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Perigo

Felipe Neto apaga tweet defendendo violência contra supostos “supremacistas”

Youtuber acusou Filipe Martins de ligações ao “supremacismo branco” e diz ser contra violência, exceto a quem chama de “supremacistas”. Filipe agora recebe ameaças de morte

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Felipe Neto deu mais um passo em uma tática política perigosíssima para a qual estamos alertando desde janeiro de 2020: a esquerda e o jornalismo preconizam violência física contra supostos “nazistas”, o que seria até compreensível. A seguir, chamam de “nazista” todo mundo que tenha com eles qualquer divergência. O caso merece investigação policial, pois a integridade física de muitas pessoas está sendo colocada em risco.

Conforme relatamos, Felipe Neto, que hoje é o guru intelectual e espiritual de toda a grande mídia, fez uma lista de tweets dando a entender que Filipe Martins, assessor para assuntos internacionais da presidência, seria um “supremacista branco”.

Essa turma não vê problema em chamar Filipe Martins de Sorocabannon, tratando-o como um vira-lata por ser do interior do país, depois criticá-lo por apoiar Israel e reconhecer Jerusalém como capital do Estado judaico, e ao mesmo tempo afirmar que ele seria um “supremacista branco” com gestos supostamente anti-semitas.

Filipe Martins, acusado de “gesto anti-semita”

Coerência não é o forte de progressistas. Nem lógica básica ou silogismo. São sofistas 2.0, de cabelo colorido, imitando foca e mandando crianças para fóruns de pedófilos, “para combatê-los”.

Felipe Neto, seguido e compartilhado por todos os jornalistas como se fosse um Jesse Jackson a palestrar sobre como o Ocidente precisa ser destruído, logo após exigir que Filipe Martins “prove” não ser um supremacista branco, como se o ônus fosse dele e não daqueles que o acusam, fez uma série de tweets (uma thread) que começa afirmando que “Não é de agora q Filipe G. Martins é associado com supremacistas” (sic).

Para coroar o bolo cerejosamente, compartilhou uma thread de tweets de uma tal Maria Bopp, com agressões físicas a supremacistas.

Por fim, soltou as seguintes palavras: “Eu sou contra a violência com animais (sic), o que inclui seres humanos. Não considero racistas, neonazistas e supremacistas dignos de pertencer a esse reino.” Já o erro gramatical atesta que, provavelmente, foi o próprio Felipe Neto quem escreveu. 

Felipe Neto deve gastar bastante com uma equipe de Relações Públicas. Quando posta alguma coisa sozinho, sem ser alguma empresa/entidade/partido ou qualquer um com interesses políticos que utiliza seus 13 milhões de seguidores para interesses particulares, acaba fazendo caquinha. Alguém deve ter ligado para o “gênio adolescente” de 33 anos e avisado que ele deveria apagar o tweet (link original aqui). Alguns rastros permaneceram. 

Mas aqui vai um print maroto, desses que Felipe Neto consegue fazer desaparecer milagrosamente (até quem repete seus tweets tem o tweet apagado, e mesmo máquinas de cache “perdem” os tweets quando Felipe Neto fala caquinha).

https://twitter.com/felipeneto/status/1375116864079155209

Conforme questionamos, será que podemos dizer que somos contra matar a pessoas, mas não incluímos extremistas de esquerda na categoria “pessoas”, e a seguir elencar Felipe Neto como extremista de esquerda? Porque Felipe Neto faz isso impunemente. Ou existe uma lei para todas, ou Felipe Neto está acima das leis. 

Conforme também já analisamos em janeiro de 2020, o código que Felipe Neto quer passar é claro: nazistas merecem ser mortos. A seguir, basta chamar todo mundo de nazista

Afinal, quem mata 6 milhões de judeus talvez mereça mesmo tomar um chute nas nozes nas ruas. Aí depois você ajeita o vinco da lapela e um Felipe Neto berra: “Tá vendo?! Matou 6 milhões de judeus!!! Violência física é completamente aceitável!”

Isto sim é o chamado dog whistle: o apito de cachorro que só a militância entende. Felipe Neto apitou na frente de todo mundo: a violência é aceitável contra seus desafetos políticos. Mas, praticamente confessando a culpa, apagou o tweet corajosamente depois, fazendo com que seus registros não apareçam nem no WayBack Machine.

Fica a dúvida: Felipe Neto diz que Filipe Martins “é associado a supremacistas”, e diz que “violência contra humanos é errado, mas supremacistas não são humanos”? É isso mesmo? Pode? Alguém com tal emblema pode fazer live com ministro do STF? Não cabe investigação policial? 

Além do flerte com a calúnia, há com a incitação à violência. O dog whistle mostra que existe justamente um “gabinete do ódio” contra não-revolucionários progressistas.

Abaixo, algumas das ameaças de morte que Filipe Martins passou a sofrer e que sua assessoria jurídica pretende utilizar nos tribunais contra aqueles que o acusam irresponsavelmente de algo que ele sempre abominou. E logo, seremos nós. Daí para um Adélio Bispo aparecer e fazer o trabalho sujo é questão de dias.

Gostaríamos de saber se a Polícia tomará providências para proteger a nossa integridade física, cada vez mais ameaça no país por discordar de milícias virtuais, enquanto que nós é que somos acusados de “ódio”, por coisas como ajeitar um vinco de um terno ou qualquer outro gesto involuntário.


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Flavio Morgenstern

Flavio Morgenstern é escritor, analista político, palestrante e tradutor. Seu trabalho tem foco nas relações entre linguagem e poder e em construções de narrativas. É autor do livro "Por trás da máscara: do passe livre aos black blocs" (ed. Record).

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