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Partido Democrata

O socialista confesso Bernie Sanders assusta alguém?

Autoproclamado "socialista democrático", Bernie Sanders venceu caucus de Nevada e algumas pessoas parecem assustadas

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A cobertura dos resultados do caucus de Nevada deixou a bancada da CNN em polvorosa. Na contramão das evidências, como era de se esperar, já queimaram a largada e disseram que Bernie Sanders pode juntar o partido democrata em torno de si, vencer as primárias e as eleições, a despeito, por exemplo, da sua proposta para a saúde, rejeitada por grande parte dos americanos, inclusive parte considerável dos democratas.

No Brasil, como também era de se esperar, a imprensa repercutiu a vitória de Sanders em Nevada e seu possível empate em Iowa com Pete Buttigieg (esse sim um socialista que deveria botar medo em todo mundo, pois de forma alinsqueana está se colocando como moderado e anti-Bernie) com efusão, em uma mistura de wishful thinking e alegria esperançosa.

Mas existem motivos racionais para tanta empolgação?

Descontando a possibilidade do establishment armar outra armadilha com superdelegados para o “Crazy” Bernie (como Trump se refere ao candidato), há ainda muito a se levar em conta:

– o já citado Buttgieg vem se posicionando fortemente como o anti-Bernie. Quando/se sair da corrida, não é certo que seus votos irão para Sanders. O mesmo para Klobuchar e Biden. Os únicos votos que o candidato socialista pode realmente capitalizar são os de Warren, que deve demorar muito para sair da corrida ainda, caso saia.

– Os resultados são bons, mas não são tão impressionantes. Iowa ainda  está em recontagem e o desempenho em Nevada foi semelhante ao de 2016.

A euforia que vocês estão vendo na imprensa brasileira é fruto tanto do desejo oculto de latinoamericanizar os EUA e desconhecimento do funcionamento das primárias (é normal que quando há vários candidatos que existam os “momentuns”, ainda que tudo indique que Sanders de fato deve ser um dos finalistas).

Outro fator que deve pesar nos próximos dias (a Super-Terça de 3 de março, por exemplo) é o desempenho de Bloomberg nas primárias, algo para se prestar atenção.

Outros fatores merecem atenção: Bernie Sanders é um socialista confesso, que no passado admitia que o estilo de vida soviético é superior ao estilo de vida americano:

 

Pesquisas mostram que os americanos estão muito mais predispostos a votar em um negro, hispânico, muçulmano, ateu ou mulher que em um socialista. Ou seja, ter um socialista como candidato pode ser exatamente a fórmula para o fracasso, exatamente como foi o caso recente do Reino Unido com o socialista antissemita Jeremy Corbyn.

Essa análise está longe de absurda. O estrategista democrata James Carville chamou a nomeção de Sanders para a candidatura a presidência de “suicídio político”:

“Se você vai votar nele [Bernie Sanders] porque acha que ele vai vencer as eleições por poder galvanizar partes inativas do eleitorado, então, politicamente, você é um tolo”.

“E isso é um fato”.

“Não há negação possível para isso, há tanta ciência política envolvida, tanta pesquisa, que é isso nem é uma questão passível de discussão”.

“Caso as pessoas estejam contentes com isso e, como democratas, queiram isso, é problema delas. Mas penso que elas não estejam considerando todos os fatores antes de fazer esse julgamento e seguir adiante”.

“Você está descrevendo algo que para muitos parece suicídio político, certo?”, perguntou Nicolle Wallace. “E é”, disse Carville.

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Assuntos:
Andre Assi Barreto

Professor de Filosofia e História das redes pública e privada de São Paulo. Aluno do professor Olavo de Carvalho. Mestre em Filosofia pela Universidade de São Paulo. Também trabalha com revisão, tradução e palestras. Autor de "Saul Alinsky e a Anatomia do Mal" (ed. Armada, 2019)

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