Antes eles do que nós

Precisamos matar mais bandidos

É tão simples quanto parece: se alguém vai morrer, que seja o bandido, não o inocente. O bandido que escolheu causar mortes

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“Bandido” foi uma palavra proscrita no jornalismo brasileiro. Tal como acham que vão transformar uma favela em um resort a chamando de “comunidade”, ou melhorar a vida de uma criança abandonada dizendo que ela está “em situação de rua”. Ou chamar comunismo de “pensamento progressista”. É o retorno ao pensamento mágico descrito por Marcel Mauss, que acredita que palavras criam coisas, e não o contrário. Abracadabra: não existem mais bandidos.

Aqui, no chatíssimo mundo real, bandidos continuam matando. A rodo. Mata-se mais do que países em guerra. E nada a ver com a tal “desigualdade social”, a paradoxal panacéia explicativa da esquerda: segundo eles, Lula tirou 300 trilhões de brasileiros da miséria absoluta e os colocou no avião indo pra Miami mês sim, mês também, e por isso a “classe média” não vota na esquerda. Mesmo assim, a criminalidade só disparou sky high.

Cada esquerdista sozinho gasta o PIB de um país africano por mês, mas bandidos no Brasil matam mais do que na África – inclusive os países em guerra civil. Mesmo assim, alguns ainda insistem no discurso da luta de classes criminal: as pessoas dão tiros em troca de celulares, ou seqüestram ônibus com 3 dezenas de inocentes e ameaçam tacar fogo em todo mundo, porque são pobres. Ou negras. Ou trans. Ou acordaram com problemas para os quais a sociedade não deu ouvidos. Como uma dor de ouvido.

Tudo se resolveria pagando mais impostos para criar um mundo cor de rosa: aulas de integração, com funk, capoeira e bater lata (já assistiu o Encontro com Fátima Bernardes?). Trocar carne por soja, defender feminismo, discurso lacrador, hedonismo pansexual e qualquer coisa que destrua a estrutura familiar, jurando que o que gera 62,5 mil homicídios por ano é o “patriarcado”. E basta chamar bandidos por um nome fofinho, como “reeducandos”, e voilà, acabaram-se as mortes.

Enquanto isso aqui, no mundo real, o segundo lugar mais chato já inventado depois do ambiente realista-mágico de Macunaíma, 553 mil pessoas foram assassinadas nos últimos 11 anos no Brasil. Mais do que se matou na Síria assolada por guerra civil, um ditador que usa armas químicas contra a população e o dócil Estado Islâmico ao mesmo tempo. Mais da metade do que ingleses, franceses e italianos perderam em vidas lutando contra os nazistas na Segunda Guerra. São 30,3 mortes para cada 100 mil habitantes – só trinta vezes mais do que a média européia.

Neste árido mundo concreto, cansativo e pontiagudo, bandidos continuam matando mais justamente quando suas famílias são desestruturadas e crescem sem uma figura paterna dominante (não há mínimo denominador comum mais freqüente entre criminosos do que a falta de pais presentes).

Aqui, nas favelas sem os diálogos de novela da Globo, a vida humana se tornou barata, e mata-se em troca de um celular de R$ 300, ou porque se acordou de mau humor, simplesmente porque não há punição. Logo, é barato matar. Com azar (já que no estado de São Paulo, só 4% dos crimes são solucionados, subindo para incríveis 6,5% no Rio), depois de uns 2 anos de cadeia, já se está no semi-aberto. O assassinado não voltará a vida em 2 anos, mas quem liga pra isso? Certamente, não os direitos humanos.

No terrível e anódino mundo da linha de ônibus para chegar ao trabalho 5 da manhã, bandidos matam porque não ligam para suas vítimas, tanto que subtraem à força o fruto de seu trabalho. Se subtrair suas vidas também se torna barato, e não piora muito seu estado de miséria espiritual atual, teremos mais mortes, não importa o quanto os pobres fiquem ricos.

Hoje, uma família de um inocente chora a perda de um ente querido que nunca mais irão ver, morto por alguma futilidade. E não importa que dia seja hoje – todos os dias há uma notícia absurda deste tipo.

Tratam até um seqüestro de ônibus (o que alguém conseguiria com isso?) como uma questão “sociológica”, com -ismos e -fobias como culpados. Como se pobres e negros fossem bandidos. Assassinos prontos para apertar o gatilho assim que a oportunidade surgir.

Nunca lidam com o fato de que o crime é uma escolha. Que a humanidade era muito mais pobre do que somos hoje há alguns séculos e não se matava a troco de nada. Que moral vale mais até do que a fome (e crime famélico é quase inexistente no Brasil).

Que se não querem que o Estado decida o destino de sua vida, é preciso fortalecer outras instituições que dêem rumo à nossa vida, como a família, a igreja, a confiança que podemos ter em abrir o vidro do carro.

Como diz Theodore Dalrymple, “qualquer estudo sobre a violência que não leve em conta os estados de espírito é incompleto e, na minha opinião, seriamente insuficiente. É Hamlet sem o Príncipe”. E estes são os intelectuais e especialistas de hoje.

Enquanto na América, os assassinos de Sharon Tate, morta em 1969 aos 26 anos, grávida de 8 meses e meio de Roman Polanski, até hoje estão presos – inclusive o mentor, Charles Manson, que nem entrou na residência, e morreu aos 83 anos na cadeia em 2017, quase 40 anos depois dos crimes cometidos. Alguém aí pensa que Charles Manson deveria estar “ressocializado” e solto por aí? Que cumpridos 30 anos, já deveria estar prontinho para matar novamente? Que os membros de seu culto que se converteram a igrejas evangélicas deveriam estar nos dando “oi” na padaria, devidamente “reintegrados à sociedade”?

É preciso criar um ambiente em que se favoreça que as pessoas de bem vençam. Que caso alguém decida matar um inocente, tudo favoreça que o inocente saia ileso e o criminoso com o maior prejuízo em relação às suas ações. Se está ameaçando uma vida inocente, qualquer ato em defesa da vida deve ser recompensado.

Policial de folga Kátia Sastre mata bandidoTal como a policial de folga Katia Sastre, hoje deputada, impediu um assalto que poderia terminar em mortes em Osasco, baleando o bandido que ameaçava até crianças na frente de uma escola (e imagine o trauma dessas crianças até hoje, em uma ação com final feliz), deve-se criar um ambiente em que quem mata bandidos seja agraciado. CPF cancelado com sucesso.

A população precisa ter armas e treinamento. Aulas de artes marciais devem ser consideradas quase questão de sobrevivência neste país. E qualquer ação para proteger vidas inocentes, inclusive em assaltos (que implicam ameaça), precisa ser aplaudida.

O absurdo é ter quem ache que a defesa de inocentes, que se livrar de ameaças, que neutralizar agressores para que pessoas continuem vivas, é algo ruim. Como se não fosse simplesmente o óbvio da vida.

Precisamos matar bandidos como o que seqüestrou um ônibus no Rio. Como o que assaltou mães de uma escola em Osasco (nenhuma feminista considerou “machismo” enfiar arma na cara de mães de família com criancinhas no colo, ou essa palavra é usada apenas para defender aborto e xingar heterossexuais?). Precisamos de uma população forte, e de bandidos fracos. Até que cogitem, quem sabe, em suas grandes elucubrações raskolnikovianas, fazer alguma outra coisa melhor da vida.

O que impressiona, de fato, é que seja impressionante dizer esta obviedade.

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