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O MST e o MTST, os Movimentos “Sem Terra” ou “Sem Teto”, são descritos como “movimentos sociais” ou, mais exatamente, a consubstanciação dos movimentos sociais. Se existe um movimento social, este movimento é o MST, com ou sem T. Todos os outros são as filiais da matriz.

Quando novos movimentos não-partidários surgem, tenta-se, na linguagem do vulgo, falar que são os verdadeiros movimentos sociais, contra o movimento degenerado que é o MST.

É um erro de principiantes no funcionamento da linguagem: não adianta tentar se fiar ao que significam as palavras dicionarizadas, e em separado. “Movimento social”, desde que juntaram as palavras, é expressão que significa movimento de esquerda. Aquilo que Cedê Silva explicou aqui que é conhecido na América como astroturfing, a técnica de mascarar de onde parte uma mobilização política, para dar a entender que é algo espontâneo e do povo (“social”), quando é uma ordem dada de cima para parecer ter apoio popular. Movimentos de verdade da sociedade nunca poderão ser “movimentos sociais”, o termo já está contaminado e danado.

Hoje, o MTST invadiu o prédio da sede da presidência da República em São Paulo. Movimentos de massa (e “movimentos sociais”), como demonstrei em meu livro Por trás da máscara: do passe livre aos black blocs, as manifestações que tomaram as ruas do Brasil, buscam sempre a tomada à força de prédios públicos. É uma lição antiga, como já havia demonstrado Elias Canetti, no clássico Massa e Poder.

A manchete para um caso como esse é óbvia: MTST invade prédio da Presidência. Algo que, naturalmente, geraria escândalo nacional. Tente imaginar a troca de sujeitos: “Movimento pró-impeachment invade Palácio da Alvorada” ou “Evangélicos invadem Supremo Tribunal Federal”.

Manchetes objetivas nunca serão exibidas sobre o MTST. A imprensa sempre os incensa, sempre os justifica, sempre os trata apenas com eufemismos.

O MTST ou o MST sempre são tratados pela imprensa a pão-de-ló. Apesar de praticamente sua única atividade ser a invasão de propriedades alheias, razão da existência do movimento, desde a década de 90 que a rede Globo (chamada de “golpista” pela esquerda) apenas os defende. Mesmo na novela O Rei do Gado, o personagem do título, Bruno Mezenga, interpretado por Antônio Fagundes, não cansava de defender os sem-terra, além de mostrar defesas políticas do MST e dos assim chamados “sem terra”.

No caso da invasão de hoje, as manchetes, seguindo uma harmonia difícil de ser alcançada mesmo regida pelos maiores maestros do mundo, continuaram se focando no contrário: na polícia que precisou tirá-los de lá. E a violência, naturalmente, fica na conta da polícia.

Vide o G1, da própria Rede Globo:

O Estadão prefere a manchete “Com bombas, PM dispersa ato do MTST contra Temer”. A violência, de novo, fica só com a polícia, essa entidade nazifascista de direita que agride pessoas “sem teto” a esmo, sem motivo. Seu tweet ainda contém um curioso erro ortográfico, um chamado Freudian slip:

A polícia “chega”. A força é descrita como “golpes” e “bombas”. Raríssimos que lêem poderiam pensar se a invasão ocorreu com pedidos de “com licença” e almofadas para não machucar ninguém. Acontece que, ao contrário da visão da imprensa, a visão que o povo tem do MTST é radicalmente negativa, por conhecê-los há décadas e não aceitar o beija-mãos e a ideologia.

Que tal Folha de S. Paulo?

Como esperado do jornal, o MTST só “ocupa”, no típico vezo jornalístico de usar “ocupação” como sinônimo de invasão, sabendo-se ser não só um eufemismo, mas um outro conceito. Ocupa-se um lugar que pode ser ocupado por outro, como um banco de praça ou um assento sanitário. O que o MTST fez foi uma invasão. Já a ação policial é tratada com sensacionalismo: “PM usa bomba”. Era para usar o quê? Flores? Carteiras de trabalho?

O carioca O Globo não noticiou. A única com objetividade das grandes publicações foi a Veja, que, mesmo não divulgando no Twitter, registrou o fato óbvio: “MTST invade prédio da Presidência da República em SP“.

Seria difícil entender o motivo para a inversão eterna em todos os grandes veículos de mídia do país – que dirá nas revistas e sites menores, sempre mais declaradamente pró-PT, de viés esquerdista e mancomunados com “movimentos sociais”. Por exemplo, João Pedro Stédile, dono do MST, é colunista da versão brasileira do jornal Le Monde. Já o Vermelho.org, cujo nome diz a que veio, posta a manchete hilária “Polícia invade manifestação do MTST com bombas e prende manifestante”.

Seria. Se todos nós, pessoas normais, não já soubéssemos o motivo por décadas.

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