Notinhas aqui e acolá até são encontradas, mas por que a grande e velha mídia, TV, rádio e jornais impressos, não falam sobre Lula sendo recebido com ovos onde quer que vá?

Na bolha da internet, sobretudo da microbolha da turma que discute política o dia inteiro em redes sociais, parece um fato consabido pelo país todo: Lula está em campanha ilegal aberta pelo sul do país e, apenas na última semana, teve o hotel cercado por manifestantes gritando “Lula ladrão, seu lugar é na prisão”, foi recepcionado por uma chuva de ovos em Santa Catarina e produtores rurais bloquearam sua caravana, impedindo que entrasse em Passo Fundo. Já é fato, já tem piada, meme, tudo.

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Mas isto é uma bolha. Pequena bolha em que muitos vivem. Furada, revela um mundo mágico lá fora bem maior do que nossa pequena caverna do mito platônico: a maior parte do eleitorado brasileiro, quem realmente decide eleições fora do reino dos 280 caracteres e de textões de Facebook para a própria patotinha, nem está sabendo disso.

Quem se informa pela TV, ou mesmo folheando jornais impressos, nem está sabendo de algo inédito nos 30 anos de vida pública do petista.

Não viu sequer a reação de Lula, chamando produtores rurais de “ingratos”, dizer que prazer de fazendeiro é “receber dinheiro e dar calote”, ameaçar garantindo que peões estão aguardando coxinhas para “dar porrada” e, no caso da ovada, dizer que a PM deveria encontrar o “canalha” e lhe dar um “corretivo”, provando que o PT e a esquerda até gostam da polícia militar batendo em pessoas à toa, desde que sejam pessoas que o Lula não goste.

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Gleisi Hoffmann também discursou enquanto realizava o milagre dos ovos caindo do céus, chamou um dos manifestantes à distância de “covarde” e pediu para que ele “chegasse perto”. Ou seja, para que enfrentasse os leões-de-chácara, jagunços e sem-terras armados com paus, martelos e foices, enquanto a população foi desarmada para ser agredida pelo PT.

O resultado veio rápido: durante uma discussão democrática com o partido dos trabalhadores, um segurança do PT deu um tapa no rosto de um repórter.

Para o grosso da população, que está cada vez mais estomagado com a política, mas se informa com o Jornal Nacional, ou se considera mais informado do que a média por conseguir prestar atenção a 20 segundos de Globo News enquanto ela está numa sala de espera, está tudo normal, Lula deve até mesmo estar em casa assistindo o amistoso com a Alemanha, e tudo no Brasil está na mais pura paz enquanto todos aguardam placidamente pela volta ao trabalho do STF. O que fica melhor descrito ao som dos violinos de Vivaldi.

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Alguém viu algo disso no Jornal Nacional? O Fantástico, tão preocupado com fake news e em controlar o que dizem na internet, para as pessoas só acreditarem no que sai na Globo, disse alguma vírgula sobre como a caravana de campanha ilegal do ex-presidente condenado está, literalmente, enfrentando o povo? A Globo News, a Band News, algum canal de TV, que atinge um público gigantescamente maior do que a pequena bolha da internet, disse algo?

A foto de Lula tendo de discursar com um segurança ao seu lado com um guarda-chuva para protegê-lo da chuva de ovos saiu na primeira página de algum jornal impresso? Saiu em alguma página?

E cabe sempre a pergunta da qual sabemos a resposta: houvesse outro candidato recebido umas ovadas, sido expulso de uma cidade, tivesse seu hotel cercado com gritos de “ladrão!” o impedindo de dormir, isso não estaria com chamada principal no Jornal Nacional? Digamos, até uma barrigada de colunista do Globo, até um Plantão Globo Urgente acordando o Brasil?

Simplesmente tudo é relegado à internet. Ainda que grandes veículos tenham noticiado, são sempre as notícias pontuais, com menos de 2 ou 3 mil cliques, apenas para alimentar as redes. Não é algo para o grande público.

Nas redes sociais, 90% das pessoas já decidiram seu voto, ou no mínimo sua zona de influência (esquerda/direita/isentismo). Boa parte do que fazemos é auto-alimentação, fortalecimento das nossas bases. Mas os votos a serem definidos estão bem longe da internet (você espera mudar o voto de alguém que se informa por Brasil 171 e Diário do C. do Mundo?).

Daí a urgência de levar estas informações pelos meios mais arcaicos que sejam, até por corrente de WhatsApp, para que mais pessoas também saiam do armário e admitam em público que têm aversão a Lula, não importa o quanto a mídia chame sua opção de “fascista” ou “extremismo populista”.

Ver que um fenômeno completamente novo acontece com a pessoa mais famosa do país, e que pode desembocar numa violência sem precedentes nas vésperas da eleição mais importante dos 518 anos do Brasil, e que tudo isto é ignorado pela grande e velha mídia mostra que a manipulação não acontece apenas por fake news – há também as hidden news, as notícias escondidas, deliberadamente ignoradas. E este poder só a grande mídia tem.

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