Eleições

Flavio Bolsonaro vs. Marcelo Freixo na RedeTV!: O que você não percebeu

Os candidatos à prefeitura do Rio debateram na Rede TV!. A mídia ignorou que Marcelo Freixo provou não saber o que fazer com a cidade.

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No debate da RedeTV!, UOL, Facebok e Veja, Flavio Bolsonaro perguntou a Marcelo Freixo quais seriam suas propostas para recuperação de “crackudos”, avisando ao ouvinte, na introdução, que o candidato psolista tem posição favorável a liberação irrestrita de qualquer droga.

Freixo, em sua resposta, todo posudo como sempre, tergiversou e não comentou sobre nenhuma possível proposta. Disse apenas que esse é um debate que precisa ser feito, o que sequer é uma resposta.

Na tréplica, Bolsonaro, apesar de cometer a gafe de falar que a bancada de vereadores do PSOL levaria a Marcha da Maconha para outros municípios, algo que foge de sua competência, pois não é estadual (talvez pelo costume de lidar, como deputado, com problemas estaduais), apresentou uma proposta de atuação na área, em parceria com igrejas evangélicas, que são quem realmente fazem algo de útil a respeito.

Mas que foco foi dado, na Internet, para tal altercação, em curiosa unanimidade entre pessoas de direita e esquerda? Na gafe cometida, claro, e na menor capacidade de articulação do candidato que, do seu jeito, comentou um importante problema ofertando alguma solução.

A falta de proposta do socialista (!) Freixo, repetindo o mesmo expediente de milhares de outros assuntos (“temos que fazer um debate a esse respeito”) ficou menos em evidência que a gafe do direitista e sua menor capacidade de articulação.

Freixo, mais uma vez, enganou todo mundo direitinho. Sua boa retórica lhe salva corriqueiramente. Mas não é privilégio seu.

Infelizmente isto ocorre no Brasil a cada dois anos, em todas as eleições feitas para o executivo.

As pessoas, em geral, votam no sujeito que se expressa melhor, independente de sua ideologia ou propostas, e depois passam quatro anos reclamando. E isto é tão antigo que já até gostam de reclamar e aderem a tal rotina com sorriso rosto.

Nós (bem pouca gente, viu) avisamos, mas o brasileiro, carioca ou não, nunca aprende. Desde Collor, passando por Lula e agora com Crivella e Freixo no topo em todas as pesquisas do RJ — dois oradores natos.

Bolsonaro não é um orador nato, sabemos, mas é um sujeito bem intencionado, disposto a trabalhar e, mais importante, com a bússola moral apontada para o lado certo.

É o suficiente para mim, ainda que passe mal ou gagueje em seu primeiro debate completo na televisão, ladeado de cobras criadas.

Ainda é prematuro prever o resultado final do pleito no Rio de Janeiro, mas é seguro dizer que o resultado refletirá não a capacidade intelectual dos candidatos, como quer a Internet (por Internet, entenda esta massa de seres confusos que habitam Facebook e afins e se acham donos da razão), mas sim dos eleitores.

A capacidade intelectual do eleitor de captar o que há por trás de uma fala aparentemente perfeita, de respostas prontas, rápidas, onde o candidato expressa convicção.

A capacidade do eleitor, enfim, de ir além desse teatro e perceber os homens de verdade que ali estão.

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