Movimentos sociais agora culpam o Estado pela tragédia anunciada no Paissandu. O que o Estado fez de errado foi ser omisso em proibir os próprios movimentos sociais de estarem ali.

O MST, o MTST e suas subdivisões atuam de maneira ostensivamente repetitiva: invadem locais que chamam de “improdutivos” ou sem “uso social”, transformam o lugar num grande lixão onde as últimas palavras a serem pensadas são “higiene” e “dignidade”, auferem um lucrinho com pequenas atividades como a cobrança de “aluguéis” (o que usam como ameaça de despejo aos inadimplentes?), o tráfico de drogas e outras atividades do lumpesinato, e enfrentam a polícia e a lei quando a degradação e o risco de vida se mostram perigosos, e não apenas malcheirosos, adicionando-se a típica logorréia de chamar de “fascista” quem busca salvar as pessoas daquela condição subumana.

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Há algo típico no discurso da esquerda: suas frases são soltas, não formando um todo coerente, um grande conglomerado teórico evitando contradições, falhas e saltos.

Neste momento, a desculpa da esquerda é a de que a culpa, obviamente, não poderia cair sobre os movimentos sociais, mas sobre o Estado. Ora, qual seria a culpa do Estado? Ser omisso e não impedir que os mesmos movimentos sociais invadissem o prédio e o transformassem em um chiqueiro inflamável. Ou seja, a esquerda admite, sem perceber, que a culpa é que o Estado não entrou com a polícia e obrigou todos a saírem de lá. E quem é que impede o Estado de cumprir tal papel, com uma série de liminares protocoladas pelo Ministério Público? Exatamente os mesmos movimentos sociais…

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A dinâmica, portanto, é a de Oroborus, uma cobra mordendo o próprio rabo. É um pensamento absolutamente falho e auto-destrutivo, mas é justamente o que encanta adolescentes e pós-adolescentes com pouca capacidade de desconfiar de discursos que líderes lhes entregam prontos para serem repetidos robotica e inconscientemente.

Os líderes têm dividendos políticos fáceis com esta dinâmica, enquanto jornalistas, jovens universitários e leitores de manchete caem facilmente no discurso mavioso de que os tais “movimentos sociais” são pura boa intenção, caridade e talvez até um pouco de abnegação.

A notícia de que os líderes cobravam aluguéis dos habitantes desesperados das ocupações em condições subumanas, com portões trancados às 19h, lixo acumulado no fosso dos elevadores até o quarto andar, proibição de visitas para inadimplentes e moradores que gritam para repórteres na primeira oportunidade que os líderes mandam e desmandam, simplesmente acaba com o sonho da puberdade da esquerda.

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Enquanto a visão da população não se inverter sobre esses movimentos sociais, mortes continuarão ocorrendo. Afinal, movimentos sociais são justamente isso: jagunços que impedem que os pobres saiam de condições subumanas, degradantes e indignas, porque “lutam por eles”, para continuarem em risco de vida.

Enquanto os prédios invadidos estão de pé, enquanto os barracos não são levados por enchentes com bebês tragados por rios e esgoto, enquanto tudo parece apenas “luta por moradia”, professores, jornalistas, intelectuais e todo o establishment do palpitariado diz que é fascismo tirar pessoas “que só buscam moradia” de lugares que podem pegar fogo sem aviso.

A única esperança é que não importa o quanto somos bombardeados por este discurso na vida: qualquer incêndio sempre nos mostra que o caminho para o inferno é pavimentando com boas intenções e discursos edulcorados de intelectuais falando em nome de um povo que oprimem.

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