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joaquim levy impostos

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Para quem não estuda Economia, há uma grande dificuldade em relação a ministros da Fazenda como Guido Mantega e Joaquim Levy. A maior de todas é: como se poderia ser um ministro pior do que ambos? Não é exagerada a percepção de que qualquer pipoqueiro entende mais de economia do que eles.

A economia, em grego, é a ciência da administração do lar (oikos, οἶκος). Qualquer pessoa que cuide das contas de uma casa, seja pai de família ou mero gerenciador de república estudantil, sabe o que é uma crise. Crise é quando se gasta mais do que se possui. Uma casa nunca entra em crise se gera 100 de riqueza e gasta apenas 90. Uma casa rapidamente estará à bancarrota e vendendo a geladeira em troca de um prato de comida se gera 100 de riqueza e gasta 200.

O mesmo se dá com países. Ou quase o mesmo, com tantos fatores envolvidos neste caso.

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Se o Brasil está em crise, não é porque você, eu ou a dona Creide da faxina gastamos mais do que geramos de receita. É porque o governo do PT gastou, gastou e gastou muito mais do que as riquezas que “gera”. Uma parcelinha destes gastos (15,54% do PIB) foi com programas sociais. Uma imensa parcela foi com os gastos da máquina estatal que gerencie este aparato que pode então se apresentar como “defensor dos pobres” com seus “avanços sociais” – todos apresentados com números meramente temporários.

A conta da crise, de gastos maiores do que as receitas com todo este aparato estatal, será paga por todos nós, mesmo que a culpa seja apenas dos petistas e burocratas que multiplicam os enormes gastos estatais – mais do que já nos arrancam por impostos.

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hayek caminho da servidãoÉ a velha lição de Friedrich Hayek, no seu clássico livro O Caminho da Servidão: cada intervenção estatal aparentemente possui um objetivo “nobre”, como dar dinheiro aos pobres ou corrigir injustiças sociais. Mas ao contrário da filantropia direta, o aparato estatal tem um custo. Ao invés de aumentarmos a riqueza corrente, estamos transferindo a riqueza para uma máquina burocrática, que diz estar cuidado da pobreza. Como esta máquina também sofre “crises” ao gastar mais do que seu custo inicial, ela precisará tomar mais dinheiro para corrigir suas próprias deficiências. E em pouco tempo estará simplesmente exigindo mais dinheiro do trabalhador, sem nem se lembrar mais de qual foi a desculpa inicial.

Foi o que fez o ministro da Fazenda Joaquim Levy em Lima, no Peru, em um encontro fechado com empresários. Sem meias palavras, atirou às fauces de seus interlocutores, colocando a conta (literalmente) em todos os brasileiros: “Todo país em crise precisa de mais impostos”.

Ora, toda casa em crise precisa cortar custos, ou amentar receitas. O governo petista nem sonha em fazer o primeiro, mas apela sempre ao modo fácil de cuidar das contas: diminuir o dinheiro no bolso do trabalhador e transferi-lo aos cofres estatais. É, certamente, a maior transferência de renda da história deste país, embora não seja exatamente como é apresentada nas propagandas, blogs e narrativas sobre os “avanços sociais” do governo do PT, sempre ignorante de Hayek e sempre se apresentando como o interventor que salva os pobres. No dizer de Thomas Sowell, “É incrível como algumas pessoas acham que nós não podemos pagar médicos, hospitais e medicamentos, mas pensam que nós podemos pagar por médicos, hospitais, medicamento e toda a burocracia governamental para administrar isso.”

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Há uma diferença brutal aqui. Quando Levy cumpre a profecia de Friedrich Hayek sobre os governos “sociais” e diz que países em crise precisam de mais impostos (o que toda a História prova como falso), ele está afirmando que o governo precisa de mais dinheiro para acertar sua numerologia, o que não surpreende nenhum liberal (estão alertando sobre isso desde antes da redemocratização) – não está dizendo que as pessoas precisem de impostos para melhorar sua vida. Ou seja: Joaquim Levy está tentando salvar a crise do governo às custas (literalmente) de aumentar a crise no bolso da população, sobretudo a mais carente.

A fala do ministro é um lapsus linguae que revela que, para quem acredita em governos “sociais” e de matiz de esquerda, não há uma crise para o povo: há crise na máquina social que criaram, que precisa ser consertada com mais dinheiro expropriado do povo. Os trabalhadores são apenas os peões a se sacrificarem pelo rei – esta é a crise.

Se fosse verdade o que diz o ministro, isto também seria válido para quem não está em crise – como é verdade que mesmo sem crise, se uma casa diminuir seus gastos ou aumentar sua receita, terá ainda mais dinheiro para gastar. Mas qualquer um sabe que um país economicamente saudável logo se torna um atraso, ou mesmo uma miséria, se aumentarmos seus impostos (até mesmo na Escandinávia, como mostram suas recentes notícias, ao contrário da falsa iconografia que é lhe atribuída de longe, como “social-democracia que deu certo” por pessoas que não sabem o nome de seus reis).

nestor cerveróHá ainda outra confissão perdida na fala do ministro. Afirmou Levy que “o governo não deve interferir na Petrobras”. Ora, como a máquina estatal inchada e atravancada criada pelo PT e pelas teses do Welfare State podem sonhar em cortar o luxo dos burocratas e boa parte dos funcionários públicos, com discutíveis cargos de confiança, carrões, motoristas, bônus e benesses – a famosa sinecura (administração pública sem cuidado, sine cura) – se não ousam nem cortar o cafézinho da própria burocracia estatal, materializada como nada neste país no monstrengo alimentado por petrodólares que é a Petrobras?

Quando Levy afirma que nela não vai intervir, não significa que fará uma economia não interventora, mas que com os gastos da Petrobras não está preocupado – mesmo que isso signifique uma exigência muito maior de transferência de dinheiro do trabalhador para os cofres da administração estatal para financiar burocratas. São os impostos de Levy.

Qualquer pessoa que cuide corretamente das contas de casa, seja um barraco ou uma mansão, sabe do que a verborragia levyana não sabe ou não liga. O liberalismo, tão vilipendiado por nossa educação paulofreireana, sempre soube disso e nunca produziu crises – como o poderia, se propõe um governo mínimo que não tome dinheiro do trabalhador para gastar mais consigo próprio?

Um dos governos mais liberais (e, seu corolário, livre de crises) dos últimos tempos foi o de Margaret Thatcher no Reino Unido. Não era uma pipoqueira e nem administradora de república estudantil, mas filha de um quitandeiro. Foi com este conhecimento sobre finanças, livre de ocos esquematismos acadêmicos, que levou prosperidade à Inglaterra, só enfrentando a ira de burocratas que queriam sinecuras sem se importar com quem pagaria a conta – como Joaquim Levy.

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