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Por que jornalistas não criticam censura de João Doria?

Enquanto o estado de SP possui um quarto das mortes do país, Doria diz que defende a vida e a ciência. E chama de democracia pedir a cabeça de um jornalista ao vivo. Eis extensa máquina de clichês do governador

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João Doria, o suéter falante mais autoritário desde que o primeiro australopithecus se enrolou sozinho numa pele de carneiro a fim de se agasalhar, deu mais uma mostra de seu total desprezo pela disputa legítima de idéias.

No programa da manhã da rádio Jovem Pan, ao pedir direito de resposta contra as críticas que Rodrigo Constantino lhe faz diariamente, nosso lacrador de estabelecimentos resolveu partir para o ataque, chamando o jornalista de negacionista, extremista e terraplanista. O léxico limitado do governador impediu a progressão aritmética dos xingamentos, o que deixou a coisa meio repetitiva.

https://twitter.com/Levydourado11/status/1356585698955034625

Na cabeça do governador de São Paulo, os xingamentos que ele dispara contra adversários significam a exata descrição da realidade, o que só pode ocorrer em personalidades cuja sensibilidade foi totalmente submetida a uma autoimagem deformada.

A inaptidão vocabular de João Doria faz com que se agarre a meia dúzia de clichês, como defesa da vida e da ciência, respeito pela democracia, vassalos de Bolsonaro (???). Infelizmente, aquilo que Descartes tentou dividir em duas – res cogitans e res extensa – e a que chamamos vulgarmente de realidade não respeita os cangolés, as engambeladas de almofadinhas mimados com muito poder.

Enquanto “defende a vida e a ciência”, São Paulo possui quase um quarto do total de mortes no Brasil; negando estudos científicos mais aprofundados e o tratamento precoce, chama seus críticos de negacionistas. Se diz democrático chamando os que o indagam de extremistas ao mesmo tempo que pede suas cabeças. Uma espécie de coerência desconexa ao melhor estilo Pica-Pau.

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Doria sente que está por baixo e derrama seu rancor tentando destruir a economia do estado mais rico da federação. A nata psdebista da grande mídia faz reverberar ainda seus caprichos. Não fosse isso e o cercadinho montado na TV Cultura, e Doria, é bem possível, estaria dando trabalho apenas ao seu alfaiate.

Alguma boa vontade por parte da nossa mídia militante e nenhum dos desmandos do governador passaria incólume. Mas como o inimigo do meu inimigo (Bolsonaro, no caso) é meu amigo, a imprensa faz vista grossa. 

Configuraria, caso ainda existisse algum jornalismo menos profissional e mais honesto, notório abuso de poder pedir ao vivo a cabeça de um jornalista, acusá-lo de algo que já foi desmentido, evitar as perguntas, ofendê-lo. 

As grosserias de Bolsonaro já eriçam a penugem retal de jornalistas que até outro dia faziam vista grossa para o desvio de alguns bilhõezinhos de reais.

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Calcule a gritaria, o esperneio, o estrebucho, o banzé, a algazarra e o berreiro do magote de birbantes ativos da velha mídia jeca caso o presidente tivesse feito o mesmo apelo sentimental a uma emissora acusando-a de manter um empregado cuja visão política fosse destoante da sua. 

Quantas associações, sindicatos, juntas, agremiações, confrarias, quadrilhas, mamparras ou clubes privativos de jornalistas já teriam redigido sua nota de repúdio, seu desagravo, contra o que chamariam – corretamente – de ataque à liberdade de expressão?

João Doria age sob a vigilância gandaieira de uma imprensa de escambo, exortando sua ciência de auditório e impondo seus lockdowns teatrais. Esconde-se numa retórica estilo disco arranhado, dizendo “quem tá morto não pode se divertir”, mas esquece que sobram alguns milhões de vivos que estão preocupados, não em se divertir, mas em chegar ao fim do mês sem ver seus estômagos colados nas costas.

O verdadeiro negacionista é o que nega a própria responsabilidade, a própria vontade e a própria culpa, tornando-se, como diz Fulton Sheen sobre a psicanálise freudiana, incapaz de compreender a natureza humana sobre a qual opera e assim aumenta a própria doença que tenta curar. 

Como diria o personagem Cobra, de Sylvester Stallone, “você é a doença, eu sou a cura”. É assim que a população tem que reagir aos desmandos de tipos lunáticos que fazem de si a medida de todas as coisas.


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Carlos de Freitas

Carlos de Freitas é o pseudônimo de Carlos de Freitas, redator e escritor (embora nunca tenha publicado uma oração coordenada assindética conclusiva). Diretor do núcleo de projetos culturais da Panela Produtora e editor do Senso Incomum. Cutuca as pessoas pelas costas e depois finge que não foi ele. Contraiu malária numa viagem que fez aos Alpes Suiços. Não fuma. Twitter: @CFreitasR

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