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A repercussão da morte de David Bowie serviu para que eu me interrogasse. Como afirmei em meu perfil no Facebook, no dia 11 de janeiro deste ano, “Acabo de descobrir que cheguei aos 56 anos apenas com uma vaguíssima idéia de quem foi David Bowie. Seria uma imperdoável lacuna na minha formação cultural?”.

Houve quem visse nessas duas frases, principalmente na interrogação da segunda, certa ponta de ironia, típica do conservadorismo moralista. Outros, fãs ardorosos de Bowie, acreditaram que apenas afetei desconhecimento — ou seja, fui pedante, motivado por obscuras razões. Vários, contudo, entenderam as duas frases como realmente são: uma afirmativa sincera e sua conseqüente interrogação perplexa.

A rapidez com que as informações, nas redes sociais, são esquecidas não permitiu, no entanto, à maior parte dos meus leitores a reflexão menos superficial: — Seríamos quem somos se tivéssemos todos os mesmos gostos?

À parte essa constatação, é lícito que muitos se perguntem: como é possível alguém nascido na segunda metade do século XX, e ainda lúcido em 2016, desconhecer David Bowie? Como é possível que tal homem alegre-se, ame e escreva sem apreciar David Bowie? Como é possível que esse curioso espécime consiga viver sem que suas emoções — ou ao menos parte delas — se vinculem de alguma forma às canções de David Bowie?

Poderíamos seguir com as perguntas, aprofundando-as: encontra-se, na ordem universal das coisas, alguém que possa ter experiências estéticas genuínas sem conhecer David Bowie? E, existindo tal criatura, ela realmente pode se considerar inteira e ter uma vida completa sem conhecer David Bowie?

Não sei se os fãs de David Bowie, pensando em Dmitri Shostakóvich, fazem a si próprios tais perguntas…. Ou se os adoradores de Mano Brown, a fim de diversificar sua sensibilidade estética, costumam ouvir Bowie e Shostakóvich…

De qualquer forma, tenho justificativas para o fato de Bowie não fazer parte do meu universo.

Nasci numa família de classe média numa cidade do interior paulista, hoje tão descaracterizada como outros centros urbanos do Sudeste. Em casa, e na casa de meus avós paternos, sempre ouvimos música. Sempre.

Na casa de meus avós, que visitávamos quase todos os domingos, havia uma discoteca significativa. Naquela época, entre 1960 e 1975, eles ainda ouviam discos de 78 rotações. Nas tardes de domingo, enquanto os adultos jogavam víspora ou buraco, os bolachões se alternavam na vitrola — e com o passar dos anos tornei-me o responsável por esse trabalho. Eu era o DJ das reuniões familiares. E o que escutávamos? Primeiro, em primeiríssimo lugar, alguns cantores líricos, como Beniamino Gigli, Caruso, Schipa, Mário del Monaco, Renata Tebaldi, Maria Callas e outros. Parte significativa do repertório operístico estava lá, à mão, principalmente Verdi, Mozart e Puccini. Só descobri Wagner anos depois, no final da década de 1970, quando um amigo que estudava teosofia me apresentou Der Ring des Nibelungen, salientando o que ele chamava de “características iniciáticas” desse ciclo.

Depois, seguindo uma hierarquia flexível, vinham alguns intérpretes de canções brasileiras, principalmente Carlos Galhardo, Dalva de Oliveira, Orlando Silva e, o meu preferido, Francisco Alves.

O repertório era diverso em minha própria casa. Ali, quando meus pais reuniam os amigos, imperavam Nat King Cole e Frank Sinatra. Mas foi meu pai quem me apresentou Beethoven, Chopin, Brahms e todo o variadíssimo repertório da música erudita. Anos depois, entre o final do colégio e o início da faculdade, descobri por conta própria — visitando semanalmente a antiga Bruno Blois, em São Paulo — Pierre Boulez, Stockhausen, Arnold Schönberg e, mais tarde, Philip Glass.

Voltando a meus avós, eles não apenas ouviam aqueles cantores líricos. Ainda que fossem diletantes, comparavam e julgavam diferentes interpretações da mesma ópera, pois minha avó fora, na juventude, exemplar estudante de piano, arte que abandonou por conta de um acidente caseiro, no qual perdeu o movimento e a sensibilidade do indicador direito. Ela, mais que meu avô, transmitiu-me seu amor pela música lírica — e eu o ampliei e atualizei. Tive a alegria de apresentar a ela, pouco antes de sua morte, dois de meus cantores prediletos, o barítono Dietrich Fischer-Dieskau e o baixo Nicolai Ghiaurov.

É verdade que, no colégio, influenciado por colegas e amigos, escutei Rick Wakeman, Pink Floyd e Alice Cooper, são os que me lembro, mas quando ouvia essas músicas era como se não me atingissem. Por trás da minha atenção vibrava, por exemplo, a singela humanidade de Papageno — personagem da ópera A flauta mágica, de Mozart — em sua ária Der Vogelfänger bin Ich ja; ou sua lírica tristeza em Papagena, Papagena! Weibchen! Täubchen!.

Esforcei-me para ser contemporâneo dos meus contemporâneos. Lembro-me de certo sábado à noite, em que fui ao cinema com amigos para assistir a um documentário sobre Janis Joplin: a expectativa era grande, a fila virava o quarteirão — e eu me interessava sinceramente pela cantora. Iniciado o filme, passados quinze ou vinte minutos, eu dormia… Horas depois, numa lanchonete, um colega me censurou, acusando-me do que ele entendeu ser “desprezo elitista” (sim, o marxismo já poluía nossa visão de mundo). Mas o que eu podia fazer? Estava além das minhas forças, da minha personalidade. Não se tratou de uma escolha consciente — apenas vivia e alimentava minha sensibilidade com outras músicas.

Estas notas autobiográficas não são, entretanto, um mea-culpa. Penso, como Ortega y Gasset, que “em vez de desatarmos o pranto sobre as nossas limitações, devemos utilizá-las como quedas d’água para o nosso benefício”.

Se a condição humana — e a experiência de cada homem — é e será sempre limitada e finita — ou, como afirma Ortega, “constituída por negatividades” — o que devemos fazer com aqueles que nunca se interessaram por Bowie?

O que falta a esses homens é o que “substancialmente” eles são, diz o filósofo. Ou seja, “negatividades” são, na verdade, “positividades”. Assim, de minha parte, procuro fazer o que Ortega propõe: não pretendo transformar meus semelhantes em adoradores de Mozart, da mesma forma que não me disponho a conhecer a discografia de Bowie. Ao contrário, reconhecendo nossos limites, quero sublinhá-los, quero apoiar-me neles para, “como o pássaro se apóia, para voar, na resistência negativa do ar, imaginar o modo de aproveitar esse destino e torná-lo saboroso e fértil”.

“A cultura foi sempre aproveitamento de inconvenientes”, lembra Ortega y Gasset. A visão realista do filósofo serve para os que amam Bowie, para os que o desconhecem e também para os que o desprezam. Subjacente a essas idéias vibra, na verdade, um elogiável juízo anti-utopista, que não sonha com o tempo no qual “o homem deixará de ser perigoso para o homem” — o tempo diabólico em que seríamos todos iguais.

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  • caio

    Achei bowie bem overrated, qualquer banda de rock nos anos 70 faziam bem melhor e ninguem da tamanha importancia, vide Keith Emerson do ELP

  • Fernando Paixão

    sempre inteligente e interessantes seus comentários professor, me identifiquei muito com suas palavras.
    Abraço

  • Alex Esteves da Rocha Sousa

    Aproveitando que se trata de música pobre ou erudita, eu gosto de ver e ouvir a Adele em ação. Não só pela forte e afinada voz de contralto, mas também pelo figurino bem cuidado, enfim, pela boa figura que ela faz, bem diferente daquelas cantoras que evidenciam uma vida conturbada. Mas, eis que o G1 inventou de compará-la a Pablo do Arrocha, dizendo que ambos cantam sofrência… Isso me deixou perplexo, porque Pablo do Arrocha, com sua voz absurdamente rasgada e letras sofríveis, é de um mau gosto atroz, pelo que, quando o escutei, sempre foi de modo compulsório, em razão da solidariedade de vizinhos que desejavam compartilhar com o mundo a sua erudição musical – a mesma parte do cérebro que gosta de música ruim deve ser responsável por gostar de volume alto. Algum crítico disse que a voz de Adele é boa demais para letras tão pobres, algo assim, e talvez tenha razão, mas sinceramente me recuso a compará-la a qualquer ícone da sofrência. É lamentável que o G1 despreze tanto assim a diferença entre o lixo e as flores.

  • Alex Esteves da Rocha Sousa

    Ao leitor Leo Fávaro: o “por que” do título está correto, pois, ainda que sem o ponto de interrogação, o autor está a afirmar por que razão não ouviu David Bowie. Na dúvida, é só perguntar se dá para escrever “por que razão/motivo”. Por exemplo, em seu comentário, há um “porque” que não pode ser substituído por “por que razão/motivo”: “Talvez você nunca tenha o ouvido PORQUE estava ocupado escutando coisas que lhe parecem melhor”. No mais, achei bem curioso você incluir Mano Brown (arrrrrrgh) numa lista com Caruso, Verdi e Pink Floyd. Mas seu gosto deve ser bastante eclético.

  • Eu li o texto e dá pra entender o ponto de vista do autor, ainda mais que ele não deve curtir muito o Rock – ou demonstra interesse vamos dizer a verdade, ainda mais que suas músicas favoritas por via de regra são eruditas.

    Por via de regra quem conhece e gosta de Rock inevitavelmente acaba descobrindo o Bowie. E na maioria dos casos acaba gostando do som do cara. Como no meu caso. Opinião minha, mesmo com o estilo extravagante, eu vejo que ele foi um grande músico.

    Sobre uniformização dos gostos, existe uma consequência que se chama “ecletismo” que, sendo bem honestos, é uma pessoa que diz que ouve de tudo, mas que na verdade não tem gosto ou ouvido pra boa música.

  • Leo Fávaro

    Oi Professor! Primeiramente, gostaria de lhe parabenizar pela escolha do tema. Lendo o título, me perguntei: por que alguém nunca ouviu Bowie? (Em tempo, vale deixar claro que quem me encaminhou o link foi minha prima Larissa, de 9 anos, que mora no interior do Espírito Santo, mas já ouve o artista – sim, acredite.)
    Lendo seu material, na metade dele, voltei o título para saber se você se perguntava a razão de não ter escutado Bowie (neste caso, senti falta da interrogação ao fim do título) ou se faria do texto seu espaço de reflexão ou justificativa para explicar o fato de não conhecer as obras dele (neste caso, smj, o “por que” deveria ser junto. Não?!). Quando me dei conta de que fiz esse exercício, percebi que seu texto é um tanto desinteressante, chato – melhor: com leitura nada fluída, com desenvolvimento agarrado. Ao menos, na internet podemos dizer que quem lê esse texto é um público direcionado, diferente de uma revista de massa. OK.

    Um segundo aspecto que abordo é o seguinte: você socorreu-se a músicos clássicos e importantes para dizer que não ouviu alguém clássico e importante como Bowie. E isso é ótimo, pois não conhecer algum artista não faz você mais pobre ou limitado, culturalmente falando. Eu, mesmo, vivo embalado por músicas boas, que podem ir de Piaf a Hozier, de Bach a Suíte 14, de Marisa a Smiths. Mas não é porque não conheço Chico Buarque que sou limitado, analfabeto cultural ou qualquer similar. A resposta é simples para isso: desinteresse.

    Nunca ouvi Chico (nada além do que é mainstream ou do que toque no aleatório em rádios) simplesmente porque ele me soa desinteressante, chato, como algo que não me apetece. Errado? Não. Opção, talvez. E acredito que sua questão com o Bowie bata na mesma barreira. Talvez você nunca tenha o ouvido porque estava ocupado escutando coisas que lhe parecem melhor. Simples.

    (Considerando a “simplicidade” da questão, tomo liberdade para dizer que seu texto é muito pouco pragmático, sofismado do demais para responder uma não-questão que poderia ser respondida de modo mais concreto. Mas o entendo e o respeito – é seu tipo de texto, é sua identificação por palavras, é a licença literária, e você, principalmentr por especialista foda (usei o termo propositalmente, como um adjetivo super positivo) que é, tem propriedade ao fazê-lo.)

    Por fim, a importância de Bowie não se restringe a sua própria obra, e eu ousaria dizer que você já ouviu, sim, Bowie, mas de alguma outra forma e por algum outro artista. Isso basicamente por causa de sua grandiosidade artística que, como disse, não sr limitou à própria obra, apenas. Se você ouviu Lou Reed ou Iggy Pop, você ouviu Bowie. Se você ouviu Madonna ou Lady GaGa, você ouviu Bowie. Se você ouviu Nirvana ou Placebo, você ouviu Bowie. Se você ouviu Nenhum de Nós ou Thiago Pethit, você ouviu Bowie. Se você ouviu Strokes ou Stone Temple Pilotos, você ouviu Bowie. Se você ouviu Eurythmics ou Thin Machine, você ouviu Bowie. Se você ouviu Rolling Stones, Queen e John Lennon dos anos 1980, você ouviu Bowie. Agora, se você não ouviu nada disso, de fato você não ouviu Bowie. Mas, se você não ouviu nada disso, será que é porque esses artistas são desinteressantes ou porque seu gosto musical, este sim, é limitado?

    (Outro aspecto que eu abordaria é a questão do que você provavelmente conhece de David Bowie que não sejam as músicas. Mas levaria muito tempo – tempo precioso no qual posso ouvir música boa como Mano Brown, Caruso, Verdi, Pink Floyd, Glass… E David Bowie, por que não?!)

  • Prof. Gurgel,
    Acho que o seu artigo é modo sutil de dizer que o Bowie e adjacências (Pink Floyd, Joplin, etc) não valem o que dizem valer. Partilho tal opinião. Mas hoje, com predomínio do funk, somos obrigados a sentir saudades da Madonna — e ainda mais dos “clássicos” do pop-rock.
    Sou de outra geração (de 76), porém mal sabia até pouco tempo que Alice Cooper não era uma mulher. Apesar de eu não ter um ouvido absoluto (nem relativo …) fui também vacinado contra músicas ruins (será que vou preso?) pelos meus pais. Só o suficiente para ter “um faro” para me desviar de certas obras de hoje, mas não o suficiente para cultivar uma autêntica vida musical –- somente para evitar cair em rodas que toquem uma música como o hit deste último carnaval: a dança da “metralhadora” ou equivalente calibre de estrume.
    Gostei muito do seu artigo, quase me vi no episódio em que o seu amigo o critica por não gostar do documentário da Janis Joplin —- meu Deus, mudam-se as datas, os nomes (no lugar de Janis Joplin poderia ser um Tim Maia ou um Kurt Cobain ou um Sepultura ou um Iggy Pop da vida), mas essas estórias sempre ocorrem.
    Abraços.

  • Igor Vasen

    Tem uma música que retrata muito bem o que você é.

    https://www.youtube.com/watch?v=qr1ZNfQBK7o

    Preste bastante atenção na letra, não é nada complexa, mas vai te atropelar como um caminhão desgovernado.

  • flavio

    Há uma espécie de sabor solitário, um prazer indescritível de ir contra corrente e mais saboroso ainda quando temos uma certa intuição de que não estamos errados por sentirmos uma certa paz e tranquilidade naquilo que fazemos sem nos chocarmos com as correntes de negatividades ou positividades.

  • Rodrigo

    Também conheço muito pouco ou quase nada das músicas de David Bowie. Sou de 1978. Lendo seu texto, me perguntei: Será mesmo que a maioria das pessoas conhecem esse artista pra valer ? Não será mais uma falsa impressão reforçada pelo visual extravagante desse artista?

  • Diferentemente do autor, meus pais e avos eram agricultores semi analfabetos e as musicas que ouvia na minha infancia eram as que tocavam no radio e os hinos na igreja. Porem tenho um gosto musical bastante refinado e uma coisa certamente compartilho do sentimento do autor: David Bowie e Janis Joplin sempre foram completamente insossos ao meu gosto musical.

  • André Fulop

    Como dizia Nelson Rodrigues, toda unanimidade é burra.

  • Wilson Roberto de Medeiros Pereira

    Parabéns pelo belíssimo artigo!
    Eu me solidarizo com você em sua perplexidade.
    Também nunca ouvi e provavelmente nunca ouvirei David Bowie.
    Prefiro usar meu tempo de maneira mais proveitosa ouvindo as óperas de Mozart e Verdi e as sinfonias de Beethoven e Mahler. Como sou barítono, consigo cantar razoavelmente a ária Ein Madchen Oder Weibchen, mas confesso que eu seria um péssimo Papageno.
    Faço concessões a Frank Sinatra e a Nat King Cole. É difícil não gostar de canções como Moon River e Smile.
    Mas ouvir Heavy Metal só para ser moderninho?
    No, thanks…

  • Tristeza lírica em “Papagena, Papagena! Weibchen! Täubchen!”?
    Acho estranho, sei lá, o campo harmônico e as melodias não me parecem tristes, perdoe a minha inguinorança, mas me parece equivocada a caracterização. Há breves momentos melódicos com certa melancolia, mas logo resolvidos com alegria lírica, lúdica até.

  • Genial. Grato pelas suas palavras professor.

  • Thiago Monteiro

    Tenho 26 anos e a primeira vez que ouvi falar de David Bowie foi quando ele morreu, fiquei impressionado por ter repercutido praticamente em todos os meios e em todos os níveis. Já estava me achando meio idiota por não conhecer David Bowie, pelo menos eu não estou sozinho, rs.

  • Bravo! Bravíssimo! Mais uma vez você definiu a questão. Eu também fiquei incomodado com esse patrulhamento. Conheço meia dúzia de músicas do David Bowie, as mais famosas, e nenhuma delas me agradou a ponto de impulsionar minha curiosidade sobre o restante da sua obra. Pelo que ouço falar, o homem era criativo e talvez sua morte seja mesmo uma grande perda para a música, mas é inegável que houve um exagero inédito. Os lamentos foram exagerados, criaram um luto artificial generalizado, e inauguraram uma espécie de exigência da tristeza alheia. Suas palavras encerram o assunto, Rodrigo. Parabéns e obrigado. Abraços, Alexandre

  • Nem de longe tenho a cultura musical do autor do post, mas a ele me associo para dizer que jamais escutei David Bowie – senão depois de sua morte, quando fui ouvir trechos de poucas músicas apenas para me inteirar (no sentido de me informar, não de me tornar completo). Como apreciador leigo e singelo dos Beatles (Paul McCartney em especial), Dire Straits, Pink Floyd, Queen e Simply Red, realmente não sei como o também britânico David Bowie me passou ao largo. Na verdade, creio que sei, sim. Cada um dos acima citados deixou sua história em algum lugar da minha: os Beatles, é claro, são um caso à parte, universal, icônico; minha esposa gosta muito The Long and Winding Road, de McCartney; na adolescência, em 1991, um amigo tinha um LP de Dire Straits – fiquei encantado; na escola, por volta de 1992, assistimos ao clipe The Wall, do Pink Floyd, e a sonoridade é espetacular, apesar de hoje eu não concordar com a ideologia que inspirou as letras; sobre o Queen, eu e minha esposa apreciamos a voz, o carisma, o talento e a musicalidade de Freddie Mercury; quanto a Simply Red, as canções são bonitas e a voz de Mick Hucknall é excelente – confesso ter sido capturado pelo hit For Your Babies. Enfim, são referências que surgiram com a minha trajetória, o que não significa que eu deva conhecer outros conjuntos musicais (britânicos ou não) do mesmo gênero ou de gêneros rivais, só para ter uma cultura “antenada” com o mundo ou com a moda. Receio, porém, que nossa cultura seja pop demais, sem profundidade, sem riqueza histórica, sem memória.

    • Gostei do texto professor!
      Esse texto inteligente merece reflexão. Ele fala sobre prepotência cultural e dificuldade em aceitar as opiniões do outro.
      Mas o mais engracado é que lendo os comentários eu percebo que as pessoas estão mais preocupadas com a analogia: “gosto não gosto do David Bowie” do que com o tema principal do texto que é a intolerância cultural.

      Obrigada pelo puxão de orelha a vc e aos que comentaram tb, porque percebi que estamos, quase sempre, muito mais preocupados com os exemplos do que com a reflexão mais profunda por trás das palavras.

      • Gostei do texto professor!
        Esse texto inteligente merece reflexão. Ele fala sobre prepotência cultural e dificuldade em aceitar as opiniões do outro.
        Mas o mais engracado é que lendo os comentários eu percebo que as pessoas estão mais preocupadas com a analogia: “gosto não gosto do David Bowie” do que com o tema principal do texto, a intolerância cultural.
        Obrigada pelo puxão de orelha a vc e aos que comentaram tb, porque percebi o fato de estarmos, quase sempre, muito mais preocupados com os exemplos do que com a reflexão mais profunda por trás das palavras.

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