Mi mi mi mi

A infantilidade por trás dos humoristas brasileiros

O curioso caso do humorismo birrento, com ranho seco grudado na falésia da narina, cometido no Brasil

Rir é o melhor remédio, dizem. E como todo remédio, deve ser ingerido na dose certa. No Brasil, terra de contrastes, o riso genuíno dá lugar ao fingimento e uma horda de humoristas, confrontados com a pouca graça de suas piadas, revelam o que são de verdade: meninos mimados que se acham engraçados.

Alguém pode argumentar: se não gosta, não consuma! O mesmo deve valer então para o humorista: não gosta de vaia, não suba no palco! Tem quem goste e quem não goste, bem-vindo ao mundo adulto. Vaias e risadas fazem parte do show. Ou há alguma regra ou lei (somos peritos em leis inúteis) que obrigue alguém a rir de uma piada? 

Somos especialistas nisso. Humorismo que não faz rir e sai batendo o pezinho; jornalismo que não informa e sai apontando o dedo. A infestação da ideologia em cérebros muito limitados resultou no estado de calamidade pública pela qual passa a cultura brasileira. As gerações foram imbecilizando-se, como percebeu Olavo de Carvalho. O resultado é esse: descrédito total nos formadores de opinião. E a birra dos sem talento.

O humor sempre rondou a política, dissecando seus personagens, expondo ao ridículo suas contradições mais íntimas. Assim como a criança no conto de Andersen, o humorista é aquele que diz o que ninguém mais tem coragem: o rei está nu. E se o rei se enfeita todo, se se embioca sob mil disfarces, é o humorista que o desnuda. 

Vou evitar a comparação do que se chama de humor feito hoje e o que se fez por aqui no passado. É por demais humilhante. Salta aos olhos a puerilidade de um Gentili quando, ao debater com o homem baixo, zomba da baixa estatura do sujeito. Sinais de um cérebro pouco ativo. Só se deve fazer piada com anão quando este desfalca seu time de pebolim. Gentili é talentoso, mas tem dado ouvidos a gente ressentida e mau-caráter. Não é o caso de um Rafinha Bastos que sai atribuindo fascismo a tudo que o contraria. Sinais de um cérebro desativado. Rafinha tem perspicácia cômica de um Nesquick de morango, só o pózinho. 

Temos que falar do humorismo tóxico! O humorismo ranheta e birrento. 

Não é preciso dizer que existem exceções: em clubes de comédia, em bares de má reputação ou mesmo na mesa do bar, do seu lado esquerdo, virando aquela dose de Fogo Paulista. O humor é uma característica marcante na nossa cultura e respira um bom ar em diversos campos. Somos talvez os maiores e melhores produtores de memes do mundo. 

O humor de ampla platéia é que passa por uma crise, sequestrado por tipo frágeis, incultos e presunçosos. Adnet, Duduvier e tipos do mesmo jaez são tão engraçados quanto uma encruzilhada ou um vidro de alvejante transparente pela metade.

O humorista que arriscar algo novo, como colocar uma flor que esguicha água na lapela, por exemplo, ou fingir escorregar em cascas de bananas, terá feito mais graça que 96,7% dos que hoje se vangloriam por tirar sarro da altura de um anão ou que acham que xingar o público é o très chic da sátira política.

A circulação do humor tem sido feita por cérebros de via reduzida. A inteligência está sufocada e jaz decomposta junto com suas realizações. Genitlis e Rafinhas contribuem para o” progresso da estupidez universal”¹, ao invés de zombar dela. São parte da infâmia, não da ironia!

Como diria, muito sabiamente, Dom Lázaro Venturini²: “eu prefiro melão!”


¹ Karl Kraus, Nesta Grande Época. Ed. Relógio D’Água.

² Dom Lázaro Venturini, poeta espartano que perdeu a memória ao ver Sílvia Pfeifer abocanhando os lábios de José Mayer. Quem é que não ficaria traumatizado?

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