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Hashtag #MãesComFelipeNeto defende youtuber que fez jogo “casa, trepa ou mata” com menor de idade

Hashtag foi lançada pelo próprio youtuber para limpar sua imagem. Felipe Neto vem tentando "apagar" as vezes em que falou de sexo com palavrões pesados enquanto ícone infanto-juvenil

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O youtuber Felipe Neto, famoso pelos vídeos com palavrões em um canal infanto-juvenil, lançou a hashtag #MãesComFelipeNeto em uma jogada de relações públicas para tentar melhorar sua imagem e vender mais produtos para crianças. Várias mães já aderiram à defesa do youtuber, que já tem mais de 40 milhões de seguidores em seu canal no YouTube – uma imensa fatia de crianças e adolescentes.

Felipe Neto já fez um vídeo em seu canal explicando que poucas pessoas sabem fazer sexo oral nos seus parceiros. Neto explicava que os homens não sabem “chupar uma buceta”. Só avisava que crianças não deveriam ver no início do vídeo, ou deveriam “ver com o papai e a mamãe” (faltou, claro, a hashtag #MãesComFelipeNeto na época).

Depois, em um canal que tirou do ar no YouTube, Felipe Neto brincava de “Casa, Mata ou Trepa”, um quadro no qual perguntava a seus seguidores (alguns, desacompanhados de suas mamães) se casavam, matavam ou “trepavam” com determinadas celebridades.

A “brincadeira” dos marmanjos de 30 anos inclusive foi parar em um dos livros de Felipe Neto, com seu cabelo colorido na capa e nenhuma indicação de que se trata de conteúdo impróprio para menores. Uma de suas “cobaias” era a também youtuber Viih Tube, que era menor de idade. Os pais de Viih Tube processaram Felipe Neto e ganharam. O livro é costumeiramente vendido como produto infanto-juvenil. Não se sabe se as “mães com Felipe Neto” costumam brincar disso com os filhinhos.

Felipe Neto em "Casa, Mata ou Trepa"

Após os pais verificarem o conteúdo dos livros, ficavam chocados. Alguns alertaram: “Pais, leiam os livros e revistas de seus filhos”.

Recentemente, a atriz Antonia Fontenelle vem expondo aos pais a forma como Felipe Neto ficou famoso entre crianças para ter tamanho público – e um sem-número de produtos voltados a crianças e adolescentes. Entre as “brincadeiras” de Felipe Neto e seu irmão Luccas Neto (que tem até boneco da marca NovaBrink, que fala “14 frases divertidas”), estava “chupar” uma banana imitando-se sexo oral. O advogado Rogério Benin, que já ganhou processos contra Felipe Neto, mostra a forma heterodoxa como os irmãos youtubers enriqueceram.

O vídeo completo está no canal da atriz:

Basta ver os comentários antigos a Felipe Neto, mesmo que tenha apagado muitos vídeos de seu canal para esconder o conteúdo sexual.

Outra pessoa que se tornou uma ardorosa defensora de Felipe Neto é a jornalista Vera Magalhães, escalada coincidentemente durante a gestão de João Doria para chefiar um programa que teve muito respeito antes de sua gestão, o Roda Viva. Muitos consideram que o programa de jornalismo mais consagrado do país antes de Vera “morreu” exatamente no dia em que ela chamou Felipe Neto para ser entrevistado, apenas por ser famoso e contra Bolsonaro.

Os canais dos irmãos são abarrotados de propagandas infanto-juvenis. Os vídeos têm nomes garrafais, são todos coloridos imitando cenários de programas infantis, e contém nomes como “Misturei Todos Os Chicletes e Provei” ou “O Melhor Brinquedo do Mundo de R$ 500!! (Hot Wheels Star Wars)”. Havia 23 vídeos sobre misturas de comida, como juntar vários recheios de biscoito para fazer um só, e mais de 100 de brinquedos, só entre 2016 e 2018. Talvez possa-se dizer que era o público do canal.

Os irmãos Neto têm este tipo de conteúdo extremamente instrutivo para papais, mamães e, claro, as crianças e o público que considera Bolsonaro “obscurantismo”:

Outra grande ação de Felipe Neto foi chamar vários dos seus seguidores (como se vê, bastante adultos) para entrar no /chan e “floodar” (encher de mensagens, para atrapalhar a discussão) chats de pedofilia, cujo link deixou na descrição do vídeo. Seria uma forma de usar seguidores para irem até chats e “atrapalhar” a vida de pedófilos. Talvez o senhor Felipe Neto tenha se esquecido do risco a que expunha tais seguidores, que riem de imitação de foca.

Luccas Neto foi processado por chamar uma adolescente de 14 anos de “mão de pica” (sic), além de “burra” e “retardada”. Em resposta à mãe da adolescente que o processou, respondeu: “Vai tomar no cu”. Luccas Neto foi obrigado a pagar R$ 40 mil à família da vítima.

Não conseguimos localizar a mãe da adolescente para saber se ela participou da operação #MãesComFelipeNeto.


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Flavio Morgenstern

Flavio Morgenstern é escritor, analista político, palestrante e tradutor. Seu trabalho tem foco nas relações entre linguagem e poder e em construções de narrativas. É autor do livro "Por trás da máscara: do passe livre aos black blocs" (ed. Record).

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