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* Por Guilherme Macalossi

Já faz quase uma semana que o país se encontra paralisado discutindo o escabroso caso de estupro coletivo ocorrido em uma favela do Rio de Janeiro. Tudo o mais constante tornou-se lateral, até mesmo a crise política. Mas se justifica. Quando 33 criminosos se revezam para violar uma vítima, é natural que a coisa vire assunto não apenas no noticiário, mas nas redes sociais e nas rodas de bar.

Conjuntamente ao desenrolar dos detalhes horrendos do crime, surgiram, é claro, aqueles se propõe a explicar as razões por trás dos fatos.

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A esquerda em peso, espalhada no jornalismo, na classe artística e na academia, fez um tal esforço retórico que conseguiu escamotear o caso concreto, substituindo as notícias da investigação pelo debate em torno de suas próprias plataformas de luta ideológica.

É importante dizer o seguinte: Nenhum dos sedizentes humanistas de esquerda está lá muito interessado na segurança ou na integridade das moças que são obrigadas a viver em áreas dominadas por marginais e criminosos.

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Essa gente, esses tais pensadores, lá no fundo de suas almas, veem um caso desses como a oportunidade de ouro para vender sua ideologia. Além de ser estuprada pelos bandidos do morro, a moça, sem jamais saber, vira objeto do abuso narrativo dos pervertidos intelectuais, e que são muito mas do que apenas 33.

O que se viu desde que o crime veio ao conhecimento público foi uma verdadeira histeria coletiva que deu eco a toda sorte de idiotices, vigarices e teses das mais estúpidas e vagabundas. A gritaria corrente foi a da socialização da culpa. Os criminosos individuais seriam apenas o resultado de algo mais amplo e coletivo. Veja só o que disse o Sr. Leandro Karnal, no Jornal da TV Cultura:

Karnal culpa uma abstração: a tal sociedade. Ela seria a responsável pela situação. Ela, em um conluio secreto, e em virtude de seus supostos preconceitos, teria estuprado a moça.

Onde estão os indivíduos? Onde estão as mentes autodirigidas que escolheram cometer o crime? Karnal jamais as menciona. Vai ver eles também seriam vítimas desta mesma sociedade, que teria os obrigado, pela força de uma circunstância imposta, a agir assim.

O mais engraçado na fala de Karnal, o Tio Chico da historiografia, é sua completa contradição. Ele começa seu comentário dizendo que vivemos em uma sociedade machista e, vejam só, “falocentrica”, para terminar alertando para o tratamento que os estupradores tem na cadeia.

Ora senhor Leandro Karnal, mas se a vida dos estupradores na cadeia é um inferno, e sabemos que é, como pode dizer que há uma cultura machista? A sociedade, mesmo aquela parcela que comete crimes, vê no estupro a mais vil das violências.

O raciocínio básico é o seguinte: A sociedade, contaminada pelo machismo, gerou uma cultura do estupro. E ai Karnal e outros tantos passam a fazer comparações das mais absurdas, como se piadinha de mulher fosse o mesmo que rasgar-lhe o canal vaginal até o útero. Em meu Facebook, cheguei a comentar:

“Tudo o que os estupradores querem é que sua ação seja confundida com a do pedreiro que eventualmente chama uma mulher na rua de gostosa. Obviamente que mulheres podem achar desconfortável, constrangedor, lamentável e até ofensivo esse tipo de comentário. Mas vejam só: Se diante de uma obra a tal mulher chamada de gostosa for abordada por um estuprador, é bem provável que o meliante acabe tendo sua cabeça esmagada a tijoladas pelos pedreiros.”

Não, a sociedade brasileira não tolera o estupro. Nem nas obras e nem nas celas dos presídios.

Mas tomemos a tal cultura do estupro como uma tese válida. E o façamos a partir da definição que a própria esquerda lhe dá.

Segundo o blog de Maria Fro, hospedado no site da revista de esquerda Fórum, a cultura do estupro “tem a ver com a impunidade, com a naturalização da violência contra a mulher, com a relação de poder estabelecida na sociedade entre os gêneros, onde o sexo feminino é visto como objeto sexual e não como ser humano dotado de direitos.”

Já, segundo a professora Márcia Tavares, integrante do Núcleo de Estudos  Interdisciplinares da Mulher (NEIM) e coordenadora do observatório da lei Maria da Penha “à medida em que o corpo da mulher é objetificado, que você considera a mulher uma propriedade do homem, por omissão, você termina sendo conivente. Essa cultura do estupro é o que deixa essas coisas aconteceram, porque fecha os olhos.”

Objetificação  do corpo da mulher? É essa a origem da cultura do estupro segundo os próprios ativistas de esquerda? Então é necessário dar uma boa olhada em quem de fato promove isso, para além do discurso fácil de tipos como Leandro Karnal.

Se há hoje uma objetificação explícita do corpo da mulher, ela é feita em larga escala por meio da sexualização e da vulgarização disseminada sem a menor cerimônia por coisas como o Funk, por exemplo. Funk que é visto pela esquerda e pelos seus entusiastas como uma manifestação típica do empoderamento da periferia, para usar a esse vocabulário afetado e ridículo das chamadas minorias ideológicas.

Vejam só o projeto 4124/2008, que tem como objetivo dar ao funk o status de “manifestação cultural”. A autoria da proposta é do indefectível deputado Chico Alencar, do PSOL.

Diz o projeto de lei:

Art. 1º Fica definido que o funk constitui forma de manifestação cultural popular, e enquanto tal, digna do cuidado e proteção por parte do Poder Público, na forma da Lei.

Art. 2º Os artistas do funk são agentes da cultura popular, e como tais, terão seus direitos respeitados e assegurados conforme a legislação em vigor.

Art. 3º Compete ao Poder Público assegurar ao movimento funk a livre realização de suas atividades e de manifestações próprias, como festas, bailes e reuniões, na forma da Lei.

Art. 4º Os assuntos relativos ao movimento funk integrarão a pauta de trabalho e de fomento regular dos órgãos públicos ligados à cultura, submetendo-se às mesmas normas regulatórias de manifestações de natureza similar.

Em suma, o Funk passa a ser encarado como uma manifestação cultural oficial, cujos promotores tem direitos e o estado o dever de disseminar.

Debatendo sobre o PL, vejam só o que disse o senhor Jean Wyllys, colega de Chico Alencar e pretenso defensor das mulheres:

Temos ai, nas palavras do nobre relator, uma manifestação cultural com um caráter de elevada importância. E por isso eu convido vocês a prestarem atenção nas letras de tais obras:

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Peguemos a letra do famoso hit “Baile de Favela”, notório nas baladas de norte a sul do país:

“Ela veio quente, e hoje eu tô fervendo
Ela veio quente, hoje eu tô fervendo
Quer desafiar, não to entendendo
Mexeu com o R7 vai voltar com a xota ardendo (vai)

E os menor preparado pra foder com a xota dela”

Querem mais um exemplo edificante? Eis ai o trecho de “Roça Roça”, de autoria de um fedelho chamado MC Brinquedo:

“É que agora novinha me quer
Por que eu virei morador da cidade

Ela roça na minha
Roça, roça, roça com vontade
Ela roça na minha
Roça com vontade”

E que tal essa, do MC Fluup?

“Bonde da zona leste, máquina de fazer sexo
Toda mulher gosta de putaria
Se ela não faz, ela imagina
Eu por baixo, tu por cima
Tu sentando na minha pica
Tu sentando na minha pica”

Trata-se de objetificação do corpo da mulher? Trata-se de cultura do estupro?

E não adianta dizer que se tratam apenas de musicas isoladas. O funk dos “bailes de favela” é composto integralmente de batidões que não passam de putaria vil, e que se popularizou nas zonas mais pobres do país por meio da ação influente de gente como o próprio Jean Wyllys.

Alias, cabe uma nota sobre isso: Há uma ideia de que a periferia criou um modo próprio de agir e portar. Como se a falta de condições sociais e a pobreza gerassem  um comportamento padronizado. É a cultura do gueto, que no show business tem em Regina Casé e Netinho de Paula seus principais promotores.

Mas, voltando ao assunto principal, como é que disse a ativista Maria Fro sobre a origem da pretensa cultura do estupro?

o sexo feminino é visto como objeto sexual e não como ser humano dotado de direitos.

E aqui chegamos então ao ponto central: a esquerda e seu velho duplo padrão moral.

Por um lado ela inocula na sociedade um espírito de baixeza moral que reduz a humanidade a um bando de macacos bonobos. Ao mesmo tempo, aponta como se fosse inerente a tradição da própria sociedade a corrupção e os efeitos que são advindos da própria contaminação que ela mesmo premeditou.

Só há 33 responsáveis pelo referido estupro. São os 33 criminosos que decidiram estuprar a garota. O resto é discurso rasteiro e intelectualmente criminoso de quem prefere culpar uma coletividade abstrata, que serve de pau para toda obra, a responsabilizar os agentes individuais que cometem crimes.

Por fim, a cultura do estupro não passa de um mito perverso, feito para tornar todo e qualquer homem de família em um bandido em potencial. É uma teoria que não se sustenta a um exame minimamente sério, e que se submetida à própria descrição que a sustenta só leva a um responsável: a esquerda em si.

ADENDO: Há tempos venho procrastinando, mais ou menos como o José Eduardo Cardozo fazia em relação ao impeachment, a publicação de um texto aqui no site do meu amigo Flavio. Finalmente tomei vergonha na cara. Aproveito a ocasião para agradecer o convite que muito me honrou. Aqui no Senso Incomum a gente encontra algumas das mais talentosas penas do Brasil. Não poderia estar em melhor companhia.

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