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Medo e delírio

Três momentos da estupidez radical da elite brasileira

Cineasta tarja preta mentindo, quarteto de figurantes do Chaves zombando de ministra e ritual Passa Anel de gravidez marcaram as notícias sobre a nata da sociedade nos últimos dias

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O século XX consolidou a figura do iletrado espiritual: aquele que perdeu o senso de transcendência, do domínio linguístico e da sua capacidade de expressão e, como efeito, se distanciou da Imago Dei. O século XXI consolida a figura do sem-vergonha material: aquele que, rompido definitivamente com a Imago Dei, perdeu o senso do ridículo e faz da sua condição animalesca, de seus grunhidos, sua única forma de expressão. 

O horror à realidade nua e crua é implacável nesses sujeitos. Vindos de famílias economicamente estáveis, julgam-se tão especiais que só captam da realidade apenas o que sua lente deformada consegue delinear. O choque entre a coisa em si e seus delírios insanos produz um tipo de ressentimento que os afasta cada vez mais de gente de carne e osso e os aproxima de uma idéia de perfeição da humanidade que, entre um jantar caro e um antidepressivo, eles elaboraram.

Os conflitos se avolumam, já que as imperfeições humanas e a vida vivida são empecilhos para a chegada da paz universal – desde o pai empresário que paga todas as contas até a sociedade capitalista responsável por todas as comodidades que desfrutam. Incapazes de enxergar nuances, contemplam em teorias prontas todas as respostas às suas insatisfações. 

Os exemplos desse deslocamento da realidade pura e simples da nossa elite são cada vez mais visíveis. 

Três cenas dessa cafonice estupidamente radical da elite brasileira saltaram aos olhos nas redes sociais nos últimos dias: 

No primeiro, Petra Costa, a cineasta mais monótona que a elite progressista inventou, resolveu exibir todo seu charme de cartaz do Poupatempo e inventar sandices sobre o Brasil, mentindo desfacetadamente, coisa que a esquerda faz como ninguém, para gringo ver. 


Candidata ao Oscar com seu documentário de ficção, Petra, em entrevista a um canal americano, liga Bolsonaro aos incêndios na Amazônia, ao aumento da morte de bandidos no Rio (notícia boa, diga-se). Só faltou culpá-lo pela uva passa no arroz e pela falha de San Andreas. Petra não conta que sua família está até a última prega do fiofó envolvida com os criminosos petistas. Seu documentário e sua entrevista fazem jus a sua mitomania.

No segundo, temos um vídeo circulando na Internet em que um bando de esquisitonas fantasiadas de ripongas dos anos 70 fazem um Corre-Cotia em volta de uma grávida, enquanto arruinam a música do Alceu Valença e o futuro do bebê. É das coisas mais piegas já exibidas, desde que o João Kleber disse sim a uma emissora de televisão.

No terceiro, um quarteto – que não serviria nem pra figurante de um programa do João Kleber – resolveu fazer troça com o estupro sofrido pela ministra Damares Alves. Com uma letra tão deslumbrante quanto uma freada brusca no busão, os extravagantes “músicos” zombaram da campanha da ministra e ainda usaram um momento traumático de sua história como parte do chilique. Aliás, basta ver o vídeo para ter a certeza que essa gente não damares faz um caralhão de tempo. O que o quarteto faz com a boca não dá um pizzicato que Monsieur Pujol retinia pelas pregas anais. 

Zélia Duncan curtiu o som!

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Aliás, seria bom que nossa alta classe se rendesse aos seus anseios mais profundos de modernidade e aceitasse a chegada dos anos 30, pelo menos. A rebeldia anos 20 do nosso escol tagarelante já deu o que tinha que dar. 

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Carlos de Freitas

Carlos de Freitas é o pseudônimo de Carlos de Freitas, redator e escritor (embora nunca tenha publicado uma oração coordenada assindética conclusiva). Diretor do núcleo de projetos culturais da Panela Produtora e editor do Senso Incomum. Cutuca as pessoas pelas costas e depois finge que não foi ele. Contraiu malária numa viagem que fez aos Alpes Suiços. Não fuma. Twitter: @CFreitasR

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