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Luciano Huck diz de uma de suas mansões que ninguém é rico no Brasil com tanta desigualdade

Em evento online, o apresentador disse também que quer sair de sua zona de conforto e dar contribuição ao debate no País

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O vão entre a elite falante brasileira e a realidade não para de aumentar. Sem a velha aura de respeitabilidade, as celebridades midiáticas estão numa verdadeira cruzada contra a lógica elementar e transformaram sua visão de mundo em birra. As opiniões dos famosos provam, em sua maioria, apenas os anseios autodestrutivos de personalidades ressentidas que não toleram críticas.

Só isso explica a profusão de reportagens na velha imprensa que insistem em deslegitimar a visão do indivíduo comum. Contestados como nunca foram, a nata tagarelante brasileira sentiu-se destratada por gente que eles sempre trataram como inferiores e isso se converteu numa verdadeira síndrome da percepção diferenciada. Só eu enxergo o mundo como ele realmente é, pensa o portador da síndrome. 

É a velha máxima marxista¹: “Afinal, você vai acreditar em mim ou nos seus próprios olhos?” O filme Cuties é um claro exemplo disso. É preciso alçar-se acima das interpretações corriqueiras, mesmo que elas já tenham elucidado o problema. Outro exemplo é a forçação de barra com o nome de figuras insossas, como Luciano Huck, por exemplo. As falas sobre política da personalidade nasal mais sem graça do universo midiático têm recebido uma atenção desmedida por parte da mídia.

A forçação da vez foram suas críticas no encerramento de um evento sobre o futuro do varejo na pós-pandemia. Deve ser mais um daqueles eventos em que gente muito, mas muito endinheirada mesmo cria chavões de consumo consciente e respeito ao planeta para ficar ainda mais trilhardários.

“Ninguém é rico no Brasil enquanto houver tanta desigualdade”, disse o apresentador. É muita modéstia para quem deve ter uma fortuna na casa do bilhão. É como o Lebron James dizer que ninguém é alto enquanto houver anões. A opinião do Pernalonga sobre o positivismo francês possivelmente tem mais elementos lógicos que o discurso do apresentador napo-brasileiro. 

Em 2011, a antiga revista Veja já apostava suas fichas na nova cara do bom mocismo. Para a revista, no mundo politicamente correto, o casal Huck e Angélica era o modelo perfeito.

Huck, junto com Amoedo, é um dos recordistas de postagens no Twitter com conteúdo neutro: aquele que, apesar do bom número de caracteres, não traz significado algum. É um festival dos clichês mais batidos da curta história do homem sobre a Terra, tais como, água é vida, natação é um esporte completo, o PT roubou para dar aos pobres, foi golpe, é de um amigo meu. 

Já Angélica, que tece loas empolgadissimas ao vibrador (considerando o ânimo que o apresentador demonstra no seu caldeirão, dá pra dizer que uma bic quatro cores faz mais pela Angélica do que ele), ninguém liga muito para quem é, de modo que é absolutamente desnecessário fazer um breve retrato da moça. Basta dizer que é aquela da pinta na perna e toda a cosmologia da sra. Huck resta decifrada.

A mídia elevou um casal mais sonolento que torneio sênior de bocha, revestindo-o de um engajamento político tão irreal quanto sua própria credibilidade. É muito tempo perdido na lapidação de uma pedra falsa.

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¹ Chico Marx (1890-1977), um dos únicos marxistas sérios. Os outros são Harpo e Groucho

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Carlos de Freitas

Carlos de Freitas é o pseudônimo de Carlos de Freitas, redator e escritor (embora nunca tenha publicado uma oração coordenada assindética conclusiva). Diretor do núcleo de projetos culturais da Panela Produtora e editor do Senso Incomum. Cutuca as pessoas pelas costas e depois finge que não foi ele. Contraiu malária numa viagem que fez aos Alpes Suiços. Não fuma. Twitter: @CFreitasR

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