O processo de secularização não veio do nada. Não foi de repente que surgiu. Ele acontece no cristianismo porque ele permite. O islamismo não. E não foi a secularização que fez isso (já leu Os Irmãos Karamázov?), ela surge como conseqüência, às vezes boa, às vezes fracassada, da própria teologia cristã. Tanto que todo islâmico tentando secularizar o islam tem de recorrer a exemplos cristãos. Não os há no cristianismo.

            Quem quer banir outros tópicos é, justamente, a “secularização” (preste atenção na palavra). Escolas cristãs podem ensinar Adão e Eva, inclusive como mito. A “secularização” é que não permite. Todavia, não há escola que não ensine Darwin. Aprendi tudo sobre ele num colégio ultra-católico.

            Você quer misturar conceitos, como afirmar que não aprovar casamento gay é “marginalizar homossexuais” como se isso fosse criar um gueto. Aproveite que o papo é religião e veja o que a filosofia escolástica fez para definir o que é noção, conceito, phantasma, dado sensível, intelecção etc. Você notará como está misturando alhos com bugalhos para afirmar isso.

            Ninguém está falando que sociedades cristãs não enfrentam problemas religiosos, e sim que eles conseguem se resolver, inclusive de maneira secular, pois o cristianismo permite isso, o islam não. Leia: http://sensoincomum.org/2015/11/15/islamismo-religiao-paz/

            Os processos históricos acontecem por causa da visão de cada religião. Se aconteceu um processo histórico no cristianismo e outro no islam, não é por causa dessa fábula de “processo histórico”, e sim pela mentalidade e possibilidade de cada uma.

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