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Fact-checking

Vera Magalhães espalha fake news sobre desarmamento na Venezuela

Jornalista fez campanha de desinformação e fake news com ataques e discurso de ódio a eleitores de Bolsonaro. Agências de fact-checking como Aos Fatos, Lupa e Boatos até agora se calaram

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Playmobil armas

A jornalista Vera Magalhães, que paga impostos como datilógrafa (não seria pior do que fake news?), aprofundou a crise de desinformação com mentiras e teorias da conspiração infundadas sobre Bolsonaro. Ontem, além de aventar a hipótese de que a embaixada da China requisitasse uma reunião sigilosa de governo (logo um totalitarismo que mata jornalistas dissidentes… como Vera Magalhães o é no Brasil), Vera disse que “Chaves” (sic) armou a população.

Provavelmente querendo se referir a Hugo Chávez (nós, que nem somos jornalistas, trabalhamos com literatura, filosofia, história e assuntos mais elevados, com línguas estrangeiras e leituras densas que exigem longos minutos para virar a página, conseguimos acertar os nomes quando falamos dessas coisas comezinhas que são… notícias; por que jornalistas “profissionais” não conseguem?), ditador da Venezuela, Vera Magalhães espalhou mais uma fake news, tão somente pelo intuito de praticar desinformação descabida contra Bolsonaro.

Bem ao contrário do que diz a datilógrafa, Hugo Chávez iniciou uma campanha tão grande de desarmamento na Venezuela que virou case em qualquer discussão sobre desarmamento no mundo. Até mesmo a ONG brasileira desarmamentista Viva Rio participou do desarmamento ainda em janeiro de 2012, ajudando a transformar o nosso vizinho em um inferno genocida de crimes.

O modelo é o mesmo de mais de 90% dos ditadores no último século, mostrando que Jair Bolsonaro entende muito mais de história do que a datilógrafa Vera. Contando-se os chamados totalitarismos por 10 em cada 10 cientistas políticos, o número sobe para modestos 100%. Comunistas e nazistas, para criar seu Estado total, foram ávidos em desarmar a população.

O que fizeram imediatamente foi transformar as milícias paramilitares das quais se utilizaram para subir ao poder e incorporá-las às forças estatais, quase sempre às turras com as forças militares oficiais dos países.

Portanto, Vera Magalhães mente com fins políticos, espalha desinformação e fake news deliberadamente ao afirmar que Hugo “Chaves” armou o povo, já que paramilitares, tais como as milícias no Rio, não são civis, nem mesmo quando se tornam “militares” – o que, para pessoas com QI acima de 47, deveria ser o óbvio, como algo verde não pode ser roxo, um quadrado não pode ser redondo, um gato não é uma turbina de nave espacial etc.

Hugo Chávez morreu em março de 2013, tendo já implementado uma política de desarmamento feroz da população civil, enquanto contava com apoio de sua própria milícia paramilitar, a Milícia Nacional Bolivariana da Venezuela, hoje “integrada” às Forças Armadas, mas atuando, claro, como um braço separado – verdadeira polícia política.

Sua estrutura e seu histórico em tudo emula a milícia paramilitar comunista, os Guardas Vermelhos. Lenin era explícito, no Iskra, ao falar em armar militarmente “o povo revolucionário (mas não o povo em geral)”, afinal, Lenin entendia de conceitos muito mais do que Vera Magalhães. Ditando os rumos futuros, a milícia paramilitar foi integrada ao Exército já em 1918, um ano após a Revolução.

Processo idêntico está em curso hoje com as FARC, na Colômbia, até garantindo um Nobel da Paz ao presidente do país (talvez Vera Magalhães acredite e espalhe a fake news de que as FARC queiram “armar o povo colombiano”, ou de que os milicianos do Rio queiram “armar os cariocas”, o que inviabilizaria sua própria existência como milícia, mas vai explicar pra Vera…).

O caso mais conhecido de organização paramilitar, que também é idêntica à chavista, é a nazista Schutzstaffel, famosamente conhecida por SS. Nazistas, que morriam de medo dos “bolsonaristas” da época, eram tão obcecados com milícias paramilitares que proibiam membros do Exército regular (Wehrmacht) de se filiarem ao Partido Nacional-Socialista dos Trabalhadores Alemães. A SS chegou a ter o seu próprio “exército”, a aterrorizante Waffen SS, da qual o escritor comunista Günter Grass fez parte e escondeu durante a vida toda. Era a SS que controlava os campos de concentração nazistas.

Nazistas e outros grupos anti-semitas se aproveitaram das leis da República de Weimar (que ainda sofria pesada pressão por desarmamento militar do Tratado de Versailles) para desarmar judeus e “inimigos da Alemanha” desde antes de chegar ao poder. A principal lei usada foi a Reichsgesetz über Schusswaffen und Munition (Lei do Reino sobre armas de fogo e munição), de 1928, que exigia que apenas “pessoas autorizadas” comprassem e possuíssem armas de fogo.

Sob presidência do general da Primeira Guerra Mundial, Paul von Hindenburg, homem profundamente anti-semita (e que apontaria Hitler como Chanceler), antes mesmo de os nazistas chegarem ao poder, os ciganos e gays foram proibidos de ter armas na Alemanha. Imediatamente após a Kristallnacht, em 11 de novembro de 1938 veio a auto-explicável Verordnung gegen den Waffenbesitz der Juden (Portaria contra posse de armas de fogo por judeus). Temos medo de Vera Magalhães também afirmar que Hitler queria armar os judeus, pela mesma “lógica” (ver “Hitler e o Desarmamento”, de Stephen P. Halbrook).

O resultado todos sabem. Quando Bolsonaro afirma que quer armar o povo, e olha com tanta aversão para o MST, buscando classificá-lo como grupo terrorista (o que, na prática, o é), sendo o MST a milícia paramilitar mais perigosa e atuante do Brasil, é fácil entender (ao menos para alguém com mínima cultura sobre o século XX) que Bolsonaro está evitando uma ditadura, enquanto a seita de Vera Magalhães, alimentada com fake news e desinformação das mais incultas, fala em uma estupidez como “bolsochavismo”. A “bola quadrada” do Kiko, o amigo do “Chaves”.

Aliás, para uma jornalista tão “profissional”, uma acusação deste porte tem um peso muito maior. E a jornalista tão “informada” não pesquisou nem sequer as notícias na grande mídia antes de espalhar fake  news. Notícias não faltam. Nem precisa ser culto e ler livros como nós.

BBC desarmamento na Venezuela

G1 desarmamento na Venezuela

Veja desarmamento na Venezuela

Gazeta do Povo Rodrigo Constantino desarmamento na Venezuela

Instituto Mises desarmamento na Venezuela

É simplesmente insano de tão ilógico afirmar que “Chaves” quis armar o povo, simplesmente por armar milícias e “guardas” – além da Guardia Nacional Bolivariana de Venezuela (GNB), a Reserva Militar e a Guarda Territorial. Temendo – ou blefando sobre – uma invasão americana, afirmou que daria “1 milhão de armas” para tais organizações, já que os 100 mil fuzis russos que havia comprado não seriam suficientes.

Dizer que isso é “armar a população”, como noticiou a Folha, é como dizer que comprar tanques de guerra (ou os helicópteros blindados de Chávez) é “armar a população”. Ou que quando se dá dinheiro para o MST, se dá dinheiro para o povo. Ou que as FARC são o povo venezuelano. Ou que quando a Schutzstaffel quebra lojas de judeus, é “o povo” alemão contra… bem, melhor nem pensar nas conseqüências do pensamento veramagalhãesístico.

Fica claro, portanto, que a datilógrafa Vera Magalhães espalha fake news com fins políticos, o que é desinformação. Gostaríamos de saber se alguma agência de suposto fact-checking, como Aos Fatos, Lupa ou Boatos, vai se pronunciar, ou se só está preocupada com meme compartilhado no Zap por 100 pessoas. Já o movimento neofascista “Sleeping Giants”, estes cuidam eles mesmos de espalhar desinformação e fake news, inclusive envolvendo mortes por algo sério como o Covid-19.


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Flavio Morgenstern

Flavio Morgenstern é escritor, analista político, palestrante e tradutor. Seu trabalho tem foco nas relações entre linguagem e poder e em construções de narrativas. É autor do livro "Por trás da máscara: do passe livre aos black blocs" (ed. Record).

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