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Saca-rolha

Vera Magalhães compara mortes pela explosão no Líbano e por Covid-19 no Brasil

Vera quis exercitar seu pensamento dizendo que a notícia deveria ser a “pandemia galopante no Brasil”. Afinal, tragédia em Beirute é ótima pra falar mal de Bolsonaro

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A mais de uma pessoa, excluindo-se aqueles que ainda não estabeleceram uma relação com a própria consciência, terá ocorrido a pergunta: “Como alguém desprovido de qualquer atributo intelectual, físico ou motor, tal qual a senhora Vera Magalhães, pode ter o espaço que tem na imprensa brasileira?”

Pergunta muito justa, diga-se. A outros, os ungidos defensores do pensamento mágico, ocorre-lhes a pergunta: “Por que vocês dão espaço a essa mulher?”

Sem me estender muito, o que pretendo é divagar sobre a primeira pergunta, desprezando quem acha que fechar os olhos e a boca àquilo que lhe parece estranho é alta filosofia. Aliás, uma responde a outra. Foi essa atitude esnobe de quem se acha muito acima das disputas corriqueiras, de quem é indiferente ao que é humano, que permitiu a ascensão de tipos maquiavélicos, como Lula da Silva e José Dirceu, tipos infantilóides, como Luciano Huck e Felipe Neto, ou tipos mesquinhos, como a senhora Vera Magalhães e a senhora Miriam Leitão, só pra ficar nos casos extremos. A lista é infinita.

Vamos ao que nos interessa. Não deu saída. Voltamos a ela. Vínhamos numa boa toada, tratando apenas de nulidades relevantes, com passe livre nas altas rodas do poder, mas, como nada dura para sempre, voltamos ao tema preferido quando a indisposição nos ataca, quando o intestino se revolta e o desenfado se torna urgente: Vera Magalhães. A verdadeira heroína das insignificâncias, a Cicciolina dos assexuados. 

Seu último tuíte comparando as mortes causadas pela explosão no Líbano com as que ocorrem no Brasil pela Covid-19 é a clara demonstração de quem está morta por dentro, como bem disse meu amigo Filipe Trielli. Vera não conhece limites, nem mesmo os do seu país. 

verus-maga

E Vera tem espaço pois é de um tempo em que as mídias sociais ainda não haviam se desenvolvido plenamente. Logo, bastava a qualquer pateta bajular o pateta imediatamente superior e sua carreira tinha grandes chances de decolar. Nas redações criava-se o transtorno da percepção diferenciada, uma espécie de doença da alma que afeta o senso das proporções tornando a pessoa imune a outro senso: o do ridículo. Assim, mesmo diante de uma evidência, ela tem sempre que adicionar certas cores inexistentes, como se só ela pudesse perceber a essência oculta de um jato de xixi.

Vieram as redes e o grau do transtorno acentuou-se. Vendo-se cercados de pessoas comuns com visões de mundo mais elaboradas, os transtornados passaram a agir com ainda mais crueldade  diante de um fato. E mais: farão de tudo para provar que, mesmo diante de mais óbvia das evidências, o mundo está errado. Eles não podem ver as pessoas comentando algo que não lhes pareça relevante. No caso de Vera, só as mortes do Covid importam, só se pode falar nelas, tem que ser esse o único assunto pois, pensa a moça, Bolsonaro é o culpado por elas. 

Alçada a âncora de um programa que tinha uma boa reputação, Vera pulverizou sua audiência, transformando o show num teatrinho para convertidos e, claro, puxa-sacos. 

Vera é o arquétipo de uma classe inculta que deu a si o peso de um profeta, é a consagração do prato sujo como alta culinária, hostil aos olhos e ao sabor. Ser louvada a ponto de possuir o que o refinamento convencionou chamar de manteigueiros lambe-botas no seu entorno, debruçados feito pingentes num dockside, escancara o quanto alguém se rebaixa para ter seus minutinhos de fama, seja recebendo afagos da tia ou, os mais ávidos, almejando voos mais altos, como acoplar o fofo na poltrona de entrevistadores do finado programa Roda Viva.

Lêdo Ivo, num texto delicioso chamado Leitura e Paisagem, discorrendo sobre o leitor de ocasião, que busca a todo custo distrair-se, diz que “o autor, sempre no alto das páginas e a tudo vigiando no mistério de sua assinatura, pode seguir de má vontade a esse comprador indesejável, sentindo que, nessa eleição, ele está sendo usado às avessas, atendendo a um faminto que não previu, a um leitor que passará de suas hipálages e, de sua mina, quererá apenas a gema da intriga”. Eis como a realidade se porta frente aos nossos jornalistas. 

oompavera


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Carlos de Freitas

Carlos de Freitas é o pseudônimo de Carlos de Freitas, redator e escritor (embora nunca tenha publicado uma oração coordenada assindética conclusiva). Diretor do núcleo de projetos culturais da Panela Produtora e editor do Senso Incomum. Cutuca as pessoas pelas costas e depois finge que não foi ele. Contraiu malária numa viagem que fez aos Alpes Suiços. Não fuma. Twitter: @CFreitasR

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