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Expor o corpo

Folha faz reportagem sobre mulheres postando nudes na quarentena

Jornalismo de qualidade exige recursos. Aliás, o Datafolha garante que o público confia ainda mais na Folha depois de umas tetas

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Antigamente, para um cidadão conseguir nudes, tinha que ir à banca mais próxima, verificar se não tinha mulheres e crianças no local, de preferência ninguém, e, num tom tímido, pedir ao vendedor aquela Playboy da Solange Gomes.

Era um nudes luxuoso, arriscado e distante – além de gastar uma grana, era necessário passar pelo corredor da vergonha; e não havia a menor possibilidade de comunicação com a dona do corpo.

Com o advento da Internet e das redes sociais, o nudes deixou de ser uma prática de celebridades e passou a ser praticado por cidadãs e cidadãos comuns.

Especialmente entre os amantes digitais que, na ansiedade de adiantar o real, seguiam, sem vacilar, o chamado de Eros nas suas mensagens de aplicativos.

Pois bem, chegamos na Terceira Era do nudes. A Folha de S. Paulo publicou uma matéria na última quinta-feira, 2, com o titulo “Mulheres redescobrem e expõem corpos na quarentena”.

Assim, o nudes ganhou um aspecto mais sofisticado, deixou de ser instrumentos de desejo e passou a ser redescobrimento do próprio eu, da banalidade a filosofia.

Nada de usar termos vulgares como nudes, peladões, a língua do populacho. O termo correto é “expor o corpo”, como se um pintor do século XV observa-se cada curva da donzela em questão.

Neliane Catarina Simioni, 31 anos, não tem medo do julgamento social, diz a Folha. Em quarentena e com uma geladeira amontoada de comida, seu corpo começou a perder as curvas tão preciosas que eram exigidas a Solange Gomes, da Primeira Era dos nudes.

Simioni perdeu o medo dos julgamentos sociais de “expor o corpo” e mandar as fotos para as amigas: “É a primeira vez que, assumidamente gorda, faço fotos assim e compartilho com as amigas”.

Outras mulheres entrevistadas no artigo são um pouco mais corajosas e “expõem o corpo” nas redes sociais. Como critica social, ou para quebrar tabus, ou para dizer ao mundo que são livres.

E sobre trabalho? Economia? Coronavírus? Nada. Tudo é secundário perante a crítica social subliminar que é encontrada no corpo esférico de Simioni.

Na Terceira Era dos nudes, destronaram Eros e coroaram Simone Beauvoir como a papisa do amor. A justificativa de tirar a roupa e fazer umas imagens tem que ter o selo de lacração feminista com a benção da Folha de S.Paulo.


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Oliver

Oliver é dropista, podcaster e palestrante. Twitter: @Oliver_talk

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