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O lockdown das estrelas: a vida simples das celebridades brasileiras na pandemia

Não saia de casa por nada desse mundo! Afinal, nossas sumidades não são obrigadas a cruzar com gente comum naquela escapadinha de fim de semana em Búzios, Ilhabela, na Vieira Souto ou no Fasano

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O mundo colorido das vedetes e dos galãs brasileiros sempre esteve ameaçado. Toda vez que um candidato a novo Laerte Morrone ou Irene Ravache planeja suas férias em Fernando de Noronha, seu passeio pela orla da avenida Paulista ou sua trilha na estrada velha de Santos, resta aquele inconveniente apavorante: encontrar gente comum por lá.

Basta que um moderno Sérgio Chapelin – de cock e meião do Darth Vader – queira ir à academia para que um troço horripilante chamado gente já esteja entupindo com repetições de exercícios as máquinas de rosca direta e leg press.

Calcule o inconveniente que é para qualquer rascunho de ditador, que ama fundir as pregas e as bolas no brim das calças, olhar para o lado e se deparar com aquela coisa meio repulsiva chamada vizinho (embora alguns façam jus à repulsa).

O fato é o seguinte: no ethos das celebridades, do artista mais descolado ao político mais demagogo, existe uma profunda aversão àquilo que a moderna sociologia costuma chamar de povo.

Essa entidade programada para melar o humor refinado da nossa elite linguaruda vive à espreita, pronta para importunar a atual Claudia Raia. 

No “novo normal” – que transformou o mundo numa espécie de área VIP das celebridades – o trabalhador honesto virou a grande ameaça. Posso calcular os esgares de nojinho quando o vigente Marcos Frota vê, de sua varanda gourmet, a notícia de que um comércio foi flagrado – vejam, vocês! – funcionando.

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É muita desfaçatez! Numa hora dessas só mesmo pedindo um bom filet au poivre com risoto de manga pelo iFood para amenizar a revolta. E depois marcar uma nova viagem ao Chile – o Deserto do Atacama é uma ótima pedida para aliviar a indignação contra esses peões genocidas.

Ser benevolente cansa, afinal. E quando um perfil anônimo do Twitter, i grandi Nandx, resolve escancarar nossos hábitos, recomendados pelo achismo científico da mídia, aí é que o bicho pega mesmo. Jornalista precisa de ar fresco, oras! 

E o artista que se sacrifica para gravar uma novela – item de suma necessidade para a confusão mental corrente – não merece que as ruas, estradas e aeroportos fiquem à sua disposição para uma chegadinha em Mikonos ou Gramado?

Com esse espírito de solidariedade é que essa coluna homenageia o lockdown das estrelas, a quarentena das celebridades. É nossa singela continência para com aqueles que tanto fazem pelo país, chamando o presidente de Bozo, tirando selfie em Maceió e exigindo aos berros que todos fiquem em suas casas.

Para melhor proveito, veja (até o final) essa sequência de tuítes ao som de Keep it comin’ love, de KC and Sunshine Band. É o crème de la crème da tartufice.

Obrigado, Nandx


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Carlos de Freitas

Carlos de Freitas é o pseudônimo de Carlos de Freitas, redator e escritor (embora nunca tenha publicado uma oração coordenada assindética conclusiva). Diretor do núcleo de projetos culturais da Panela Produtora e editor do Senso Incomum. Cutuca as pessoas pelas costas e depois finge que não foi ele. Contraiu malária numa viagem que fez aos Alpes Suiços. Não fuma. Twitter: @CFreitasR

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