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Fake News: Gilberto Dimenstein acusa Deus e o mundo de “ligação” com o MBL e passa vergonha

Dimenstein, o criador do Catraca Livre, acusou meio mundo de "ligações legais e ilegais" com o MBL. Envergonhado, apagou o post.

Gilberto Dimenstein, dono do site Catraca Livre, fez um post em sua página acusando Deus, o mundo e este pobre Senso Incomum de serem mancomunados com o MBL, o Movimento Brasil Livre, um dos principais movimentos de rua ativos no impeachment de Dilma Rousseff, a ex-presidente.

Em um texto forçando a linguagem até conseguir dar a entender sem dizer que acusou, Dimenstein diz que está fazendo um “desafio” a seus leitores, apresentando um infográfico presenteado por algum leitor, que encontra “as supostas ligações digitais do MBL legais e ilegais, numa poderosa máquina de formação de opinião nas redes sociais” (grifos nossos).

Assim, dá a entender que quem tem opiniões diferentes do petismo-lula-não-sabia-de-nada-foi-golpe, só as tem porque é manipulado por uma poderosa máquina de opiniões (bem diferente do seu Catraca Livre, é claro), que pode chegar até a receber dinheiro ilegal (Dimenstein, contudo, não mostra em momento nenhum quem estaria na ilegalidade).

Envergonhado com a reação dos próprios leitores, que caíram na gargalhada e o acusaram de espalhar fake news, Dimenstein se viu forçado a apagar o post.

Gilberto Dimenstein acusa Senso Incomum de ligações com o MBL

Gilberto Dimenstein acusa Senso Incomum de ter ligações possivelmente ilegais com o MBL

Segundo o dono do Catraca Livre, a investigação levou 6 semanas de jornalismo investigativo. Fica-se a dúvida de como se gastou tanto tempo simplesmente para elencar a lista de colunistas dos referidos sites, encontrável em menos de um minuto em cada um deles.

Após apagar o post, envergonhado, Gilberto Dimenstein tentou mais uma vez um ataque, tendo de novamente apagar o post alguns minutos depois:

Gilberto Dimenstein acusa Senso Incomum de ligações possivelmente ilegais com o MBL

O site Guerra Política, também acusado, compilou algumas reações hilárias de seus leitores.

A teoria da conspiração de Gilberto Dimenstein dança na corda bamba, fingindo que tal acusação não acusa nada para evitar a calúnia (alguém postaria que se pode possuir “ligações legais ou ilegais” sem querer dizer apenas ilegais?): não há simplesmente nenhuma menção a Gilberto Dimenstein ou a Alexandre Schneider neste Senso Incomum antes desse texto. Sua acusação é uma mentira, calcada em outra mentira, com mentiras para justificar a mentira anterior.

Contudo, chega a ser até engraçada a alegação de que nós pensamos o que pensamos por ordem do MBL, pois imaginar alguns colunistas deste site na mesma sala por algum tempo com os membros do MBL poderia render manchetes no programa do Datena.

Para Gilberto Dimenstein, alguém pensar diferentemente do petismo, da esquerda, do Catraca Livre e de Gilberto Dimenstein só pode ter acontecido por um comando central unificado. Não porque as pessoas que não são de esquerda simplesmente usem sinapses e cheguem à conclusões diferentes de Gilberto Dimenstein, do Catraca Livre e de toda a grande mídia.

Fake News do Dimensgate

É ainda mais curioso que Dimenstein tente atacar pessoas que o atacam na base da crítica ao financiamento. Este Senso Incomum, por exemplo, como Dimenstein “descobre” após 6 semanas de “jornalismo investigativo”, possui anúncios e patrocinadores, que recebem conteúdo exclusivo. Ou seja, apenas quem quer nos pagar paga por conteúdo.

Será que se Dimenstein tivesse voltado suas seis semanas de jornalismo investigativo para sites de esquerda, como os amigos do Catraca Livre, será que lograria o mesmo resultado? O próprio Catraca Livre, por exemplo, já captou R$ 1,1 milhão via Lei Rouanet, podendo subir o montante para mais R$ 2,2 milhões. Quem deve chamar a atenção pelas, digamos, “ligações” para formar uma “poderosa máquina de formação de opiniões nas redes sociais”?

Na verdade, há uma verdadeira máquina poderosa de assassinato de reputações nas redes sociais, como já relataram Romeu Tuma Jr. e Cláudio Tognolli em dois livros (tanto sobre o crime de Estado do PT quanto indo além da Lava Jato). É uma máquina de desinformação em sentido estrito: um comando central planta informações unificadas, tratadas como possível verdade, apenas para que o espalhafato subseqüente traga efeitos negativos sobre adversários que não consegue vencer no campo da argumentação (a ironia é a acusação de que as pessoas normais, trabalhando em pequenos sites, fariam exatamente o que se está fazendo de verdade).

É o que chamei em meu livro de infowar, ou atualmente, de netwar, tomando emprestado os conceitos militares americanos. Seu objetivo é determinar decisões alheias, através de comando e controle via propaganda. São narrativas plantadas na mídia para neutralizar opositores que não se pode vencer nos modelos tradicionais (execução, prisão, argumentação).

Como o único campo em que o PT, a esquerda, a grande e velha mídia, os sindicatos e outras organizações verticalizadas não têm controle absoluto da narrativa é a internet, a infowar se torna netwar, com boatos plantados em rede para serem replicados.

É daí que surge o conceito de fake news (noticias falsas), tentando retomar o que é “lícito” que se leia: qualquer informação contrária à narrativa de esquerda é tratada como “inválida”. Não por mera coincidência, o Catraca Livre de Gilberto Dimenstein é um dos principais acusadores de “notícias falsas” pela internet.

Assim, sites pequenos, que recebem doações e AdSense (muitas vezes, poucas centenas de reais por mês), são vistos como demoníacos e são excluídos, enquanto grandes conglomerados milionários como o Catraca Livre são tratados como coitadinhos, e apenas eles sobrevivem.

Para seu desespero, novamente o feitiço se vira contra o feiticeiro, e o Catraca Livre já foi visto como espalhador de notícias falsas, no modelo “as supostas ligações legais e ilegais”, sem prova alguma.

No desespero para tentar acusar o que não consegue refutar, Gilberto Dimenstein chega a afirmar que o Fofoca News é também um agente de notícias falsas, entre ligações “legais e ilegais”. Seria tudo uma manipulação MBLística que faria surgir textos como esse:

Fofoca News - Carol Castro

Aí já teria sido melhor xingar logo a mãe.

Este Senso Incomum, para criticar o Catraca Livre ou Gilberto Dimenstein, não precisa disseminar historietas, teorias da conspiração e fazer assassinato de reputações com uma torrente de mentiras para sobreviver. Apenas precisamos falar a verdade. E contentamo-nos em pedir contribuições.

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