Veículos como o Estadão divulgaram que o atirador da Flórida seria um "supremacista branco". Irão se retratar como fez a Associated Press, a fonte de TODA a mídia brasileira?

Você já reparou que as notícias spen todos os jornais, sobretudo na seção Internacional, são praticamente idênticas? Folha, Estado, Globo e agora mesmo a ex-revista Veja: até erros de tradução e gramática são facilmente encontrados repetidos pelos jornais. Aqueles que já foram concorrentes, hoje são rigorosamente idênticos em ideologia. Você sabe por que isso acontece?

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Se antes jornalistas precisavam buscar informações em fontes diversificadas, preocupados com o que outros jornais diriam, hoje a moda é outra: busca-se emular, imitar e ser o primeiro a divulgar o que diz a Associated Press (AP), a maior agência de clipping do mundo.

O que ainda não saiu na Associated Press, não é nem tratado como real, que dirá como digno de notícia. Todas as seções internacionais de jornal, sobretudo falando da América, têm os mesmos assuntos, as mesmas fontes, a mesma visão sobre as pessoas, pois todas só são autorizadas a repetir o que disse a Associated Press.

Em caso de atentados terroristas e os famigerados spree killers americanos, a influência da AP é mais evidente ainda. Por mais que o mundo inteiro já saiba o nome do assassino, seu país de origem e, claro, sua religião, enquanto a Associated Press não solta um statement confirmando tudo, todos os jornais do mundo se mantêm quietos e afirmam que não se sabe ainda a identidade do terrorista.

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Quando a AP falha, todos falham juntos. Foi o caso de uma fake news sobre o atirador da Flórida: de que ele seria um “supremacista branco”. O Estadão estampou a manchete Atirador que matou 17 em escola treinou com grupo extremista branco”.

Para o Estadão/AP, Nikolas Cruz

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era membro do grupo supremacista branco República da Flórida e participou de treinamento paramilitar com a organização em novembro, em Tallahassee, no norte do Estado. A informação foi dada nesta quinta-feira, dia 15, pelo próprio líder do grupo, Jordan Jereb. O FBI não confirmou a ligação. (…) Embora ainda não confirmada oficialmente, esta poderia ser a primeira vez que há uma ligação de um atirador com uma milícia nacionalista branca.

Se a Associated Press disse, é verdade.

Mas não era. Logo a AP desconfirmaria o que veiculou:

“Parece” que mentiu, “parece” desmentir. É um vocabulário de quem realmente tem a verdade em mãos e pode chamar os outros de “fake news”. Nunca eles próprios, é claro.

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É assim que fake news se espalham: sempre que um atentado ocorre em solo americano ou europeu, o desespero da mídia para atribuir o morticínio à suposta “extrema-direita” e a brancos é imediato (quem se lembra do descendente de iranianos que foi chamado de “alemão de extrema-direita” em Munique?). Aí, compra-se qualquer discurso.

Mesmo que falso. E mesmo que, na verdade, tenha sido só uma declaração de um líder maluco dizendo que já tinha visto seu nome na internet (provavelmente porque, ao se procurar por armamentos, qualquer fonte vale). Que fez com que a própria AP tenha admitido que “parece” que mentiram para eles (pobrezinhos). Claro, depois de o estrago ter sido feito, de toda a esquerdalhada mundial jurar que um eleitor registrado do Partido Democrata com camiseta com foice e martelo comunista era um “supremacista branco certamente pró-Trump”, o tímido retratamento não vai chegar a 10% de quem acreditou na primeira fake news.

Mas, claro, fake é quem não liga para a Associated Press. Que é a Verdade revelada no Sinai, e nunca falha.

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