Depois do Brexit, FARC, Trump, que credibilidade tem a mídia? O que são fake news? O que é a tal "alt-right"? Tudo isso em nosso podcast.

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Guten Morgen, Brasilien! A mídia conseguirá sobreviver a 2016? Para onde quer que se olhe, a imprensa errou. Não um leve erro, mas atirou para mais longe do alvo do que qualquer um. Impeachment, Brexit, Donald Trump, acordo com as FARC… Tudo eram favas contadas para a mídia. Ninguém estava mais errado do que a mídia.

No século XX, a velha grande mídia só precisava se preocupar com sua meia dúzia de concorrentes. Hoje, com a internet, a infowar, a guerra de narrativas, se transformou em netwar, uma guerra de narrativas em rede. Neste sentido, pequenos sites e mesmo blogs conseguem mostrar teorias mais profundas, verdades mais bem pesquisadas e fatos que a mídia, sempre falando em uníssono e ignorando o que não sai em outros jornais, ignora.

Em tempos de “pós-verdade”, a mídia, que pratica assassinato de reputação e faz torcida por suas agendas e pautas pelo mundo, dessa vez mirou no site Breitbart.com, já citado inúmeras vezes por nós, no Senso Incomum, já que seu atual CEO, Stephen Bannon, se tornou estrategista-chefe de Donald Trump. A mídia, que nunca tinha ouvido falar de um dos maiores sites investigativos da América, agora quer se livrar da concorrência, já que o Breibart sozinho esteve absurdamente mais certo do que a mídia toda, com todos os seus bilhões de dólares, durante todo 2016 and beyond.

Graças a isso, um dos maiores veículos da netwar, o Facebook, está instalando o conceito de “Fake News”, marcando de cunho próprio sites cujo conteúdo seja considerado “falso” – ou seja, que não se coadune com a agenda de seu fundador, tão preocupado em atuar em países como a China. Já se fala, inclusive, em “pós-verdade”.

O bode expiatório da vez se chama “alt-right”. É ela que, na América, está sendo marcada como “fake”, e no Brasil, que descobriu o termo na semana retrasada, é tratada como sinônimo de “supremacismo branco” e se tornou um substituto para o desgastadíssimo termo “fascista”.

Mas o que raios é alt-right? Será mesmo que a América, e todos os eleitores de Donald Trump, e todos aqueles contrários a Hillary Clinton e à esquerda no mundo, são supremacistas brancos neonazistas fazendo saudações a Hitler em eventos de Donald Trump? Será mesmo que o Breitbart é da alt-right? Sem saber e pesquisar o que significa o termo, não devemos questionar nossa inteligência por meio segundo antes de “traduzir” fascista por alt-right?

Em um momento vergonhoso, a CNN conseguiu transformar um jornalista do Boston Globe, que nada tinha a ver com o pato, em “líder da alt-right” que estaria “questionando se judeus são gente”, como se vê na foto. É neste tipo de mídia que devemos acreditar para montar nossa visão a respeito do que acontece no mundo?

CNN apresenta jornalista do Boston Globe como líder da alt-right, como se ele questionasse se judeus são pessoas

Com o que a mídia conta é com os famosos leitores de manchete: as pessoas que conseguem montar toda uma metafísica mental, uma axiologia global, uma biografia celeste a respeito de alguém de quem nunca leu nada, além de manchetes. A mídia aposta nisso para sua sobrevivência e para destruir seus concorrentes, muito mais gabaritados. A julgar pela mentalidade dos leitores de manchete, sua aposta foi certa e terá uma sobrevida. Mas será que queremos ser mesmo os tipos mais chatos da internet?

A produção é de Filipe Trielli e David Mazzuca Neto, no estúdio Panela Produtora.

Guten Morgen, Brasilien!

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